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Fred Durst (Limp Bizkit): «Sou o Dr. Frankenstein e o gajo do boné vermelho é a minha criatura»

Evangelho segundo Fred Durst, frontman dos Limp Bizkit.

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Evangelho segundo Fred Durst, frontman dos Limp Bizkit.

Há quem diga que Fred Durst fez tudo pelo sexo [“Nookie”], outros dizem que nasceu para partir coisas [“Break Stuff”]. O que quer que penses, definitivamente, Fred viveu a vida na via rápida. O frontman dos Limp Bizkit revela o que aprendeu com a vida.

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«Creio que nasces com uma essência que carregas para a vida. E da infância aos seis ou sete anos és tão impressionável que isso, provavelmente, molda a tua neurose e define-te um caminho. Ser criança e ir até à maioridade não foi, definitivamente, um bom período para mim. Foi brutal e violento, e vi-me vítima de muitos diferentes abusos e fiquei impotente durante um longo tempo… até que peguei num microfone e formei uma banda.

A primeira vez que vi o Wes Borland, ele usava rabos de cavalo e camisolas femininas. Ele estava a tocar numa banda chamada Cronk, e era como o Les Claypool na guitarra com um pequeno Manson. Então, ele juntou-se e os outros gajos ensinaram-lhe as músicas. Na verdade, conheci o Wes no nosso primeiro concerto! Foi selvagem, mas funcionou. Inventei vozes na hora! Nunca parámos para pensar em amizades, isso não fazia parte. Era apenas sobre a magia que acontecia quando estávamos juntos… Nenhum de nós jamais foi amigo.

Sempre soube que o gajo do boné vermelho não era eu. Sou o Dr. Frankenstein e esta é a minha criatura. Ser um breakdancer, um artista de graffiti, um tatuador e gostar de rock e hip hop era demais – criar Fred Durst foi um esforço consciente e, eventualmente, tive que fazer aquele gajo emergir mais do que queria. Ganhou vida própria. Tive que entrar na personagem – o gorila, a coisa, o gajo do boné vermelho. É uma transformação dolorosa, mas faço isso porque é o que me ensinaram a fazer quando se tem pessoas a puxar por ti.

De vez em quando tens de te levantar e dizer ‘que se foda’. Quando comecei a fazer música, isso parecia fortalecedor. Muitas coisas vieram das minhas cicatrizes. Quando a música agita as coisas, elas aparecem. Mas está tudo junto: em vez de absorver e odiar todos os abusos, suportei-os. Sinto-me um sobrevivente.

Quinze miúdas e muitos morangos – foi uma boa noite. Foi quando os Godsmack estavam a abrir para nós na sua cidade natal, antes de alguém saber quem eles eram. Muitos morangos e cavidades anais. Muito épico. Não me importava de reviver isso! Ha ha! Eu era um gajo que adorava mulheres e festas… Então, porque não?!

Nunca sei o que estou a dizer, apenas digo. Então, talvez as minhas letras não tenham sido tão elaboradas. E embora ache que estou ciente no momento, realmente não estou. Sempre quis que as minhas letras fossem para pessoas que talvez se sentissem como eu, para as vítimas. Devia ter deixado isso mais óbvio, porque parte do nosso público e os nossos fãs não eram essas pessoas. Eles eram a némesis, eram o oposto, eram as pessoas que eu desprezava, e se mudasse alguma coisa, provavelmente, seria para deixar as coisas um pouco mais claras sobre de onde eu vinha, a tentar segregar os abusadores das vítimas. A ironia da minha vida está num nível estupendo.

Nunca me apego a alguém emocionalmente. É como se houvesse sempre uma agenda com as pessoas. Sou um solitário porque sabia que se tratava sempre de sucesso ou popularidade ou o que seja. É difícil confiar em alguém e nunca confiei. Infelizmente, tornei-me mais isolacionista.

Nunca tive dinheiro na vida e agora posso gastar com toda a gente. Posso comprar-lhes cerveja, posso pagar a conta, posso tratar de toda a gente. Era assim – tratar isto como se fosse tudo temporário. Estou a ser pago para fazer isto, portanto vamos todos divertir-nos. E porque o nosso tipo de rock era um bocado atrevido e agressivo, acabei por ficar próximo de pessoas como Steven Tyler ou Hugh Hefner. Fui metido naquele mundo e essas eram as pessoas com quem eu andava. Foi uma época única e louca, com paparazzi – em LA não podias ir a nenhum sítio onde a diversão acontecesse sem eles. Não pensei sobre como outras pessoas poderiam ver isso. Não havia nenhum livro ou mentor a dizer: ‘Ei Fred, tens de continuar super porreiro, agora temos de fazer coisas que fazem as pessoas gostarem de ti.’ Era como se eu estivesse por minha conta, e sempre estive.

