A maturidade trouxe segurança e formas definitivas ao trabalho dos Hanging Garden. Hanging Garden “Skeleton Lake”

Editora: Lifeforce Records
Data de lançamento: 21.05.2021
Género: doom metal
Nota: 4/5

A maturidade trouxe segurança e formas definitivas ao trabalho dos Hanging Garden.

As vastas e belas florestas, os longos, escuros e austeros invernos – a Finlândia parece inspirar tanto a introspecção como a melancolia, sendo este último o principal nutriente da criatividade de dezenas de bandas e projectos musicais que de lá saem. Swallow the Sun e Insomnium na linha de frente dos que forjaram êxitos nas suas jornadas, seguidos, ainda que de forma tímida, mas crescente por Marianas Rest, Red Moon Architect e Hanging Garden.

Somando 17 anos de actividade e notáveis como um dos nomes mais prolíferos surgidos nos últimos tempos, os Hanging Garden oferecem neste 2021 o seu sétimo longa-duração, quinto sob a tutela da Lifeforce Records e o primeiro após a efetivação da vocalista Riikka Hatakka – o singelo e texturizado “Skeleton Lake”.

Permeado por nove temas fluidos e autênticos, o álbum revela-se cuidadosamente pensado e construído, ostentando maturidade pelos mais diversos aspectos: nos arranjos certeiros e competentes, na qualidade e intensidade das atmosferas que o envolvem, nas estruturas sóbrias e sem vagas para prolixidade musical e na dose ideal de emotividade, mantendo assim o tradicional apelo sentimental, mas não o tornando soporífero. É conciso e potente, hipnótico e ameaçador por vezes. O enquadramento é subtil e exacto, o equilíbrio entre os efeitos e as tramas também.

Os temas apresentam-se distintos e equilibrados, mas, ao mesmo tempo, ecoam características em comum, seja no expressivo peso que de forma alguma se torna uma agressão, no uso inteligente dos teclados e recursos acústicos ou nas melodias delicadas e simétricas que vão surgindo aqui e acolá, preenchendo e criando subtilezas como na pílula poética “When the Music Dies” ou na emocionalmente épica faixa-título. De todo modo, beleza é uma palavra que flui com naturalidade por todo registo.

“Skeleton Lake” não possui orações ou exageros, aposta na intimidade dos temas e preocupa-se com a honestidade dos sentimentos que afloram dos mesmos – “Kuura”, “Faith” e “Nowhere Heaven” são provas dessa preocupação. Quanto à última citada, tente-se conceber um híbrido de Sentenced e Swallow the Sun. “Winter’s Kiss” e “Field of Reeds” fortificam o carácter e as ambições do registo.

A maturidade trouxe segurança e formas definitivas ao trabalho dos Hanging Garden – o que antes era uma unidade composta por bons e óptimos momentos tornou-se agora uma obra plena que sobrevive por conta própria. É bem possível que a banda mude de núcleo a partir deste lançamento, e que saia da posição de coadjuvante para assumir o papel de protagonista. Mais uma comprovação da beleza musical que brota na Terra dos Mil Lagos.