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Ihsahn “Pharos” EP

“Pharos” representa a luz e o lado mais experimental, menos ortodoxo, da jornada musical de Ihsahn.

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Editora: Candlelight Records
Data de lançamento: 11.09.2020
Género: prog rock / pop
Nota: 3.5/5

“Pharos” representa a luz e o lado mais experimental, menos ortodoxo, da jornada musical de Ihsahn.

Prometido é devido e Ihsahn cumpriu a palavra. Depois de ter anunciado o lançamento de dois EPs em 2020, o norueguês fecha agora esse ciclo com “Pharos”. Acto contínuo, a inclinação conceptual também foi cumprida: enquanto “Telemark” demonstrava a faceta mais negra e black metal do mentor dos Emperor, este “Pharos” representa a luz e o lado mais experimental, menos ortodoxo, da sua jornada musical.

Sendo realmente uma diferença como da noite para o dia, as três novas composições inéditas presentes neste EP são mais suaves e incorporam muitos elementos oriundos do exterior do metal, ainda que, em certos momentos, não se perca uma certa negritude ou melancolia. Ainda assim, como o título indica, “Pharos” vai por um caminho mais luzidio e, por vezes, cheesy – isto é, as influências naquela pop dos 1980s que tinha um pouco de rock é tanta que há segmentos que parecem já ter sido ouvidos inúmeras vezes durante a nossa vida. E não precisamos de ir tão longe: “Losing Altitude” e “Spectre at the Feast” têm mesmo muito de Ulver actual, mesmo que não sejam duas faixas estritamente electrónicas – aliás, até são bastante orgânicas, com bateria e guitarras, mas há uma direcção rítmica e até melódica que nos faz ir até Ulver e seus pares.

Por seu lado, a faixa-título é mais original e mais arrojada do que as outras duas, pelo menos em termos estruturais. Sendo até mais negra, com a inclusão de coros sumptuosos e um lead de guitarra que guincha em antecipação, este tema também é capaz de ir beber ao jazz e a um certo sentido de casino-noir. Agora, se isto faz esta música ser melhor do que as outras é discutível – diferente é, melhor talvez não, por mais que se aponte o que se apontou no parágrafo anterior.

À semelhança do EP anterior, Ihsahn volta a incluir mais duas covers. Enquanto em Fevereiro se decidiu por algo mais heavy metal e rock n’roll (a saber, Iron Maiden e Lenny Kravitz), agora tinha de optar por algo que se adequasse à nova ideia. Assim, o norueguês foi buscar “Roads” de Portishead – que a transforma em algo mais orgânico e menos digital – e “Manhattan Skyline” dos A-Ha – em que basicamente só lhe dá um pouco mais de corpo e atmosfera, assim como a adição de Einar Solberg (Leprous) para a cantar.

Com todas as suas idiossincrasias, será este um lançamento digno de Ihsahn? Sim, tudo o que aqui se ouve é perfeitamente possível vindo do norueguês, bastando-se ouvir, por exemplo, o álbum “Àmr” (2018) que tanto synthpop teve. Por outro lado, e sem nunca nos esquecermos das diferenças sónicas e conceptuais entre os dois EPs, “Pharos” é menos musculado e mais macio do que “Telemark”, apelando-se agora aos fãs menos extremos do norueguês.

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