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Derrick Green: «Quando me juntei a Sepultura, sabia que haveria adversidade»

Derrick Green sobre quando se juntou aos Sepultura, o reconhecimento obtido ao longo do tempo e “SepulQuarta”.

Foto: Marcos Hermes

Numa caminhada que nem sempre foi fácil, já que em 1998 teve a hercúlea tarefa de substituir Max Cavalera nos Sepultura, o norte-americano Derrick Green foi-se tornando uma personalidade querida pelo universo metal e da própria banda.

Ao lado de Andreas Kisser e Paulo Jr. há quase 25 anos, Green, em conversa com a Metal Hammer, falou sobre a altura em que teve de conhecer uma nova vida e uma nova cultura. «Quando me juntei a Sepultura, sabia que haveria adversidade, mas olhei para a situação nos termos do que era realidade para mim. O Max era alguém que eu nunca tinha conhecido. Não sabia nada sobre o que ele estava passar. Portanto, essa parte de Sepultura não tinha nada a ver comigo. Tudo o que podia controlar e focar era que estava no Brasil – nunca lá tinha estado e nunca tinha ouvido pessoas a falarem português! Eram essas coisas que tinha na cabeça, do tipo… Como é que me vou relacionar com estes gajos? Como é que vamos avançar e compor música? Era o meu momento, sabes? Iria actuar perante milhares de pessoas. Era nisso que estava a minha mente!»

Contudo, aos poucos, Green iria ser apreciado pelos fãs de Sepultura. O vocalista recorda a experiência: «Sabia que demoraria algum tempo a conquistar os fãs, mas muitas coisas boas vieram desse processo de reconstrução. Foi assim que os Sepultura desenvolveram a sua base de fãs ao longo do tempo, sempre a evoluir, a terem-se ideias diferentes e nunca fazer-se o mesmo álbum duas vezes. Agora, quando tocamos as músicas da altura em que me juntei [à banda], há uma grande diferença. Na altura, muitas pessoas estavam ali, de braços cruzados, do tipo: «Tudo bem, vamos ver o que acontece…’ Mas era compreensível. Agora tocamos essas músicas e obtemos muito respeito. As pessoas conseguem ver a evolução e apreciam que o tenhamos projectado.»

Tendo vivido um excelente momento quando lançaram o aplaudido “Quadra” em Fevereiro de 2020, os planos delineados pelos Sepultura passavam pela reconquista mundial através dos palcos. Tal visão para o futuro foi rechaçada pela pandemia, e os brasileiros, como muitas outras bandas, tiveram de se reinventar instantaneamente. Green relembra as quartas-feiras na Internet: «Saímos do processo de composição do “Quadra” e foi uma experiência mágica, depois ensaiámos, preparámo-nos para a digressão e depois veio o confinamento. O ímpeto que tínhamos tornou-se no disco “SepulQuarta”. Foi uma excelente maneira de nos mantermos ligados, ter algo uma vez por semana onde nos pudéssemos juntar e falar com os fãs. Cresceu daí. Vamos convidar pessoas e vamos tocar músicas de Sepultura! Vamos convidar pessoas que não estão envolvidas na música, pessoas que admiramos e respeitamos. Portanto, muito disso veio da necessidade de se manter contacto dentro da banda e com os fãs. Foi bonito termos um álbum que veio disso.»

“SepulQuarta” foi lançado a 13 de Agosto de 2021 pela Nuclear Blast.

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