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God Is An Astronaut “Ghost Tapes #10”

Ao contrário de antigas atmosferas que providenciam um estado introspectivo, meditativo e transcendental, com “Ghost Tapes #10”, os God Is An Astronaut preferem ir à descoberta de outros sentidos através de intensidade e movimento.

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Editora: Napalm Records
Data de lançamento: 12.02.2021
Género: post-rock
Nota: 3/5

Ao contrário de antigas atmosferas que providenciam um estado introspectivo, meditativo e transcendental, com “Ghost Tapes #10”, os God Is An Astronaut preferem ir à descoberta de outros sentidos através de intensidade e movimento.

Um dos grupos mais reconhecidos da cena post-rock, os God Is An Astronaut (um dos melhores nomes de sempre, diga-se) estão prestes a celebrar 20 anos de existência, o que lhes dá estatuto de pioneiros se olharmos para o percurso do género, e chegam ao décimo álbum com o adequado título “Ghost Tapes #10”.

Conhecidos pelas suas paisagens sonoras experimentais e envolventes, sempre com uma emoção etérea tão própria, os irlandeses exploram agora uma abordagem radicalmente diferente em relação a álbuns anteriores. Ao contrário de antigas atmosferas que providenciam um estado introspectivo, meditativo e transcendental, com “Ghost Tapes #10” preferem ir à descoberta de outros sentidos através de intensidade e movimento. Muito mais rock agora neste 2021, as músicas novas são conduzidas pelo ritmo de uma bateria que tanto soa frenética com certa simplicidade como complexa, com polirritmos inteligentes que vão do jazz ao prog, mas também pelas ruidosas e crocantes guitarras que se erguem em várias camadas e harmonias que, distintas ao ouvido, confluem no resultado final que trata de unidade e, voltando a usar o termo supramencionado, movimento.

Claro que continuamos a ouvir momentos mais melancólicos, suaves e de antecipação, mas a luminosidade do pensamento sonhador (que singra neste género) e da sensação auditiva é neste álbum transformada em riffs ásperos, com uma distorção que rasga mais do que cura. Por outras palavras, a transcendência espiritual que tantas vezes buscamos no post-rock não é a expectável, mas, ainda assim, com a dureza inerente a “Ghost Taps #10”, podemos ser hipnotizados – possivelmente uma expressão forte demais para o caso – pelos riffs repetitivos e pela percussão em modo mantra.

Posto isto, tudo dependerá do teu estado de espírito e da abertura que tens para ouvir um novo disco de God Is An Astronaut que, em certa medida, difere do que ouvimos mais recentemente com, por exemplo, “Epitpah” (2018). Em particular, “Ghost Tapes #10” é indicado para fãs de Pelican e da fase mais directa de Russian Circles.

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