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Funeral: nada dura mas tudo fica

Os Funeral voltam aos álbuns quase 10 anos depois. Anders Eek fala-nos deste grande regresso.

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Foto: Jorn Veberg

«Os Funeral começaram há 30 anos e, verdade seja dita, nunca estivemos tão fortes.»

Melancolia, dor, perda e solidão são apenas quatro das temáticas mais recorrentes do doom metal e qualquer banda do género que se preze tem de ir aos mais fundo possível para exprimir toda uma lugubridade que por vezes roça a loucura da existência.

Anders Eek – baterista e co-fundador dos Funeral – não vê isto como uma medalha de honra, mas é o primeiro a admitir que, de certa maneira, «a morte e a perda que vivemos ao longo dos anos foram extremamente dolorosas mas também inspiradoras, tanto enquanto músico como enquanto ser humano». De facto, desde o primeiro ensaio numa cave em Drammen, na periferia de Oslo, quando a Noruega estava a ser saudada como o local de nascimento do black metal, os Funeral têm sido atormentados por problemas e tragédia, tanto com mudanças de formação como com a perda de dois membros-chave – o baixista Einar André Fredriksen e o guitarrista Christian Loos, que morreram em 2003 (suicídio) e 2006 (overdose), respectivamente.

Porém, Eek nunca se rendeu e ultrapassou todos os obstáculos com álbuns cheios de personalidade, quer falemos do debutante “Tragedies” (1995) ou de “Oratorium” (2012), este lançado quase dez anos antes da novidade “Praesentialis in Aeternum”.

Sobre este intervalo, o baterista comenta através da Season of Mist: «A vida meteu-se no meio. Alguns de nós tivemos filhos, outros mudaram-se. Até eu tive de abandonar algumas coisas que estavam a acontecer na minha vida pessoal e, pelo menos durante um tempo, talvez tivesse tido menos vontade para carregar o peso da banda nos meus ombros. Ainda assim, nunca parei de compor música porque é algo que sempre fiz. Durante este espaço de nove anos, podia ter escrito dez álbuns mas só escrevi dois.» A marcha fúnebre esteve realmente parada, mas acabou por voltar a arrancar quando o vocalista Sindre Nedland disse a Eek que estava preparado para se focar novamente na música. «Eu tinha tudo em maquetes e pronto, portanto foi rápido a partir daí», revela o baterista.

Pela primeira vez, as letras são inteiramente escritas em norueguês e a banda conta com um colaborador externo – um amigo pessoal de Anders Eek que é psicólogo. «Ele é meu amigo e fã da banda. Por isso, ele sabe exactamente como funciono e como é a banda. Sabia que ele andava a escrever e certo dia, há uns cinco anos, pedi-lhe quase como piada: ‘Por que é que em vez disso não escreves as letras para a minha banda?’ Dentro de cinco meses, ele escreveu-as! As letras são mais ou menos a sua interpretação do trabalho do filósofo Emmanuel Kant. Inicialmente, pensei em talvez traduzi-las para inglês, mas isso significaria ter que as refazer, portanto, no fim, decidimos mantê-las como são. O livrete [do álbum] inclui um pequeno texto a explicar as letras para quem não sabe falar norueguês.»

Musicalmente, Anders Eek descreve “Praesentialis in Aeternum” como uma «progressão natural». Continua: «Sei que temos alguns fãs que só gostam dos primeiros álbuns, mas este novo trabalho tem um pouco de tudo para toda a gente. Os elementos sinfónicos são muito mais bombásticos e feitos bem melhor, tudo graças à evolução tecnológica desde “Oratorium”. De certa maneira, é uma mistura dos nossos três últimos álbuns, mas ainda assim é o nosso trabalho mais diverso até agora, com peças tão concisas como muito épicas. De facto, gravámos algo como dez músicas mas prometemos escolher apenas as seis melhores para termos o melhor álbum possível.»

“Praesentialis in Aeternum” tem data de lançamento a 10 de Dezembro de 2022 pela Season of Mist.

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