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Kataklysm “Unconquered”

“Unconquered” é um álbum bruto e rijo, feito com uma alma própria nutrida por um sentido imbatível.

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Editora: Nuclear Blast
Data de lançamento: 25.09.2020
Género: death metal
Nota: 3.5/5

“Unconquered” é um álbum bruto e rijo, feito com uma alma própria nutrida por um sentido imbatível.

Do death metal mais pútrido de “Sorcery” (1995) ao mais melódico de “Shadows & Dust” (2002) – visto como um dos melhores registos do género do Séc. XXI –, os Kataklysm nunca fizeram o mesmo tipo de metal extremo durante muito tempo, mesmo que nem todas as experiências tenham resultado eficazmente.

Ao fim de quase 30 anos de carreira, os titãs canadianos voltam a reinventar-se com um álbum que recebeu o título que tem ainda antes da pandemia, mas que se enquadra no momento e no espírito metal, e que está recheado de letras inspiradas nos episódios de ansiedade e depressão com que o vocalista Maurizio Iacono se viu a braços recentemente.

Enquanto a ala lírica foi comandada pelo vocalista, a parte sonora, como praticamente sempre, tem engenharia do guitarrista JF Dagenais. Com uma ideia que partiu de si, este “Unconquered” foi fabricado com guitarras de sete cordas, uma ferramenta nunca antes utilizada na banda e que dá à sonoridade dos Kataklysm uma nova roupagem. Tal é por demais evidente logo na inaugural “The Killshot” ao ouvirmos uma abordagem mais gorda – por outras palavras, os canadianos começam assim a soar a djent. Todavia, esta nova componente não é um acto isolado, continuando a ouvir-se ao longo do disco, com maior evidência em faixas groovy como “The Way Back Home” e “Stitches”. Em complemento, o baixo de Stéphane Barbe é outro ingrediente, sempre bastante presente, que dá muito mais músculo a nove temas implacáveis.

Para além desta novidade, o convite feito a Tuomas Saukkonen (Wolfheart) faz de “Cut Me Down” um tema com um gostinho escandinavo e uma ambiência meio alienígena faz de “Focused to Destroy You” uma composição aparentemente influenciada pela onda deathcore. Por seu turno, o death metal mais ortodoxo cheio de blast-beats e riffs tecnicamente complexos surge em bombas como “Defiant”, havendo ainda espaço para um contexto completamente diferente originado pelos teclados de “Icarus Falling”.

No seu todo, “Unconquered” é um álbum bruto e rijo, feito com uma alma própria nutrida por um sentido imbatível – afinal, são quase três décadas de existência de uma banda que nunca deu a outra face. Porém, se estás à procura dos Kataklysm puramente melódicos, tens de retroceder uns anos a discos como o referido “Shadows & Dust” ou “Serenity in Fire” (2004). Tantos anos depois, já devíamos estar habituados a uns Kataklysm em constante mudança, ainda que dentro do mesmo género musical, e “Unconquered” poderá não agradar a todos, mas é certamente um dos álbuns mais violentos dos canadianos.

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