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Gus G.: salto de fé por um escape criativo

O confinamento levou Gus G. a fazer um álbum a solo que não estava nos planos. O guitarrista conta como tudo se desenrolou.

Foto: Gustavo Sazes

«Sou guitarrista e não aguento a maioria dos álbuns instrumentais.»

Gus G., como um dos guitarristas mais celebrados das últimas duas décadas, começou a construir o seu nome com Firewind, projecto inicialmente a solo que fundou em 1998. As suas habilidades começaram a dar nas vistas e acabou por gravar ou andar em digressão com Ozzy Osbourne, Arch Enemy, Nightrage, Mystic Prophecy e Dream Evil. Pelo meio lançou álbuns totalmente a solo e fecha 2021 com “Quantum Leap”, que inclui 11 faixas que não só mostram o seu estilo como ainda leva os fãs a novos territórios.

Como tantos outros artistas, Gus G. projectou “Quantum Leap” durante a pandemia que não lhe permitiu promover devidamente o álbum homónimo de Firewind lançado em 2020. Imobilizado pelas medidas de confinamento, o grego começou a compilar ideias para se manter ocupado e o próximo passo tornara-se assim evidente: compor um álbum e lançá-lo.

«Não fiz o “Quantum Leap” com a intenção de ser o seguinte no ciclo de álbuns a solo», admite Gus através da AFM Records. «Foi mais numa de: ‘O que há mais?’ Precisava de um escape criativo.»

Gus concorda com o facto de que alguém que faz um álbum instrumental tem de, primariamente, fazê-lo para si, pois o heavy metal pode muitas vezes ser um mercado de nicho e lançar um disco instrumental torna tudo ainda mais pequeno. Contudo, os mais de 20 anos de carreira ensinaram-lhe os processos da indústria e como o mercado evolui ao ponto de este tipo de álbuns ser cada vez mais aceite em comparação à época em que começou.

«Como artista nos dias de hoje, podes fazer o que te apetecer e haverá público para isso. Música instrumental pode não vender muito, mas as pessoas podem ouvir de tudo e não há limites para aquilo que posso fazer. Há uma faixa que é um bocado synth-wave (“Night Driver”), há uma balada bluesy (“Enigma of Life”), há uma faixa com elementos mais prog (“Into the Unknown”) e algum power metal (“Demon Stomp”, “Judgement Day”), portanto está tudo sob a guarda-chuva do hard rock / heavy metal, mas quis ter alguma variedade. Não soa como se tivesse composto dez riffs diferentes no Mi mais baixo e pusesse uma carrada de solos por cima. E não há desculpas para dizerem ‘gosto da música mas detesto aquele tipo de vozes…’ porque não há vozes. [risos]»

Conforme Gus salientou, cada faixa possui ideias sólidas e únicas, com a sua guitarra a funcionar como voz. A esse respeito, compor “Quantum Leap” resultou num desafio porque, apesar de ser primeiramente um guitarrista, Gus está habituado a uma certa fórmula que utiliza vozes. Acabou por se encontrar a si próprio a tocar a mesma coisa vezes sem conta por causa da falta de vocais, mas ultrapassou o problema, conforme recorda: «Por exemplo, quando compus a [faixa] “Exosphere”, havia muita coisa a acontecer nela mas não me dizia nada. Precisei mesmo que a guitarra tivesse uma abordagem vocal. Sabia que só manter a parte técnica não iria ser muito agradável. Portanto, tocar não é só sobre técnica, e quando descobri a fórmula foi muito mais fácil criar melodias para o disco.»

«Sou guitarrista e não aguento a maioria dos álbuns instrumentais», admite como remate. «Os clássicos são clássicos, mas raramente gosto deles porque após a terceira faixa parece um solo de guitarra sem fim onde tudo soa ao mesmo. Era algo que queria evitar em “Quantum Leap” e acho que fui bem sucedido nisso.»

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“Quantum Leap” tem data de lançamento a 8 de Outubro de 2021 pela AFM Records.
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