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Dimmu Borgir “Stormblåst”: o rugido da tempestade

Em 1996, com Silenoz na voz e na guitarra ritmo, Shagrath na guitarra lead, Brynjard Tristan no baixo, Stian Aarstad nos teclados e Tjodalv na bateria, lançavam o segundo longa-duração “Stormblåst”.

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Enquanto toda a Noruega estava a ressacar dos homicídios, suicídios e incêndios, os Dimmu Borgir faziam em 1996 um estilo de black metal que poucos estavam a fazer.

Fundados em 1993, mesmo no olho do furacão que era o black metal norueguês, os Dimmu Borgir cedo deram nas vistas quando em 1994 lançaram e depressa esgotaram o EP “Inn i evighetens mørke”, o que lhes deu ímpeto para se mandarem em frente rumo ao primeiro LP “For all tid” (1995).

Algures no final de 1995 / início de 1996, com Silenoz na voz e na guitarra ritmo, Shagrath na guitarra lead, Brynjard Tristan no baixo, Stian Aarstad nos teclados e Tjodalv na bateria, lançavam o segundo longa-duração “Stormblåst”. Com um orçamento baixo (que se nota na produção de temas como “Dødsferd”), mas com uma ambição desmesurada, a banda destacou-se realmente das demais.

Enquanto toda a Noruega estava a ressacar dos homicídios, suicídios e incêndios, os Dimmu Borgir faziam um estilo de black metal que poucos, pelo menos no seu país, estavam a fazer. Não nos estamos a esquecer dos compatriotas Satyricon (com “Nemesis Divina”, de 1996) ou de Cradle of Filth em Inglaterra, mas enquanto a banda de Dani Filth tinha uma ala melódica direccionada ao gótico e ao vampirismo, a de Shagrath e Silenoz era mais virada para um imperativo majestoso e destrutivo, uma ligação mais profunda ao anti-cristianismo do que a Edgar Allan Poe e quejandos.

Naquela altura, os Dimmu Borgir viram aquilo de que os Emperor eram capazes e transferiram a grande importância das guitarras de Ihsahn e Samoth para o seus teclados ao cargo de Stian Aarstad, algo que se ouve prontamente na inaugural “Alt lys er svunnet hen” ou em “Når sjelen hentes til helvete”. Por outras palavras, os Dimmu Borgir deram ao black metal um sentido glorioso mais amplo e divino do que qualquer um dos seus pares seminais.

A partir destas primeiras ideias mais cruas e selvagens, a banda de Silenoz e Shagrath daria um salto qualitativo a todos os níveis quando em 1997 chegou a vez do fantástico “Enthrone Darkness Triumphant”, mas isso é outra história para outros textos…

Em 2005, os Dimmu Borgir regravariam “Stormblåst”, o que resultou numa edição e produção de luxo, fornecendo ao álbum o merecido esplendor – uma prova de que, na verdade, escondia mais pedras preciosas do que se conseguia ouvir cerca de 10 anos antes.

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