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Iron Maiden “Brave New World”: admirável regresso

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No meio do turbilhão de popularidade que era o nu-metal e na ressaca de uma fase conturbada a nível criativo com, por exemplo, Slayer e Megadeth a lançarem os seus álbuns menos bem-recebidos, os Iron Maiden precisavam de retomar o comando, não só da sua carreira mas também do heavy metal em geral.

Os cinco anos com Blaze Bayley na voz foram, se pensarmos nisso hoje em dia, para esquecer. Se por um lado, os dois álbuns com esse vocalista – “The X Factor” (1995) e “Virtual XI” (1998) – foram dos mais destruídos pela imprensa, por outro, os fãs gritavam por Bruce Dickinson, chegando-se mesmo a momentos de grande tensão.

Tudo mudaria em 1999 quando Dickinson regressava à Dama de Ferro juntamente com Adrian Smith para trabalharem no excelente “Brave New World”, lançado a 29 de Maio de 2000.

Numa entrevista à espanhola RockFM, Dickinson comentou: «Tudo o que precisava de saber era que não íamos voltar como uma espécie de reunião. Não queria voltar ao passado. Isto era sobre juntar-se uma banda que olhava para o futuro – para fazer um grande álbum e realmente reiniciar o ímpeto e direcção da banda. E o Steve [Harris] disse que era o que queria fazer, e eu fui do tipo ‘OK, vamos a isso’. E, claro, o primeiro álbum que saiu depois disso foi “Brave New World” – penso que é um dos melhores álbuns de Maiden que já fizemos.»

Com uma capa e um título directamente relacionados à obra literária de ficção-científica da autoria de Aldous Huxley, os Iron Maiden retomariam, de facto, o leme do heavy metal com um disco possuidor de um poder que muitos podem dizer que não existia desde “Somewhere in Time” (1986) e “Seventh Son of a Seventh Son” (1988).

Ainda que “Brave New World” represente verdadeiramente um ponto de viragem que se pode dizer ter sido influenciado pelos regressos estonteantes de Dickinson (no pico das suas habilidades) e Smith, o que é certo é que este disco já andava a ser esboçado antes de se pensar sequer que os dois músicos voltariam a Maiden. De facto, de acordo com a Blabbermouth, Adrian Smith referiu que “The Nomad”, “The Mercenary” e “Dream of Mirrors” tinham sido compostas originalmente para “Virtual XI” e, na mesma publicação, Blaze Bayley alega ter escrito letras para a última destas três, acabando por não ser creditado por Steve Harris.

Todavia, o agora sexteto (pois, Janick Gers continuava na sua posição de guitarrista mesmo com o regresso de Smith) tinha um novo fôlego que foi materializado em temas cativantes como “The Wicker Man” (inspirado no filme de culto de 1973) e a faixa-título, duas composições que arrebataram por completo as 250.000 almas presentes no Rock In Rio de 2001. A actuação, que marcou uma época muitíssimo importante para Maiden, resultou no álbum ao vivo com o mesmo nome do festival lançado em 2002, sendo, possivelmente, o único live dos britânicos capaz de rivalizar com “Live After Death” (1985). As duas faixas atrás referidas são também aquelas que, passado décadas, vão sobrevivendo nos alinhamentos dos concertos de forma esporádica.

Primeiro álbum com três guitarristas, “Brave New World” foi também o primeiro trabalho da banda a ser produzido por Kevin Shirley e em modo live, captando-se assim uma sonoridade mais orgânica e espontânea, o que pode ser testemunhado no final da épica “The Thin Line Between Love and Hate” ao ouvirmos vozes e risos ali deixados propositadamente.

Para a posteridade, fica um álbum de Iron Maiden extremamente bem conseguido que relançou os veteranos e com ele todo o heavy metal através de composições que a Kerrang! classificou como majestosas, bombásticas e titânicas, recuperando-se assim muito do que tinha sido feito na gloriosa década de 1980.

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