Tenho sido tratado como um pedaço de merda desde que nasci. Por que é que devo começar a importar-me agora? Todos os odiadores são superficiais. Sempre tratei bem as pessoas – nunca começo a merda. Reagi algumas vezes, mas evoluí, como quando chegas aos 30 anos e pensas: ‘Aah.’ Aprendes a não ser tão reactivo porque não podes voltar atrás no que fizeste, só podes usar isso como uma experiência de aprendizagem.

As pessoas só querem falar da Britney ou da Christina. Qual é o problema? Porque fazem um tipo de música que não podemos gostar? Ou achas que são a némesis do que trata a nossa música? Porquê segregar? Porquê ser tão racista de merda musicalmente? O que queres dizer com eu não poder sair com esse tipo de pessoa? Claramente não quis saber, o que também alimentou muito a questão. Quero dizer, alguém que não vai ceder e desculpar-se… vai fazer com que as pessoas continuem a falar.

Moshing nunca foi sobre magoar as outras pessoas. Eu costumava ir aos concertos de Minor Threat, GG Allin e Black Flag, e era sobre aquela experiência da música dominar. Ainda sinto que é assim, mas às vezes não é. Algumas pessoas são idiotas, apenas usam isso para magoar outras pessoas. Estou triste porque talvez o que aconteceu no Woodstock tenha sido num nível que eu não conseguia compreender. Espero que os que ficaram com cicatrizes tenham encontrado algum tipo de luz. Espero mesmo.

Sou um gajo do hip hop do início dos anos 80. Quando foram lançados, Cypress Hill e Wu Tang Clan eram os mestres do microfone! Ao mesmo tempo, eu ouvia Napalm Death e Deicide, além de curtir a new wave dos anos 80, como Psychedelic Furs e Bauhaus. Sou uma pessoa f*dida com tantas emoções e tons de cinza, nunca poderia ser apenas de um estilo.

As pessoas ficariam muito surpreendidas com o quão metal Lil ‘Wayne é. Ele é um roqueiro do c*ralho, pá! Ele não vai alienar aquilo por que é conhecido, mas a comunidade metal ficaria surpreendida se passasse um dia com ele! Ficámos amigos a fazer fazer skating Às vezes nunca conversávamos, apenas andávamos de skate durante horas e, eventualmente, o diálogo aparecia.

Havia uma demanda para tocarmos no Big Day Out 2001, então fomos. Quando fomos para tocar, dissemos: ‘As barricadas não estão bem – as pessoas vão enlouquecer, por isso não vamos tocar.’ E eles disseram: ‘Não, estão errados. Vocês vão tocar – vocês são os cabeças-de-cartaz.’ E nós dizemos: ‘Não, vocês têm de ter a barricada em condições.’ Os promotores, que eram donos do Big Day Out na altura, foram rudes. Veio a polícia e transformou-se numa cena enorme, com eles a dizerem: ‘Vai haver um tumulto se vocês não tocarem e, se isso acontecer, vamos prender-vos.’ [Nota do editor: os Limp Bizkit tocaram, e um fã de 16 anos foi esmagado até a morte.]

Quando alguém perde a vida no teu concerto, carregas isso para sempre. Nenhuma banda quer que isso aconteça. Só consegues pensar em ti mesmo ou nos teus próprios filhos. Mas aconteceu e espero que muitas pessoas tenham aprendido com isso, e ficaremos para sempre tristes com isso. O Woodstock foi outra história com esse tipo de promotores. Tudo o que eles estavam a fazer era glorificar o nu-metal e todos os tipos de apresentações dolorosas. Artistas torturados, a cantarem sobre angústia e vingança – comercializaram o Woodstock à volta disso. Foi um concerto dos Limp Bizkit em esteróides, simplesmente insano. Vês pessoas a surfar em contraplacado e pensas: ‘Isto é genial, tenho de fazer isto!’ Não te apercebes que eles estão a arrancá-lo do andaime. Estás no momento e a pensar que estão todos a gostar. Depois sais do palco e ouves: ‘Ei, há um tumulto, temos de vos tirar daqui!’ Não tínhamos ideia de que algo assim estava a acontecer, pá.»

Consultar artigo original em inglês.

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