#Guitarrista

Entrevistas

Dream Theater: «Tentámos construir uma experiência sónica vital»

Os proggers norte-americanos sobre o reencontro após confinamento, o quartel-general onde criaram o novo álbum e o poder sónico que querem exibir na actualidade.

Foto: cortesia Inside Out Music

«Nenhum de nós abrandou. Até nos mexemos mais rápido.»

Mesmo após centenas de concertos, 15 milhões de discos vendidos, duas nomeações para Grammy Awards e quase quarenta anos de carreira, os Dream Theater continuam com os olhos virados para a frente.

Com o 15º álbum, intitulado “A View from the Top of the World”, os nova-iorquinos continuam a explorar novos territórios com a mesma atitude aventureira que lhes é reconhecida.

«Simplesmente adoramos tocar os nossos instrumentos», diz o guitarrista John Petrucci através da Inside Out Music. «Isso nunca desaparece. Adoro ser criativo, compor e exercitar essa parte da minha mente. Temos conseguido fazer isto durante muito tempo e não o temos como garantido. Sempre que nos juntamos, sabemos que não nos podemos desapontar ou os nossos fãs, portanto tentamos ainda com mais força. Ninguém está exausto. Ninguém está cansado de fazer isto. No estúdio, partilhamos dor, riso e entusiasmo. Estamos na mesma página, e é isso que nos permite continuar em frente.»

«Abordamos cada álbum como se fosse o primeiro», acrescenta o vocalista James LaBrie. «Tem sido uma grande viagem, mas não vamos parar. Estes homens são meus irmãos. Já passámos por altos, baixos e tudo no meio. Não há palavras para descrever a experiência de estarmos juntos.»

Mas para chegarmos ao novo álbum dos Dream Theater temos de recuar até 2019, quando embarcaram em digressão para promover “Distance over Time” e os 20 anos de “Scenes From A Memory”. Com a pandemia a estalar, os músicos viram-se fechados em casa – LaBrie no Canadá e os restantes companheiros nos EUA. Ao mesmo tempo, finalizaram a construção do seu quartel-general, que viria a funcionar como estúdio, sala de ensaio, armazém e bolha criativa – uma bênção, mesmo em tempo de pandemia.

«A digressão parou e ficámos em espera», recorda Petrucci. «Não íamos ficar sentados a fazer nada. Entrei em estúdio com o meu álbum a solo e com o disco de Liquid Tension Experiment, portanto sentimos que podíamos fazer um álbum de Dream Theater ali. É a nossa casa, e é excelente. Pensando no futuro, não vejo nenhuma razão para irmos gravar a outro lado. Após estarmos reprimidos há tanto tempo, ficámos contentes por tocar, compor e fazer o que adoramos. As ideias fluíram. Estava toda a gente a topo. A certo nível, isso foi influenciado por revisitarmos o “Scenes From A Memory” na última digressão, assim como incorporar elementos modernos do “Distance over Time”. Apesar do estado do mundo, estávamos positivos.»

«Foi excelente termos o nosso próprio espaço», ri o teclista Jordan Rudess. «Não tivemos de lidar com a pressão de estarmos em estúdio com limites de tempo. Podia sentar-me, compor, ter o meu tempo e oferecer o que sinto ser algum do meu melhor trabalho.»

«Após estarmos reprimidos há tanto tempo, ficámos contentes por tocar, compor e fazer o que adoramos. As ideias fluíram.»

A primeira música que escreveram em conjunto para este disco foi “The Alien”. «Dá às pessoas uma visão de como foi encontrarmo-nos após todos aqueles meses separados», revela Petrucci. «Tem a aventura, a estrutura nada tradicional, o peso e os ganchos. Definiu o tom para o álbum.»

«O meu filho sugeriu que eu visse a entrevista que Joe Rogan fez a Elon Musk», conta LaBrie, que começou a colaborar via Zoom até se juntar fisicamente aos colegas em Março de 2021. «Fui muito inspirado por aquilo que eles estavam a falar sobre descobrirem-se novos planetas para lhes podermos dar uma forma da Terra e criar outro lar para nós. Essencialmente, somos os viajantes que criam um novo mundo. Tornamo-nos o alienígena.»

O single que se seguiu foi “Invisible Monster”. «É sobre como a ansiedade atormenta as pessoas», explica Petrucci. «É como se houvesse um monstro invisível que te bate. Não o vês, mas assombra-te a toda a hora.»

Singles de avanço à parte, uma das jóias do alinhamento é precisamente o tema-título que se estende por uns bons 20 minutos para encerrar o álbum. «Tínhamos o objectivo de compor um épico doido», ri o guitarrista. «Não há baladas no disco, mas a “A View from the Top of the World” tem uma quebra a meio. Ajuda a criar uma história e uma dinâmica fluída. Estava a pensar nas pessoas que fazem coisas perigosas, como surfar ondas de 25 metros, andar de corda-bamba em desfiladeiros, mergulho no mar profundo, escalar o Everest. Fico sempre: ‘O que te faz fazer isso?’ Um movimento errado e estás morto. Para além de serem viciados em adrenalina, isso fá-los sentirem-se vivos – talvez o mais vivos que alguma vez estiveram. O nosso extremo é estarmos nesta banda. Só não vamos morrer enquanto o fazemos.»

Lançado a 22 de Outubro de 2021 pela Inside Out Music, “A View from the Top of the World” representa o melhor que estes proggers norte-americanos conseguiram tirar de tempos difíceis. «Quando ouvirem isto, espero que obtenham o melhor que os Dream Theater têm para oferecer. Tentámos construir uma experiência sónica vital. Nenhum de nós abrandou. Até nos mexemos mais rápido», salienta Rudess. E Petrucci conclui: «Música tem o poder de te falar a um nível emocional. Se nos ligarmos emocionalmente a quem ouve este disco, acho que não podemos pedir mais.»

Facebook

Apoia a nossa causa

Destaques

Notícias

Artigos

Mundo das Guitarras © 2021