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HIM “Greatest Lovesongs Vol. 666”: o nascimento das novas superestrelas do metal gótico

Poucos conheciam os impulsionadores do gótico finlandês, HIM, quando estes lançaram o álbum de estreia “Greatest Lovesongs Vol. 666”. Isso estava prestes a mudar…

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Poucos conheciam os impulsionadores do gótico finlandês, HIM, quando estes lançaram o álbum de estreia “Greatest Lovesongs Vol. 666”. Isso estava prestes a mudar…

“Wicked Game”, o sucesso de Chris Isaak presente no seu terceiro álbum “Heart-Shaped World”, cresceu de cult a crossover depois de fazer parte do filme de David Lynch, “Wild At Heart”, de 1990. Os HIM gravaram a música para a primeira demo, o que levou ao seu aparecimento no primeiro EP “666 Ways To Love: Prologue”, regravando-a para álbum de estreia e novamente para as versões do Reino Unido e dos EUA de “Razorblade Romance”. A balada clássica de amor não correspondido teve um papel importante para fazer com que a banda fosse notada, primeiro na sua terra natal e depois internacionalmente.

Ville Valo disse que requisitou o álbum da banda-sonora de “Wild At Heart” em vinil na biblioteca e depois fez sua parte a matar a música gravando-o para cassete em casa. Com o guitarrista Mikko “Linde” Lindström, tentou aprender a música com a gravação em cassete: «Aprendêmo-la de forma um pouco errada. Não ouvíamos muito bem as partes da guitarra por causa da fita de má qualidade. Também ouvi a letra erradamente, por isso houve alguns erros engraçados.»

No entanto, algo sobre a força subtil da música e o romance tenso encaixava-se bem nos objectivos, intenções e aspirações iniciais da banda. Sim, substituíram a leveza por guitarras pesadas e, até certo ponto, a pungência por poder, mas também ampliaram os elementos anteriormente ocultos de luxúria e desejo. Serviu para demonstrar a essência dos HIM, uma banda que passou a mostrar que podes cantar sobre o amor sem te limitares a corações, flores e coelhinhos, podendo fazer-se isso com força, escuridão e níveis atraentes de ambiguidade.

O barítono Valo trabalhava na sex shop do pai na adolescência enquanto se deleitava com a música de cantores locais, bem como de Elvis, Neil Young e outros nomes predominantes e mais sombrios, como The Sisters of Mercy, Fields of the Nephilim, Black Sabbath, Iron Maiden, Kiss e Depeche Mode. O colega de escola, Linde, nascido no mesmo ano, era introvertido, tendo a sua primeira guitarra aos dez anos. Com o baixista Mikko “Migé” Paananen, formaram His Infernal Majesty em 1991. Era um risco cantar em inglês, mas aquelas primeiras demos e o EP revelaram um grupo com um potencial quase alarmante. Depois, para a estreia, o som foi aumentado pelo teclista Antto Melasniemi e o baterista Pätkä.

“Greatest Lovesongs: Vol. 666” – se é para se escolher um título, então que seja em grande – emergiu a 3 de Novembro de 1997 (na Finlândia). Ninguém tinha reparado no impacto e sucesso comercial a chegar. Platina na Finlândia (onde alcançou a quarta posição) e também chegou ao Top 50 alemão. Quando lançado nos Estados Unidos em 2005, alcançou o Top 30 na tabela Top Heatseekers da Billboard. Inevitavelmente, dada a predileção de Valo por imagens taciturnas e repletas de enxofre, foi descrito como rock gótico ou metal gótico, embora ele sempre tenha enfatizado que quaisquer referências a Satanás são simbólicas em relação ao lado mais sombrio do amor. Ville foi filosófico: «Não podemos fazer nada quanto a isso [rótulo], mas acho que somos um tom especial de gótico, mais terno do que os outros. Na tradição finlandesa, a nossa música é muito melancólica.»

Em vários aspectos, este continua a ser o álbum mais pesado dos HIM, embora os seus riffs se fundam com o lado mais meditativo do gótico britânico. O som da banda (com guitarras distorcidas e em down-tuned) desfruta dessas atmosferas: doomy ainda que invicto, às vezes sombrio, mas sempre infatigável. E com traços de glam (com pitadas de androginia vampírica) e o sussurro carismático de Valo, exibiram uma presença inestimável e elegância.

Com Asta Hannula a oferecer as vozes femininas na introdução de “For You”, essa dualidade foi estabelecida antes dos HIM exibirem o seu dinamismo crunchy nas viagens emocionantes de “Your Sweet Six Six Six”, “The Heartless” e “Our Diabolikal Rapture”. As inclinações poéticas de Valo vieram ainda mais à tona em “It’s All Tears (Drown in this Love)” e nos seis minutos de “When Love and Death Embrace”. A banda lembrou-se de outra demo: a sua versão de seis minutos e meio do clássico proto-gótico dos Blue Öyster Cult, “(Don’t Fear) The Reaper”. Como “Wicked Game”, esta não foi uma cover preguiçosa, levando a música a novos padrões com um empurrão emocional a sério. A voz de Sanna-June Hyde adiciona calor.

Numa reviravolta enlouquecida e fascinante, o álbum inclui faixas ocultas dos números 10 ao 66, que preenchem 666 megabytes, mas são silenciosas. A faixa 66, que nos dá o final da versão de “The Heartless” do EP “666 Ways To Love”, faz com que a duração oficial do álbum seja 66 minutos e seis segundos. Arte conceptual ou uma isca pretensiosa para Belzebu, isto fez as pessoas falarem.

Quatro faixas emergiram como singles ao longo de um período de 18 meses: “When Love and Death Embrace”, “Your Sweet Six Six Six”, “Wicked Game” e “It’s All Tears (Drown in this Love)”. Combinando a bravata de uma estreia com diversidade sábia e inteligente, a estreia dos HIM abriu portas e acendeu o pavio.

Game on.

Consultar artigo original em inglês.

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