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Festivais de metal em Portugal: silêncio resulta da fé ou do medo?

Com saudades de concertos e do ambiente que só os festivais de Verão conseguem proporcionar? Talvez seja melhor habituarmo-nos ao isolamento social, pois o dia em que iremos voltar a pisar um recinto para vermos as nossas bandas de eleição ou encontrarmos aqueles amigos que só vemos em carne e osso quando o cartaz é tão bom que nenhuma distância é suficientemente grande para nos separar, pode estar a um ano e meio de acontecer.

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Com saudades de concertos e do ambiente que só os festivais de Verão conseguem proporcionar? Talvez seja melhor habituarmo-nos ao isolamento social, pois o dia em que iremos voltar a pisar um recinto para vermos as nossas bandas de eleição ou encontrarmos aqueles amigos que só vemos em carne e osso quando o cartaz é tão bom que nenhuma distância é suficientemente grande para nos separar, pode estar a um ano e meio de acontecer.

Quem o diz é Zeke Emanuel, especialista em saúde da Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos, que, face à pandemia do coronavírus que o mundo atravessa actualmente, defende que os concertos e festivais não vão ser uma realidade (nem sequer uma prioridade) até ao Outono de 2021. Numa recente discussão publicada pelo New York Times, o professor e bioético diz não compreender o facto dos promotores estarem a reagendar concertos para o final de 2020, uma possibilidade que não se verifica plausível dado que os cientistas europeus antecipam um pico maior do vírus responsável pela Covid-19 no Inverno de 2020-2021, conclusão a que chegaram depois de testarem um modelo dos efeitos da variação sazonal da transmissão do vírus.

Entre os festivais europeus de metal de maior dimensão, Party.San, Wacken Open Air ou até mesmo o Hellfest encontram-se entre aqueles que já cancelaram a agenda de Verão, apostando em 2021 para o reinício da actividade. O Wacken Open Air é o festival alemão com maior longevidade, e para a edição de 2020, que aconteceria entre os dias 30 de Julho e 1 de Agosto, prometia um cartaz com nomes como Slipknot, Judas Priest, Amon Amarth e Mercyful Fate. Cancelado. O Party.San Metal Open Air, também realizado na Alemanha e previsto para acontecer em Agosto, foi igualmente cancelado. Um pouco mais à esquerda no mapa, em França, o Hellfest Open Air Festival, que acontecia no final de Junho, juntou-se também à lista de festivais adiados para 2021. Em Portugal, o Rock In Rio Lisboa, cuja edição de 2020 arrancaria na recta final de Junho, confirmou o cancelamento daquele que é um dos maiores festivais de música do país, juntando-se assim a outros eventos cancelados em solo nacional, como o North Music Festival (que apresentaria Deftones e Moonspell no mês de Maio) ou o Moita Metal Fest e o SWR Barroselas Metalfest, que foram os primeiros festivais da primeira liga do metal nacional a serem afectados pelas medidas resultantes do Estado de Emergência. Contudo, parece existir não uma incerteza mas uma indecisão entre as promotoras que nos trazem festivais como o VOA Heavy Rock Festival, Vagos Metal Fest e Laurus Nobilis Music em avançar com a mesma decisão dos restantes festivais na Europa (e no mundo) e colocar o temido ponto final no calendário de 2020.

Ninguém quer ser confrontado com a ideia de que não estaremos todos reunidos para ver Korn, System Of A Down, Emperor e As I Lay Dying; contudo, sentimos que chegou a altura de realizarmos que o que poderia ter sido um mês de Julho quente em temperatura e acção não acontecerá, e ninguém está mais triste em reconhecer esse facto do que nós, na Metal Hammer Portugal. Não sabemos se é fé ou medo aquilo que motiva este silêncio por parte destas promotoras nacionais. O compasso de espera aumenta e adia-se o inevitável, pois a concentração de pessoas não se prevê favorável no futuro próximo, seja num festival ou num vôo comercial. Estamos a ser atacados por um vírus que já infectou mais de dois milhões de pessoas em todo o mundo e cujo número de mortes aumenta diariamente. São números que não se verificam mais avassaladores dada a responsabilidade de todos nós em querermos que esta situação passe. Mas Portugal não é e não será uma excepção. Não vai ficar tudo bem. Não agora. Portanto sentimos que está na hora de reconhecer a ameaça que temos à nossa frente e dar o passo que é necessário para combatê-la e dar início à reconstrução do nosso futuro.

Felizmente, há outras formas de celebrar a música e podemos fazer com que o mês de Julho fique marcado na história do metal nacional de muitas diferentes maneiras. Cada vez mais verificam-se os videoclipes gravados em quarentena, os concertos disponibilizados em streaming e o crescimento do digital como ferramenta de promoção e de consumo. Gostaríamos que todos vocês marcassem presença na mesma em todos os concertos e festivais para os quais já adquiriram bilhetes, sem que lá estejam fisicamente. Criem-se grupos de visualização, transmitam concertos a partir da segurança das vossas casas e mantenham a esperança de que tudo irá ficar realmente bem em 2021. Mantenham os bilhetes em vossa posse ao invés de pedirem reembolsos, e vamos transformar 2021 no dobro da experiência musical que esperávamos viver este ano.

Vamos todos fazer a nossa parte e proteger aquilo que nos acelera o coração, que nos faz ficar com os pêlos dos braços eriçados, que nos faz rir, chorar, abanar o corpo e a mente: o metal!

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