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Iron Maiden, ‘Scream for me, Long Beach!’: na frente da World Slavery Tour

Eddies mumificados, palcos do tamanho de campos de futebol, multidões histéricas – assim foi a digressão mais épica do metal dos anos 80 vista em primeira mão.

(Texto: Malcolm Dome)

«Vamos tocar em Long Beach hoje à noite, se quiseres vir.» Um simples convite feito pelo agente dos Iron Maiden, Rod Smallwood. Na altura, eu estava em LA com uma incumbência, mas a viagem não tinha nada a ver com Maiden. Contudo, a oportunidade de os ver a tocar num espaço tão prestigioso era demasiado tentadora para recusar. Era 16 de Março de 1985, a terceira das quatro noites em que a banda ia estar arena. E ia ser uma experiência…

Já tinha visto os Maiden a tocar em todos os tipos de sítios na Grã-Bretanha – clubes, teatros, suporte, cabeças-de-cartaz –, mas nada se comparava à colisão na Long Beach Arena. A fila de veículos conforme nos aproximávamos era incrível – carros e camiões com os vidros baixados a emitirem sons metal desde cassetes a rádios sintonizados nas estações locais que estavam ocupadas a aumentar a febre, a tocarem faixas dos Maiden consecutivamente.

Demorou um bocado para chegar ao local, pois a fila da lista de convidados era quase interminável. Lá dentro, o merch dos Maiden estava por todo o lado, os níveis de excitação fixados em onze [N.d.T.: referência a Spinal Tap]. Ia ser difícil para qualquer banda de abertura, dado que a multidão lotada estava claramente empolgada para a atração principal, mas os Twisted Sister safaram-se bem ao estabelecerem o tom para o que se ia seguir.

Já tinha visto a banda a tocar no Hammersmith Odeon em Outubro anterior, e foi impressionante. Mas quando as luzes diminuíram, a multidão explodiu, e sabias que tal seria um nível totalmente diferente de histeria. O ronco dos motores e o som inconfundível do famoso discurso de Winston Churchill anunciaram a chegada da banda, que estourou no palco e foi direita a “Aces High”.

O imenso tamanho do palco rapidamente deu ar de si. Em comparação com o que estávamos habituados no Reino Unido, isto era esmagador, quase assustador. Reflectindo o conceito do álbum “Powerslave” com os seus motivos egípcios, parecia que os Maiden tinham montado acampamento em vários campos de futebol.

Dito isto, Bruce Dickinson usou cada milímetro de espaço: um exercício em movimento perpétuo enquanto Dave Murray, Steve Harris e Adrian Smith também voavam em intercâmbios coreografados.

Havia uma entoação constante vinda dos fãs. Tal nunca diminuiu, mesmo à medida que a banda passava por um alinhamento movido por uma energia implacável e imparável.

É difícil escolher destaques num conjunto repleto deles, mas o ‘Nice to see you, to see you nice!’ de Dickinson imprimiu um pouco da velha Inglaterra (e de Bruce Forsyth) numa multidão americana aparentemente confusa.

E não dá para esquecer o icónico ‘Scream for me, Long Beach!’ berrado no éter durante o hino “Iron Maiden”. Tal música também assistiu a um Eddie com ligaduras a aparecer atrás da bateria de Nicko McBrain. Com os seus olhos a brilharem com pirotecnia à medida que a música atingia o seu clímax, Steve Harris saltou do estrado da bateria no momento certo.

Entretanto, a grande diferença entre ver Maiden no seu habitat natural e nos Estados Unidos era a multidão completamente maluca. Talvez os tenhamos visto com muita frequência no Reino Unido e considerámo-los uma banda garantida, mas aqui, nas colónias, eram apreciados pelo que eram: o zeitgeist vivo do metal.

Isto era Maiden elevado à estatura das maiores bandas da América. Enquanto existiam numa bolha na Europa, aqui eram tão grandes como Van Halen, Kiss, Foreigner… Como qualquer uma das bandas de arena. E assistir àquela performance originou um respeito revitalizado por quão surpreendentes e omnipresentes se tornaram. Não é de admirar que “Live After Death” (o primeiro álbum ao vivo da banda), gravado aqui e no Hammersmith Odeon, ainda se mantenha não apenas como um dos maiores álbuns ao vivo dos Maiden como também um dos maiores de sempre.

Consultar artigo original em inglês.

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