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Hour Of Penance “Misotheism”

Notam-se pormenores mais melódicos, passagens onde os temas conseguem respirar mais um pouco e libertar-nos durante uns segundos do sufoco de tanta porrada anti-religiosa e moralmente corrosiva.

Editora: Agonia Records
Data de lançamento: 25.10.2019
Género: technical/brutal death metal
Nota: 4/5

Duas décadas de luta árdua para vingar no underground mais extremo. Sem concessões, nem rodriguinhos. Desde a crueza de “Disturbance” até ao consensual “Cast the First Stone”, o quarteto italiano tem devastado muitos palcos e muitas audiências, burilando a sua fórmula a cada lançamento que passa. Não, de facto, não se lhes pode apontar grandes passos em falso, antes uma homogeneidade que lhes granjeou o reconhecimento e tournées com Behemoth, Nile ou Misery Index.

Com a dezena de temas que compõem “Misotheism”, à medida que os temas vão passando não se notam grandes mudanças. Blasts a rodos, guitarras fortes, vocalizações brutais, tudo eximiamente executado, e numa primeira audição até somos levados a crer que estas composições poderiam fazer parte de qualquer um dos trabalhos anteriores. E podiam, claro! Mas investindo um pouco mais nas audições, notam-se pormenores mais melódicos, passagens onde os temas conseguem respirar mais um pouco e libertar-nos durante uns segundos do sufoco de tanta porrada anti-religiosa e moralmente corrosiva. Solos onde poderiam ser tocadas imensas notas por segundo, emergem não tanto por essa fúria vertiginosa, mas antes pela dissonância com tudo o resto, sem perder um pingo de personalidade ou de integridade.

Se “Blight and Conquer” e mais uma mão cheia de músicas alinham pela linha standard da banda,”Fallen from Ivory Towers” mostra que nem tudo é breu com um solo muito bem sacado, a dinâmica de “Flames of Merciless Gods” com algum groove e momentos mais mid-tempo ou o solo em “Sovereign Nation” a transpirar a old-school (parece que só falta ali o pedal HM-2) por todos os poros fazem deste um disco de pormenores, que se descobre à medida que as audições se sucedem.

E eis que chegamos a “Occult Den of Snakes”… Maior surpresa não se poderia esperar. Depois do turbilhão, o remate final quase melo-death e o fade-out a deixar-nos a coçar a cabeça… Foi uma brincadeira a testar a malta ou uma janela que se abriu? É que o tema é bom, mesmo bom – arriscaríamos a dizer que é o melhor do álbum -, e se o intuito era o de deixar as hostes de cara-à-banda, chegaram lá!

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