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Hexvessel “Kindred”

“Kindred” é um álbum estranho e de difícil catalogação que veio diversificar o repertório dos Hexvessel para além das raízes folk medievais e inscrever o seu nome ao lado de projectos seminais da dark folk mais esotérica.

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Editora: Svart Records
Data de lançamento: 17.04.2020
Género: dark folk / rock
Nota: 4/5

“Kindred” é um álbum estranho e de difícil catalogação que veio diversificar o repertório dos Hexvessel para além das raízes folk medievais e inscrever o seu nome ao lado de projectos seminais da dark folk mais esotérica.

Mat McNerney, o artista anteriormente conhecido como Kvhost, apresenta “Kindred”, o quinto álbum do seu projecto do coração – Hexvessel. Depois dos Code e Dødheimsgard na cena black metal norueguesa ou nos mais recentes Beastmilk, re-baptizados como Grave Pleasures, Mat parece apostar tudo em Hexvessel, projecto de dark folk que lidera com a esposa finlandesa Marja Kontinnen desde que lançaram “Dawnbearer” em 2011. O guitarrista, cantor e compositor de origem inglesa e irlandesa, que há uns anos trocou a Grã-Bretanha pelos países escandinavos, aparenta estar a atravessar um bom momento de forma: editou o álbum “All Tree” em 2019, no mês passado assistimos à sua colaboração com Nergal no tema “Burning Churches” de Me And That Man e agora é a vez de “Kindred”. Este novo álbum reúne dez temas influenciados quer pelo rock progressivo, quer pelo revivalismo da folk dos anos 1970 em Inglaterra ou de algum psicadelismo hippie dos anos 1960 norte-americanos. Os Hexvessel são um quinteto que inclui Mathew Kvohst McNerney (voz e guitarra), Kimmo Helén (piano, teclados, viola, violino, trompete e coros), Jukka Rämänen (bateria, percussão, baixo), Jesse Heikkinen (guitarras e coros) e Ville Hakonen (baixo).

“Kindred” começa de forma enérgica com o épico “Billion Year Old Being”, um tema com cerca de sete minutos que tanto vai beber aos King Crimson como aos Van der Graaf Generator, exemplarmente orquestrado com arranjos luxuosos e a presença de órgão e violinos, e uma guitarrada hendrixiana lá pelo meio. Segue-se ”Demian” dominado pela teatralidade da vocalização e por uma batida tribal numa ambiência southern-gothic que por vezes remete para os Woven Hand de David Eugene Edwards, uma tendência que se repete noutros momentos adiante.

Mat McNerney atira-se de seguida à revisão de “Fire of the Mind”, um tema dos Coil que os Hexvessel souberam interpretar e reinventar com muita personalidade. “Bog Bodies” divaga entre atmosferas das bandas sonoras da cinematografia de David Lynch com um trompete à Miles Davis na era “Sketches of Spain”.

A partir do meio do álbum, com o macabro interlúdio “Sic Luceat Lux”, este registo evolui para uma vertente mais acústica e poética onde muito se faz sentir a influência de Nick Cave, como é o caso de “Phaedra”, o tema que se segue e desfila sob um ritmo tribal e ritualista, mas que falha pela incapacidade de nos envolver na atmosfera que pretende criar, o que é comum a alguns dos outros temas. “Family” é o curto interlúdio apenas com guitarra acústica que antecede “Kindred Moon”, uma valsa esquizoide comandada pela melodia dum piano e uma vocalização que invoca Brendan Perry dos Dead Can Dance. “Magical And Damned” é dominada por uma melodia ao piano muito perfeita acompanhada por violinos, numa cadência rítmica muito ao jeito de Nick Cave da era “Abattoir Blues”. A finalizar, “Joy of Sacrifice” entoa uma nova balada desenhada com a sobreposição de guitarras acústicas e a admiração pela folk descarnada da tal folk britânica dos anos 1970, em que brilharam Fairport Convention, Steeleye Span ou Jethro Tull.

“Kindred” é um álbum estranho e de difícil catalogação que veio diversificar o repertório dos Hexvessel para além das raízes folk medievais e inscrever o seu nome ao lado de projectos seminais da dark folk mais esotérica, como Coil, Sol Invictus, Current 93 ou Death In June.

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