#Guitarrista

Reviews

God Dethroned “Illuminati”

“Illuminati” é possivelmente o disco mais melódico de God Dethroned e surge com uma veia experimental e fora-da-caixa que talvez não prevíssemos de caras.

Editora: Metal Blade Records
Data de lançamento: 07.02.2020
Género: melodic death metal
Nota: 4/5

Terminada que está a trilogia da Primeira Guerra Mundial, os God Dethroned regressam a temáticas antigas antirreligiosas e satânicas, mas o novo álbum destes veteranos é mais do que isso a nível conceptual: “Illuminati” mete-se também pelos escondidos salões da maçonaria e pelo enviesamento de teorias da conspiração.

Sonicamente, a nova proposta discográfica dos holandeses soa, claro está, a God Dethroned, mas com novos artefactos que tornam a experiência auditiva em algo ainda mais efervescente do que pode ser esperado.

Ainda que o tema-título e “Broken Halo” sejam composições mais típicas de God Dethroned se recordarmos os anos 1990 da banda com aquela toada desenfreada, destrutiva e raivosa, a verdade é que uma tendência experimental começa a sentir-se com os coros da primeira e os leads quase orquestrais da segunda. Acto contínuo, a primeira grande prova de que os holandeses estão com sede de fazer coisas novas acontece na terceira “Book Of Lies”, com um death metal melódico de cariz épico que nos vai fazer rodar a cabeleira (quem a tiver) de forma consistente e com os riffs das estrofes a fazerem lembrar “The Toxic Touch” (2006). Já “Spirit of Beelzebub” leva-nos momentaneamente às sonoridades afiadas de “Into the Lungs of Hell” (2003) ou “The Lair of the White Worm” (2004), mas por pouco tempo porque somos brindados com mais coros e surpreendentes arranjos orquestrais se tivermos em conta que estamos a analisar uma banda ortodoxa como God Dethroned.

A noção melódica neste disco é enorme, por isso, “Satan Spawn”, sem podermos omitir as suas malhas thrashy, exibe um curto mas orelhudo refrão, e a seguinte “Gabriel” coloca o death metal dos God Dethroned em terrenos celestiais épicos, uma vez que é retratada uma guerra no Paraíso inspirada no filme “The Prophecy” (1995), muito à custa de uma bateria certinha a passo médio em união com um lead de guitarra simples mas catchy. Daí partimos para o Egipto com “Eye of Horus”, uma composição igualmente melódica mas neste caso através de um método mais melancólico em que se podem ouvir coros robustos como, por exemplo, os Rotting Christ nos têm habituado. “Blood Moon Eclipse” é a faixa mais longa, com seis minutos, e fecha o disco com o mesmo fulgor energético que foi manifestado ao longo de pouco mais de 36 minutos.

“Illuminati” é possivelmente o disco mais melódico de God Dethroned e surge com uma veia experimental e fora-da-caixa que talvez não prevíssemos de caras, mesmo que existam álbuns como “The Toxic Touch” (2006) na colecção do grupo. Resumindo e concluindo, neste 11º longa-duração reina uma produção exímia que facilita a compreensão da sempre boa dicção de Henri Sattler (que se apresenta em notável forma com quase 50 anos), riffs variados e por vezes técnicos se atentarmos mesmo bem, solos espectaculares e uma bateria tão precisa como o fiel de uma balança bem calibrada.

Facebook

Apoia a nossa causa

Destaques

Notícias

Artigos

Mundo das Guitarras © 2021