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Exodus: a invencibilidade da união

Gary Holt sobre o conceito irónico de Persona Non Grata, a gravação do álbum e a união que dura há décadas no seio de Exodus.

Foto: cortesia Nuclear Blast

«As pessoas que te metem nojo – corta-as como cancro.»

Com uma ligação formada há décadas, os veteranos Exodus regressam aos álbuns com o seu 11º trabalho intitulado “Persona Non Grata”. Literalmente traduzido para “pessoa que não é bem-vinda”, a novidade dos norte-americanos aborda o nojo e a degradação da sociedade moderna. «As pessoas que te metem nojo – corta-as como cancro», atira o lendário guitarrista Gary Holt através da Nuclear Blast. «Quem é essa pessoa? Pode ser qualquer uma. Isso é com quem ouve [o álbum]

Contudo, a ironia por detrás desta temática é a necessidade de união. «Quando estávamos a trabalhar nestas músicas, começaram a acontecer coisas no mundo que acabaram por se vincular – e nem sequer sabíamos! Com a divisão geral nos EUA e com toda a gente a ter direito a uma opinião… Não concordo com muitas delas, mas também não estou aqui para ser um pregador. Queremos que as pessoas ouçam as letras e que surjam com os seus próprios significados.»

Por mais que Holt deseje que cada um de nós tire as suas próprias conclusões, há faixas que, sempre versáteis e intensas, são liricamente directas e sem grandes rodriguinhos. Por exemplo, “The Beatings Will Continue (Until Morale Improves)” foi inspirada nas revoltas e nos distúrbios. «Sem parecer insensível aos tumultos, a música é uma ironia sobre o que as pessoas que batiam nos manifestantes esperavam que acontecesse», explica o guitarrista. «Com três minutos de duração, é provavelmente a música mais curta que já fizemos. Entra, sai e é simplesmente esmagadora.»

Outras faixas também seguem o fio-condutor da realidade. Sejam pequenos meios de comunicação ou tubarões como CNN e FOX, as ratoeiras da informação estão sempre à espreita – “Clickbait” debate os métodos que essas plataformas utilizam para tirar detalhes do contexto e, assim, ter a nossa atenção, aumentar visualizações e lucrar com as nossas emoções muitas vezes despejadas nas redes sociais. «É desonestidade jornalística. É uma versão moderna do cofre do Al Capone – toda a gente se vira para aquilo e depois não há nada», aponta Holt. Quanto à parte musical da faixa em relação ao todo que é o disco, acrescenta: «Como este álbum é pesado – e é pesado como o c*ralho –, se os tempos fossem diferentes e se ainda houvesse rádios de metal, esta música, e provavelmente metade do álbum, teria capacidades de single.»

«Vi muitas coisas e continuamos a ser uma banda em que gostamos uns dos outros, protegemo-nos, e gostamos genuinamente de estar juntos.»

Visualmente, “Persona Non Grata” é tão brutal como o cerne sónico. Numa capa criada pelo sueco Par Olofsson, vemos uma criatura com três caras e asas sobre uma sangrenta pilha de humanos doentes e podres que gritam dolorosamente e que erguem as mãos em desespero enquanto a polícia de choque lhes bate sem misericórdia e sem sensibilidade. «Depois deste álbum, acho que não vamos trabalhar com mais ninguém – o Par entende-nos», assegura Holt. E continua sobre a ilustração: «É um anjo? Um demónio? É o mundo a ser criado ou destruído? Não sabes.»

Sempre prontos a fazerem as coisas à sua maneira, os Exodus preferiram a casa do baterista Tom Hunting em vez de um estúdio com marcações apertadas e orçamentos exorbitantes. «Ao início era só o Tom, eu, algum equipamento de som e uma bateria», recorda Gary Holt. «Vivemos ali. Construímos o estúdio, imergimos naquilo. Continuamos a gostar da companhia uns dos outros para fazermos isto. Quando não estamos a ensaiar ou a gravar, continuamos a falar sobre as músicas, a trabalhar nelas, a tocar acústicos até as coisas funcionarem. Não nos resignamos.»

«Enquanto banda, estou muito agradecido», remata Holt sobre esta nova fase de Exodus com “Persona Non Grata”. «Vi muitas coisas e continuamos a ser uma banda em que gostamos uns dos outros, protegemo-nos, e gostamos genuinamente de estar juntos. Acha o que quiseres, mas sou o maior fã desta banda. Compomos músicas que são designadas para nos manter em altas – é por isso que continua a ser pesado.»

“Persona Non Grata” tem data de lançamento a 19 de Novembro de 2021 pela Nuclear Blast.

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