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Dimmu Borgir “Puritanical Euphoric Misanthropia”: euforia orquestral contra os puritanos

Foi em Março de 2001, com “Puritanical Euphoric Misanthropia”, que os Dimmu Borgir deram ar de si nos meandros do metal mais mainstream, não propriamente por terem ficado sonicamente mais suaves, mas porque a imprensa viu ali, na banda e no álbum, um valor inestimável numa altura em que o massificado e menos extremo nu-metal dominava as rádios, a televisão e a Internet.

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«É um dos nossos discos mais fortes e foi um ponto monumental na nossa carreira.»

Silenoz

Recolhendo louros mundiais desde pelo menos o terceiro álbum “Enthrone Darkness Triumphant” (1997), os Dimmu Borgir tinham alterado enfaticamente o black metal. Depois, com a entrada do teclista Mustis, os noruegueses lançaram “Spiritual Black Dimensions” em 1999 e as camadas sinfónicas e melódicas tornaram-se ainda mais evidentes.

Contudo, foi em Março de 2001, com “Puritanical Euphoric Misanthropia”, que os Dimmu Borgir deram ar de si nos meandros do metal mais mainstream, não propriamente por terem ficado sonicamente mais suaves, mas porque a imprensa viu ali, na banda e no álbum, um valor inestimável numa altura em que o massificado e menos extremo nu-metal dominava as rádios, a televisão e a Internet. Posto isto, numa luta por uma posição, os Dimmu Borgir ganharam espaço nas capas de revistas metal mais tradicionais e menos dadas à loucura do nu-metal.

Assim como essas revistas, também os Dimmu Borgir não queriam muito saber da onda gigante do nu-metal. «Tocámos em festivais com algumas dessas bandas nu-metal, mas era algo ao qual não prestávamos atenção», disse Silenoz à Metal Hammer. «Suponho que os Slipknot estavam no nosso radar porque tinham algo realmente diferente. Não sou o maior fã de Slipknot musicalmente, mas eles estavam a levar o metal ao mainstream e ajudaram a abrir portas a bandas como nós e outras ainda mais agressivas. Deram muito ao género, é certo.»

Com o cerne da formação a ser composta pelo vocalista Shagrath e pelo guitarrista Silenoz, a dupla passou a acompanhar-se pelo recentemente recrutado Mustis nas teclas e pelos novíssimos colegas Galder (Old Man’s Child) na outra guitarra, ICS Vortex no baixo e nas vozes limpas (vindo de Borknagar) e Nicholas Barker na bateria (ex-Cradle of Filth).

Como primeiro álbum do grupo a ser complementado por uma orquestra real ao invés de apenas linhas criadas em teclados, “Puritanical Euphoric Misanthropia” viu os Dimmu Borgir entrarem por trilhos ainda mais melódicos e etéreos com a aquisição da surpreendente voz limpa de ICS Vortex, a qual se pode ouvir em hinos como “Kings of the Carnival Creation”.

Décadas depois, a Metal Hammer perguntou a Silenoz como olha para o álbum. «É difícil dizer, porque estou muito próximo da nossa música. É, definitivamente, um dos nossos discos mais fortes e foi um ponto monumental na nossa carreira. Definiu as fundações para os anos que se seguiram. Pôs-nos no mapa.»

«Sempre fomos uma banda que nunca pediu permissão para fazer o que quer fazer.»

Silenoz

Como dito antes, “Puritanical Euphoric Misanthropia” levou o black metal sinfónico a outro nível, com Silenoz a corroborar a ideia de que, naquela altura, sentia que podia fazer de tudo. «Sempre fomos uma banda que nunca pediu permissão para fazer o que quer fazer. Como artista, é muito importante pensar fora da caixa, sem limites.»

Porém, essa atitude sem limites causou alguns amargos de boca. Enquanto “Kings of the Carnival Creation”, “Hybrid Stigmata” ou “Architecture of a Genocidal Nature” eram músicas à Dimmu Borgir, com riffs inspirados no thrash metal (influências que a banda nunca negou) e com um poder orquestral portentoso, as vozes mais robóticas de Shagrath e o industrial de “Puritania” não caíram no goto dos puristas, com focos de acusação em que se dizia que os Dimmu Borgir tinham arruinado o black metal com tamanha pomposidade e experimentalismo. «Compreendo isso de um ponto de vista», reflecte Silenoz. «É como quando um futebolista muda de equipa – de repente é um Judas. As pessoas sentem-se muito próximas de certas bandas, ou mesmo estilos. Querem a banda para si, assim como querem o futebolista na sua equipa. Isso vem geralmente de pessoas que não nos vêem como black metal, mas ainda assim dizem que arruinámos o black metal. É um oxímoro.»

Com títulos que se tornavam cada vez mais luxuosos, assim como acontecia na própria música, “Puritanical Euphoric Misanthropia” será a maior evidência dessa inclinação na entrada do novo milénio. Em conclusão, Silenoz dá a sua explicação: «Podes meter muita coisa nesse título. Para nós, é suposto descrever a humanidade: tens puritano no sentido religioso e, depois, as pessoas religiosas dependem da euforia para sobreviver. E no fim, o que criam é misantropia. É assim que olho para isto. Mas é, definitivamente, um título longo. Talvez demasiado longo.»

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