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Green Carnation “Leaves of Yesteryear”

Os Green Carnation apresentam-se através dum punhado de temas que confirmam a sua experiência e maturidade na fusão de elementos do rock progressivo com os géneros que definem o metal moderno.

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Editora: Season Of Mist
Data de lançamento: 08.05.2020
Género: gothic/prog metal/rock
Nota: 4/5

Os Green Carnation apresentam-se através dum punhado de temas que confirmam a sua experiência e maturidade na fusão de elementos do rock progressivo com os géneros que definem o metal moderno.

“Leaves of Yesteryear” assinala o trigésimo aniversário dos Green Carnation e o regresso tão surpreendente quanto aguardado desta banda de culto do metal progressivo. Após um hiato de 14 anos, o projecto norueguês apresenta um novo álbum com a duração de 40 minutos e características muito peculiares: é composto por apenas cinco temas, dos quais “My Dark Reflections of Life And Death” é uma regravação do tema anteriormente apresentado no álbum de estreia “A Journey To The End Of Night” (2000), e “Solitude” é uma versão de uma das faixas incluídas em “Master of Reality” dos Black Sabbath. O tema-título, que foi single de apresentação servido num videoclipe com o magnífico trabalho de animação de Costin Chioreanu, “Sentinels” e “Hounds” são efectivamente os únicos inéditos que os Green Carnation têm para oferecer desde 2006, momento em que editaram o anterior “The Acoustic Verses”.

Ao longo de todos estes anos, o percurso dos Green Carnation ficou marcado por uma grande intermitência, por sucessivas alterações de line-up e por uma evolução marcada por diversas opções estéticas, que incluem death metal, doom, folk, metal gótico e hard rock, e que agora se torna a encaixar numa vertente mais característica do metal progressivo. A banda conta hoje no seu núcleo duro com o líder Terje Vik Schei (Tchort) na guitarra (único elemento da formação original) e Kjetil Nordhus (vocalista). A restante formação é composta por Bjørn Harstad (guitarra), Stein Roger Sordal (baixo), Kenneth Silden (teclas) e Jonathan Alejandro Perez (bateria).

A inaugural faixa-título é uma viagem melodiosa ao sabor das teclas que se passeiam por entre a secção rítmica e as guitarras que a acompanham num registo de metal gótico, ou doom, com uma vocalização limpa e alguns coros ou efeitos vocais a darem intensidade aos momentos mais carregados. Um tema com refrão forte e muito construído sobre os instrumentais orelhudos gerados pelos teclados capazes de enveredar por caminhos fantasiosos a lembrar uns Marillion, encaixando-se aqui uma belíssima parte de trompete digna de destaque. “Sentinels” e “Hounds”, sobretudo, outros dos inéditos presentes no álbum, são temas igualmente directos que denotam a facilidade e a agilidade com que os músicos se movimentam entre os momentos mais enérgicos e outros mais melancólicos ou atmosféricos, sem nunca se perder dinamismo e uma forte componente melódica. Já a intervenção dos Green Carnation num tema como “Solitude” (Black Sabbath) fica a perder para o original ao acrescentar-lhe uma produção mais limpa e moderna num registo quase semi-acústico, o que lhe retira alguma daquela aura mais obscura. O mesmo não acontece com a revisão e regravação de “My Dark Reflections of Life And Death”, em que a produção melhora substancialmente a força e a intensidade do tema no momento mais dramático do álbum – assombroso e envolvente. Aqui há também que referir outra das diferenças relativamente ao original: a ausência da soprano Vibeke Stene, de Tristania, uma das bandas do vocalista Kjetil Nordhus, sendo talvez o elo mais fraco neste ensemble reunido para a gravação de “Leaves of Yesteryear”.

“Leaves of Yesteryear” pode muito bem funcionar para os mais inexperientes ou menos informados como uma introdução a um dos segredos mais bem-guardados do metal progressivo. Já para os que acompanham o percurso dos Green Carnation desde a fase inicial com “A Journey To The End of Night” (2000) ou o histórico “Light of Day, Day of Darkness” (2001), este novo registo traduz a forma que o projecto encontrou para passar em retrospectiva os seus últimos trinta anos. Ao invés do estafado formato best-of, os Green Carnation decidiram fazê-lo através dum punhado de temas que confirmam a sua experiência e maturidade na fusão de elementos do rock progressivo com os géneros que definem o metal moderno.

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