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Haken “Virus”

“Virus” é uma referência para o metal progressivo.

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Editora: InsideOut Music
Data de lançamento: 19.06.2020
Género: prog metal
Nota: 4.5/5

“Virus” é uma referência para o metal progressivo.

Não há muitos anos, os Haken eram vistos como os novos representantes do metal progressivo contemporâneo, sendo uma expectativa crescente um novo lançamento de estúdio, sobretudo para perceber se o grupo inglês mantinha o nível dos primeiros lançamentos. A verdade é que, para além de o sexteto ser extremamente inteligente, conseguiu manter uma qualidade invejável com álbuns conceptuais e riquíssimos em arranjos instrumentais muito complexos.

Ao final de 13 anos, desde a fundação, os Haken lançam agora um pesado e crucial “Virus”, que, coincidentemente, foi relacionado à pandemia da COVID-19. Teorias da conspiração à parte, este sexto trabalho foi escrito e composto há cerca de dois anos durante as sessões de “Vector”, que é realmente o vector de ligação com o conceito deste “Virus”. Agora, que os britânicos estão cada vez mais originais e inovadores, baseiam-se fortemente no seu passado para criar um conteúdo impressionante e intrigante. “The Mountain” e “Vector” são fundamentais para a composição deste disco lançado antes do previsto. Para além de uma pequena mudança estrutural, com uma faixa de abertura que é mesmo uma música, “Virus” acaba por criar uma história que se centra, fundamentalmente, na depressão, tortura, exploração humana e abuso mental e físico.

Álbum totalmente conceptual, contém em si uma igual componente nas faixas “Messiah Complex” – um estudo sobre o famoso “Cockroach King” criado pela banda em 2013, presente no formidável “The Mountain”. Numa observação mais atenta, “Virus” contém várias componentes conceptuais inerentes ao sexto trabalho: a história de “Messiah Complex” e a ligação ao álbum “Vector”, de 2018. “Prosthetic” e “Invasion” invadem os tímpanos dos ouvintes de forma cavalgante e pungente, com um heavy metal progressivo bastante definido e polido; “The Strain” oferece uma visão bem mais lenta, mas mais pesada, numa faixa que poderá ser das melhores dos últimos cinco anos desta banda; “The Carousel” é um épico dentro do épico, variando imensamente entre o melódico, o pesado, o progressivo e o conceptual com grande destaque para as guitarras de Richard Henshall e Charlie Griffiths, sem desprimor para o baixo e a bateria.

Não mencionar Ross Jennings foi propositado, pois o objectivo foi deixá-lo para o final. Jennings já demonstrou ser a face de uma das bandas mais talentosas de sempre, sendo a guardiã do metal progressivo com forte inspiração clássica e nos grandes criadores do mesmo. “Canary Yellow” acaba por ser um desafio para Jennings e, apesar de uma excelente performance nas anteriores, nesta faixa, o desempenho rebenta a escala, preparando o ouvinte para a épica das épicas “Messiah Complex”. Com tanto por dizer, este momento ocupa o destaque no álbum, estando dividido em cinco partes, variando entre o melódico e o heavy, o emotivo e o enfurecedor, o chocante e o básico, o artístico e o inovador. Nada neste “Messiah Complex” fica por demonstrar, resumindo um pouco a carreira dos Haken em 17 minutos.

Com “Only Stars”, os Haken tornam-se introspectivos ao pensarem sobre o estado das coisas, sendo quase um final para a tortura e o abuso humano sobre o qual os britânicos tanto e tão bem reflectiram num dos melhores trabalhos da sua carreira.

“Virus” é uma referência para o metal progressivo. Pode não ser o melhor álbum dos Haken, mas é decerto um dos grandes destaques da banda e do género.

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