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Gaahls WYRD: a paciência do movimento glacial

Gaahl conta como chegou ao conceito de “The Humming Mountain”.

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Foto: Foto: Raina Vlaskovska

«Uma vibração lenta da montanha e o movimento lento do gelo.»

De regresso aos lançamentos, Gaahls WYRD apresentam o novo mini-álbum “The Humming Mountain”, que tanto continua como desafia os pilares do LP debutante “GastiR – Ghosts Invited”. Conceptualmente, esta novidade está intrinsecamente ligada à pré-história do seu antecessor, em que os estonteantes e exigentes tópicos da origem, da criação e da consciência são ponderados, explorados e transmitidos numa peça sonora que contém reflexão e metal vicioso.

«Gosto do conceito de um mini-álbum em vez de um EP», começa Gaahl, também conhecido por Kristian Espedal, através da Season of Mist. «Antigamente, bandas como Hellhammer e Celtic Frost usaram esse formato. O público obtém mais deste formato. Para mim, é mais sério do que ter apenas algumas faixas. Mais, o conceito de “The Humming Mountain” não é grande o suficiente para um longa-duração. O conceito era algo que tinha de tirar da cabeça.»

Três das novas faixas foram originalmente pensadas para aparecerem em “GastiR…”, mas foram postas na gaveta quando Gaahl determinou que não se adequavam conceptualmente às restantes faixas do álbum. Assim, Gaahl trabalhou com o guitarrista Lust Kilman e com o produtor Iver Sandøy para lhes fornecer uma nova face. Portanto, enquanto a faixa-título, “The Dwell” e “Awakening Remains – Before Leaving” renasceram num novo registo, a inaugural “The Seed” e a final “The Sleep” surgiram depois – a primeira para relembrar que paciência é uma virtude e a última para nos enviar para um cogitação sonhadora.

«O tema-título ditou como o mini-álbum seguiria. Há ligações a “GastiR…” quanto a gravação, mas foi reformulada», conta Gaahl. «“The Dwell” e “Awakening Remains – Before Leaving” vêm mais da mesma fundação. Mudámos a abordagem a estas músicas ao adicionarmos teclados e ao removermos grooves de baixo, especialmente na “Awakening…”. Obtivemos uma fluidez e ritmo diferentes nas versões finais das músicas.»

«Todo o ser, que é manifestação de algo, está ligado a entoação ou ruído.»

Liricamente sobre paciência, “The Humming Mountain” nada tem a ver com o local real chamado Gnolloden, que se situa perto do arquipélago de Svalbard. «Estou sempre na procura», revela Gaahl. «Estou a tentar encontrar o cerne do eu, o cerne de tudo. “GastiR…” lidou com ser-se consciente sobre o subconsciente. “The Humming Mountain” é mais directo a lidar com esse tópico. Criação é algo que acontece muito lentamente, creio eu. Liguei isso ao gelo, de certa maneira. É um conceito nórdico, em que a bruxa que entoa se alimenta de gelo salgado. Disto vem a primeira consciência. No criacionismo nórdico, criação origina-se com som. Claro, fogo e gelo são opostos, mas todo o ser, que é manifestação de algo, está ligado a entoação ou ruído – as vibrações daí criadas. Foi assim que cheguei a “The Humming Mountain”, uma vibração lenta da montanha e o movimento lento do gelo.»

Com uma abertura cada vez maior para que concertos e festivais voltem a realizar-se, o palco poderá ser o próximo local para os rituais de Gaahls WYRD. Ou não… «Depende de como as coisas se abrem para nós. Vamos ter concertos na Europa, de certeza. De certa maneira, espero que a pandemia dure um pouco mais. É um bom momento para trabalho em estúdio. Portanto, espero não ser perturbado pelas digressões para assim continuar a fazer mais trabalho em estúdio. Estamos quase a entrar em estúdio para o próximo longa-duração.»

“The Humming Mountain” tem data de lançamento a 5 de Novembro de 2021 pela Season of Mist.

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