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Gautier Serre (Igorrr): «A vida não é apenas uma cor»

Igorrr: único e imprevisível.

Com “Savage Sinusoid”, de 2017, Igorrr provou ainda mais ser uma força musical verdadeiramente única, e “Spirituality And Distortion”, de 2020, cimenta a merecida reputação. Combinando estilos musicais díspares entre si, como death e black metal, breakcore, música oriental, barroco e clássico, de uma maneira tão pouco convencional e imprevisível como emocionante, Igorrr é diferente de qualquer outro projecto, e “Spirituality And Distortion” é tão amplo na sua gama de emoções como no conjunto de todos os seus sons. «Ficar preso a apenas uma emoção é muito aborrecido para mim; a vida é uma grande variedade de emoções – às vezes estás feliz, às vezes estás triste, zangado, chateado, nostálgico ou deslumbrado», afirma Gautier Serre através da Metal Blade Records. «A vida não é apenas uma cor. Estas 14 faixas são uma viagem por diferentes estados de espírito pelos quais passei.»

No meio de tantos estados de espírito, o francês admitiu que, ao início, não sentiu a devida confiança para realizar esta empreitada. «Não tinha a certeza do que estava a fazer, para onde isto iria, ou se seria capaz de fazer um álbum ou não. Estava apenas a seguir o meu instinto e a ver onde poderia chegar.» Ainda assim, uma influência surgiu no meio da incerteza: música oriental. «Não faço ideia de onde veio, mas as cores desses sons inspiraram-me muito. É algo pelo qual me sinto extremamente atraído. Esses sons têm uma profundidade real na gama emocional, e, combinados com música pesada, é algo que me levou ao fundo de mim próprio e que me levou a criar faixas como “Downgrade Desert”, “Camel Dancefloor”, “Himalaya Massive Ritual” ou “Overweight Poesy”.»

Como sempre, não houve um plano prévio e detalhado, o que conduziu Guatier Serre a abraçar a liberdade das ideias, acolhendo um pequeno exército de músicos especializados que o ajudaram a alcançar a sua visão. Mas antes de a esse assunto chegarmos, convém afirmar, especialmente para os menos familiarizados, que Igorrr é um projecto aparentemente desordenado. Na realidade, é verdade que tudo tem de ser encaixado, inclusivamente recursos humanos. «A parte da organização foi mais complicada, porque tivemos que levar instrumentistas tradicionais para o estúdio. Portanto, estiveram envolvidos muitos aviões, comboios e carros para que isto acontecesse, mas todo os instrumentos acústicos foram gravados tradicionalmente, sem ajuda do computador.»

No universo de Igorrr encontramos guitarra, baixo, bateria, electrónica, piano, cravo, acordeão, oud ou kanoun ao lado das vozes repetentes da operática Laure Le Prunenec e do growler Laurent Lunoir. Já o convite endereçado a Geroge ‘Corpsegrinder’ Fisher, dos Cannibal Corpse, para participar na faixa “Parpaing” foi um sonho tornado realidade para Gautier Serre. «A sua voz lendária traz o peso que essa faixa merecia. O George é como o boss final dum videojogo – tens o boss final que é o mais forte, o George é o melhor a cantar death metal. Por causa do extremo peso e violência da sua voz, achei que era muito coerente contrastá-lo com um cheap-tune de 8bits, que é a música menos pesada do mundo. O contraste é bonito para os meus ouvidos.» No entanto, para Serre, as letras são menos importantes e, geralmente, são escritas em línguas que nem fala. «Como nos álbuns anteriores, estou totalmente focado no som e em como as sonoridades da voz falam ao coração, não ao significado intelectual das palavras», remata.

Para “Spirituality And Distortion”, o francês revela ainda que ficou fechado no estúdio muito mais tempo do que o normal e sem pausas, originando sessões «muito mais intensas» do que as de “Savage Sinusoid”. «Foi intensivo esforçar-me até aos limites mais difíceis que consegui suportar. Para ser sincero, sofri muito no processo de criação deste álbum, e estou muito feliz, apesar de todas as dificuldades – técnicas e humanas –, por ter conseguido não deixar escapar nem um pouco da qualidade que queria para este álbum. álbum. Além disso, se a nova música não fosse melhor do que a do último disco, não a lançaria.»

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