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Inhuman “Contra”

Quando “Contra” carrega no pedal do saudosismo a sério, a chama parece voltar.

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Editora: Alma Mater Records
Data de lançamento: 06.11.2020
Género: doom/gothic metal
Nota: 3.5/5

Quando “Contra” carrega no pedal do saudosismo a sério, a chama parece voltar.

Durante a década e meia em que os Inhuman estiveram arrumados na prateleira das bandas inactivas (vamos deixar aqui de fora o regresso fugaz entre 2008 e 2011, que apenas rendeu uma maqueta), existiram alguns candidatos a ocupar o lugar dos algarvios no triunvirato gótico nacional. E, se por um lado, os Moonspell vêm de um passado mais black metal e flirtam amiúde com outros género, por outro lado os Heavenwood há muito que se sentaram ao lado do trono dos reis lobos. Mas o terceiro posto nunca foi verdadeiramente ocupado. O que deixou os fãs do estilo com ainda mais saudades dos Inhuman. Sobretudo quando “Strange Desire” e “Foreshadow”, lançados de rajada no espaço de dois anos na segunda metade dos anos 90, lhes deixava antever um futuro promissor, no meio de comparações a Paradise Lost e interesse de editoras como a Music For Nations. Depois, a vida caiu-lhes em cima.

Mas deixemos os motivos para a primeira morte dos Inhuman para a entrevista que a banda dará dentro de dias à Metal Hammer Portugal. Depois da tal tentativa de regresso em 2008/2011, o quinteto está agora finalmente de volta aos discos de originais, e logo com selo da Alma Mater Records, editora gerida por… Fernando Ribeiro, dos Moonspell. A volta fica completa e os Inhuman apresentam “Contra”, uma colecção de uma dezena de temas que cai exactamente no buraco cavado para aquilo que seria o terceiro disco do colectivo no final dos anos 90. Ou seja, os Inhuman recuperam, com as devidas actualizações sonoras, o seu próprio som clássico, com todos os predicados que se lhes eram reconhecidos: uma sonoridade ‘redonda’, riffs bem engendrados, teclados a invocarem a atmosfera gótica e o ataque vocal triplo de Pedro Garcia, com voz limpa, mais gótica e mais agressiva. Todos os elementos que deviam estar na música dos Inhuman estão em “Contra”, em peso e medida suficientes para se poder considerar um regresso bem-sucedido. A composição revela-se variada, entre temas mais orelhudos (“Chaotic Nothing”), outros mais declaradamente roqueiros (“The Flames of Secret Shame”), outros mais arrastados (“N.F.D.A.”) e ainda três cantados em português (primeira vez que os Inhuman se aventuram neste terreno), com resultados francamente positivos ao nível da dicção, métrica e melodias.

“Contra”, no entanto, tem um final de boca ligeiramente amargo. Será porque, entretanto, nos passaram pelos ouvidos uma quantidade infindável de discos de metal gótico (incluindo dos companheiros de cena nacionais dos Inhuman), que transformam um disco magnífico dos anos 90 em apenas uma proposta interessante nos anos 20? Será porque os Inhuman perderam momentum e estão a possivelmente forçar um regresso à sonoridade a que, mesmo tendo a identidade da banda, falta parte da paixão e inocência de há duas décadas e meia? A verdade é que, quando “Contra” carrega no pedal do saudosismo a sério (ouvir “Ravening”), a chama parece voltar, mas feito o balanço final, “Contra” parece sucumbir um pouco ao rigor emocional que ainda impera nuns Inhuman à procura do seu espaço, de novo, na cena.

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