#Guitarrista

Reviews

Hyems “Anatomie des Scheiterns”

“Anatomie des Scheiterns” apresenta um álbum bastante directo, homogéneo e coerente, com uma produção contida a contribuir para a crueza da sonoridade final.

Publicado há

-

Editora: Black Sunset / MDD
Data de lançamento: 01.05.2020
Género: black metal
Nota: 4/5

“Anatomie des Scheiterns” apresenta um álbum bastante directo, homogéneo e coerente, com uma produção contida a contribuir para a crueza da sonoridade final.

“Anatomie des Scheiterns” é o terceiro álbum de um projecto que assume não ter quaisquer ambições de sucesso comercial ou perspectivas de futuro, regendo-se pela lealdade incondicional ao black metal dos finais da década de 1990. Os Heyms fazem questão de afirmar uma atitude militante e resistente na preservação da sonoridade característica deste género musical e opõem-se à moda das fusões que o infiltraram para servir objectivos comerciais.

“Anatomia do Fracasso”, tradução do título para português, apresenta o fracasso enquanto conceito. Num discurso anti-sistema em sintonia com o espírito crítico do punk, a banda discorre sobre esta temática nos sete temas do álbum e aponta o dedo à falência dos modelos éticos e morais impostos por uma sociedade em ruptura com o indivíduo. Este tipo de mensagem política e social raramente se encontra na temática das letras desta variante da música extrema, apesar do grupo se ter recentemente manifestado através da mensagem do tema “Nazi Black Metal Fuck Off”, em destaque no anterior EP “1997”.

Esta banda de Marburg é composta por A.E.J. na voz, D.M. e D.W. nas guitarras; F.B. no baixo e C.A. na bateria. Apesar do início em 1997, a produção discográfica tem sido escassa – só após a gravação de quatro demos, editam o álbum de estreia “Antinomie” em 2007. A sua discografia inclui apenas dois outros EPs e o álbum “Devianz” de 2015, para além do novo “Anatomie des Scheiterns”.

O disco começa com o rufar de um tambor de infantaria em “Triumph des Scheiterns”, ouve-se de seguida uma guitarra a acompanhar-lhe a cadência em ritmo lento e o grito de guerra que convida à entrada do duplo-bombo num registo hiper-acelerado em contraste com a guitarra, criando a dissonância e o contraponto habituais neste género musical. As letras são vociferadas com agressividade e dramatismo sobre a percussão que se lança num ritmo cada vez mais vertiginoso por entre riffs lentos e solos melódicos até quebrar por um breve instante e tornar a rasgar. Os blast-beats característicos figuram mais à frente enquanto a vocalização se mantém num registo grave, áspero e belicista, mas numa dicção sempre clara e audível, o que aliás se verifica em todas as faixas. Um bom tema este, com a língua alemã a reforçar o discurso enraivecido das vocalizações e a remeter para Rammstein. A atmosfera marcial que surge da combinação das vozes com o frenesim da secção rítmica em contraste com o sentido melódico das guitarras envolve o álbum de início ao fim.

“Siechtum – Briefe vom Ende” é um tema vincado pelos acordes e melodias de guitarra com tremolo, com um início muito veloz, mas que reúne uma variedade de momentos que lhe acrescentam um particular interesse.

“Anatomie des Scheiterns” apresenta outros cinco temas cuja estrutura assenta invariavelmente nos moldes descritos, sendo os mais apelativos aqueles que melhor exploram diferentes atmosferas melódicas a partir das variações rítmicas, numa amostra que vai do hínico “In Diesem Graben” ao mais melancólico “Zerwurfnis Im Tal Josaphat”, até ao último tema do alinhamento, o muito intenso “In Ketten”, cujo videoclipe já roda há algum tempo.

Esta é a oferta de uma banda comprometida com as suas origens. “Anatomie des Scheiterns” apresenta um álbum bastante directo, homogéneo e coerente, com uma produção contida a contribuir para a crueza da sonoridade final. A autenticidade acaba por fazer a diferença, e os Heyms cumprem a sua proposta com eficácia: black fucking metal!

Facebook

Destaques

Notícias

Artigos

Mundo das Guitarras © 2021