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Harridan: caos primordial

Black metal, caos primordial e ocultismo.

Origem: Polónia
Género: black metal
Último lançamento: “Return God of the Dark “(EP, 2021)
Editora: independente
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A recuperar material do final dos 1990s, Harridan promete o primeiro álbum para breve. Entretanto, mergulhemos no seu black metal inspirado no caos e no ocultismo.

«Tudo roça a fronteira entre a insanidade total e a loucura – ou seja, liberdade total sem limites.»

EP: «”Return God of the Dark” foi gravado e misturado para a temporada de Shub-Niggurath. Contém quatro peças musicais do período entre 1997 e 1999. É material muito antigo, os meus primeiros hinos na guitarra. No entanto, é o único desse período, já que a maior parte de 1998-1999 será apresentada no primeiro álbum. O EP é uma introdução ao caminho que Harridan tomou para se mover em clima e estilo musical. Não posso dizer honesta e abertamente que é black metal, mas posso definitivamente dizer que a minha música é demon metal. Tanto lírica como musicalmente, refere-se às práticas de demonismo, caos primordial e adoração dos Great Ancients – Azathoth, Cthulhu, Hastur, Shub-Niggurath, Nyarlathotep, Yog-Sothoth. E eu não tenho nada a ver com Lovecraft e a sua fantasia – quem quer que conheça o assunto sabe quão profundo e longe esses cultos acontecem aqui na Terra. Não pratico rituais semíticos baseados na magia da luz. Em “Return God of the Dark” há trechos invertidos do Ritual Romano, comummente conhecido para exorcismos de almas possuídas. Adquiri esse ritual no latim original, processei o texto, inverti o seu significado e executei-o enquanto gravava tudo. Terão a honra de ouvir alguns fragmentos deste exorcismo no EP, em que se constrói maravilhosamente toda a atmosfera da música. Para além disso, inseri uma versão empobrecida do exorcismo com o Necronomicon da versão de Saimon, que não é uma receita fiel da magia de Helden mas encaixa-se no conceito desta gravação. A expressão musical é subjugada em vozes endoidecidas e riffs retorcidos que ficam na cabeça durante muito tempo. Tudo roça a fronteira entre a insanidade total e a loucura – ou seja, liberdade total sem limites. A música não é complexa e permanece em powerchords tradicionais. São soluções básicas do metal antigo, porque estou saturado com a velha-guarda até ao tutano. Essas influências permaneceram. Isto é Harridan.»

Conceito: «A mensagem principal de Harridan é o caos primordial. Esta é a minha expressão musical no caminho do espiritismo demoníaco que tomei há décadas. Não importa que reverência sejas, com que religião ou ideologia te identifiques. Se gostas da minha música, fico muito feliz, mas nenhuma palavra de elogio ou insulto ao meu trabalho terá qualquer significado. Não sou daqueles artistas hipócritas que vivem na ilusão das mentiras dos seus fãs. O conceito geral do EP refere-se ao Salmo VI de Nyarlathotep.»

Sonoridade e referências: «Tudo o que ouço no dia-a-dia soa completamente diferente do que gravei. Tenho um som de guitarra tipicamente feito por mim, sem seguir o exemplo de um artista raro. Uma guitarra passa por um pedal V-Twin da MESA e outro da TC Electronic para um amplificador Marshall JSM800 e soa como um velho violino distorcido com um bom toque de veneno. A segunda guitarra passa pelo Kemper (Peavey JSX) e pelo Marshall JCM800. É este o som da minha guitarra nesta gravação.
Quanto às referências musicais, deixo que compararem com o que quiserem. Tenho o meu próprio estilo de tocar guitarra desenvolvido ao longo dos anos, nunca segui o exemplo de ninguém quando se trata de tocar um instrumento. Tenho álbuns favoritos que escuto, mas dificilmente toco versões. Assim que me sento com a guitarra, ela flui suavemente com sons que passam por mim até que encontro um bom riff com o qual posso fazer algo mais tarde. Tudo tem de vir do transe que crio, senão não aceito.»

Review: Projecto inspirado por demónios e caos primordial, a crueza de Harridan une-se a momentos épicos e cerimoniais protagonizados por riffs melódicos que não descartam por completo a frieza e rudeza de um black metal que respira underground. Conceptualmente, ao lado do ocultismo, encontram-se ainda referências ao Inverno e a HP Lovecraft. Portanto, em poucas palavras, estamos perante uma bela dose de elementos necessários para se criar um excelente ambiente black metal.

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