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Hate: «Acredito que criamos um canal de energias que nos ultrapassa»

O mentor dos Hate sobre o novo álbum “Rugia”: o inesperado sónico, o misticismo eslavo e os problemas em estúdio.

Foto: Daniel Rusilowicz

«A maioria das músicas neste álbum são death metal pagão – uma combinação entre riffs épicos e ritmos explosivos.»

Veteranos e uma das bandas que mais exporta a excelência do metal extremo polaco, os Hate têm em “Rugia” o seu 12º álbum, com que mais uma vez emanam um poder inabalável e um sentido de atmosfera único. «Para mim era claro que [o novo disco] devia continuar e evoluir a partir do “Auric Gates of Veles” (2019), tanto musical como liricamente», diz o vocalista/guitarrista ATF Sinner através da Metal Blade Records. «Contudo, cada álbum de Hate representa uma jornada separada e nunca ficamos no mesmo lugar. Nunca sabes exactamente onde te levará.»

O processo de composição de “Rugia” começou cedo, logo após o lançamento de “Auric Gates of Veles”, mas teve de ser abrandado porque a banda iniciara rapidamente a promoção na estrada desse intento de 2019. Contudo, em 2020 o planeta foi assolado pela covid-19 e os planos de digressão com Belphegor e Suffocation foram pelo cano abaixo. Com uma inesperada infusão de tempo livre, os polacos decidiram retomar o trabalho e prosseguiram o refinamento e finalização do que agora conhecemos como “Rugia”. Com Domin na guitarra, Tiernes no baixo e Nar-Sil (que substitui Pavulon) na bateria, Sinner recorda: «Embora tenha escrito riffs, arranjos principais e letras, todos trabalhámos naquilo que se ouve em “Rugia”. Juntámos as peças e rearranjámos os fragmentos como equipa. Os nossos álbuns são sempre um esforço colectivo e com “Rugia” não foi diferente.»

Com uma carreira iniciada em 1991, por mais que se apresentem musicalmente contemporâneos, os Hate continuam a inspirar-se no metal extremo dos 1990s e pretendem manter o seu som o mais orgânico possível. «Soa bastante áspero, muito dinâmico e sem restrições», assegura Sinner sobre “Rugia”. «Também há um forte elemento de ambient que enfatiza a atmosfera negra do material. Desta vez, a secção de ritmo é mais influenciada no death metal, o que se pode ouvir nas nossas raízes. Podes dizer que a maioria das músicas neste álbum são death metal pagão – uma combinação entre riffs épicos e ritmos explosivos.»

Acto contínuo em relação à observação de Sinner, o título do álbum vem do nome arcaico para Rügen, uma ilha alemã situada no Mar Báltico. Em tempos antigos, Rügen (ou Rugia) fora um local sagrado e alvo de peregrinação para os povos eslavos do ocidente, sendo o coração da fé eslava por albergar o reduto conhecido como Arkona. No seu cerne, este novo disco de Hate é uma homenagem a Rügen, às suas tribos e cultura, continuando-se a examinar as profundezas do misticismo eslavo: grandes migrações, guerras, batalhas e luta pela sobrevivência. Por outro lado, há também um nível filosófico que é muito importante em “Rugia”, como Sinner salienta: «A mitologia eslava é uma colecção de histórias universais que tocam em assuntos fundamentais que também são encontrados nas nossas vidas. Assim, é um enquadramento que me permite escrever sobre problemas actuais através de perspectivas diferentes. Ao longo do caminho, descobri a minha alma pagã e encorajo as pessoas a fazerem o mesmo. Acho que toda a gente tem uma identidade mais profunda que é baseada no entendimento da nossa unidade com a natureza, algo que vai para além de todas as civilizações que construímos.»

«Descobri a minha alma pagã e encorajo as pessoas a fazerem o mesmo.»

Para a concretização final de “Rugia”, os Hate elegeram novamente o Hertz Recording Studio (Polónia), com gravação, mistura e masterização supervisionadas pelos irmãos Wiesłaski (Behemoth, Decapitated). Tudo elaborado durante perto de três semanas, a banda acabou por encontrar algumas dificuldades no estágio da mistura, altura em que o carácter final de “Rugia” tinha de emergir. «Deparámo-nos com vários problemas e visões contraditórias também», revela Sinner. «Os produtores tinham a sua ideia própria do som geral, o que diferia daquilo que tinha em mente, portanto tentámos encontrar um bom compromisso e isso demorou alguns meses.»

Por fim, com “Rugia”, os Hate celebram também três décadas de existência, com Sinner a afirmar que está mais focado do que nunca. «Bem, a chama ainda arde! Estou orgulhoso por ter construído uma banda com tamanha energia, que já dura há muito tempo, apesar das inúmeras mudanças de formação e dos obstáculos ao longo do caminho. Ainda cá estamos e criamos com consciência e dedicação sempre em crescimento. A energia fala através de nós. Honestamente, penso na banda como algo muito maior e mais profundo do que as pessoas individuais envolvidas nela nalgum período em particular. Acredito que criamos um canal de energias que nos ultrapassa.»

“Rugia” tem data de lançamento a 15 de Outubro de 2021 pela Metal Blade Records.

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