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Hypocrisy: uma adoração sem fim

Peter Tägtgren apresenta o novo álbum de Hypocrisy.

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Foto: Hannah Verbeuren

«Talvez estivéssemos à espera do momento certo, já que algumas músicas são mais reais agora do que há uns anos.»

Com a humanidade a tentar sair de uma crise de saúde pública, o timing não podia ser melhor para os Hypocrisy regressarem aos discos. Já passaram oito anos desde a última proposta e os fãs dos suecos não conseguiam esperar mais. Eis que surge “Worship”!

Para o mentor Peter Tägtgren, a inspiração surgiu aos bocadinhos, conforme conta através da Nuclear Blast: «Creio que estávamos em digressão com outro projecto e comecei a ficar faminto. Comecei a sacar alguns novos riffs e, quando tinha 7-8 músicas feitas, convidei o resto dos rapazes para se juntarem a mim e para contribuírem, e a partir daí começámos a juntar tudo. Parámos durante uns meses, continuámos a gravar, regressámos às digressões… Nunca pára. Andámos muito para trás e para a frente, e depois apareceu a covid e as coisas ficaram mesmo estranhas.»

«Gravámos o álbum aqui e ali durante dois anos e agora está feito», acrescenta. «Talvez estivéssemos à espera do momento certo, já que algumas músicas são mais reais agora do que há uns anos.»

Mas para além da inspiração na actualidade real (da indústria farmacêutica às mensagens ecológicas), o conceito de Hypocrisy não mudou assim tanto. Se olharmos para a capa deste álbum, criada por Blake Armstrong, deparamo-nos com os habituais ingredientes visuais da banda: uma massa de humanos a tentar tocar os céus enquanto naves brilhantes estão prestes a descer à Terra para contactar as civilizações. «Estão de regresso para nos buscar», diz Peter.

A promoção de “Worship” começou em Setembro com o vídeo para “Chemical Whore”, um tema que fala sobre o vício em produtos farmacêuticos e sobre quem os produz. «Somos todos prostitutas químicas», atira Peter. «Consumimos regularmente medicamentos e drogas porque pensamos que precisamos disso. Tomamos um comprimido para curar o dano feito por outro… É um ciclo vicioso.» Musicalmente, é a única faixa do álbum composta pelos três membros principais do grupo, que se traduz numa sonoridade reconhecível à Hypocrisy e algo inspirada em composições antigas como “Eraser” e “Fractured Millenium”.

Depois seguiu-se “Dead World”, música composta por Sebastian, o filho de Peter. «Na verdade, começámos a compor um álbum em conjunto, algo como 11 ou 12 músicas, mas nunca adicionámos vozes e pusemo-lo de parte», conta o pai. «Depois comecei a compor para Hypocrisy e percebi que gostava mesmo da música… É refrescante. Acho que o meu filho tem sangue novo.» Quanto àquilo que ouvimos, embora surja equipada com um toque moderno, a composição foi feita à moda antiga e, liricamente, vai ao detalhe sobre os Illuminati e acções profundas, que não vemos a olho nu, executadas pelos governos mundiais. «Chama-lhe fantasia, chama-lhe ficção científica – há muitas conspirações, mas acho que estas são interessantes», comenta Peter, sobejamente conhecido pelo seu fascínio por aliens e teorias da conspiração.

Com data de lançamento a 26 de Novembro de 2021 pela Nuclar Blast, o muitíssimo aguardado novo disco de Hypocrisy foi gravado no estúdio caseiro de Peter, um local e um nome que têm vindo a ser muito requisitados por outras bandas de relevo como Immortal e Sabaton.

“Worship” é uma colecção de 11 faixas precisas, ferozes e, acima de tudo, modernas sem nunca traírem o ADN de Hypocrisy, fazendo com que os veteranos nórdicos do death metal melódico continuem a combinar inovação com som clássico para nos oferecerem algo que possamos consumir com agrado e vigor brutal.

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