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Denial Of God “The Hallow Mass”

“The Hallow Mass” resume-se a uma sucessão de lugares-comuns já explorados por outros e pelos próprios de forma mais convincente.

Editora: Osmose Productions
Data de lançamento: 25.10.2019
Género: black metal
Nota: 2/5

Senhores de uma extensa carreira iniciada nos alvores dos anos 1990 e contando com 19 títulos editados, entre demos, EPs, splits e afins, os dinamarqueses Denial of God lançam este mês o terceiro álbum de originais, “The Hallow Mass”. A banda define-se como praticante de black horror metal, o que,trocado por miúdos,significa algo como black metal com aura de horror e mistério, proporcionado por uma teatralidade característica de nomes como King Diamond ou Death SS.

Sete anos decorridos após “Death and the beyond”, foi com alguma curiosidade que carregámos no play. Ficamos, contudo, com a sensação de termos mergulhado num caldeirão de clichés. A (quase) homónima faixa de abertura, “Hallowmas”, inicia-se com teclados e trovoada, que acelera para um black metal de cariz épico, com recurso (mal) disfarçado à linha melódica do refrão de “The Crown And The Ring” de Manowar, até terminar num final apoteótico. Segue-se “Undead Hunger”, tema bastante cadenciado (com caneca na mão e muitos hey, hey, heys, tendo potencial para funcionar ao vivo) que cerca do minuto cinco inflecte para uma toada trovadoresca a soar remotamente a Primordial. Por sua vez, a cavalgada intempestiva de “The Shapeless Mass” parece esforçada, como se uns Marduk já só lá chegassem com Viagra. O rosário prossegue com “The Lake In The Woods”, a balada de serviço, em que a banda tenta ser Maiden, mas que, a partir do minuto seis, e até ao fim (quatro penosos minutos), sobressai apenas uma guitarra estridente e redundante, que não mata mas mói. O quinto tema, “Hour Of The Worm”, começa com um riff que parece ter saído das sessões de gravação do “De Mysteriis Dom Sathanas”. Talvez por isso, ou pelos modestos 5:46 que não permitem que a banda se perca em devaneios estéreis (as restantes faixas superam os 10 minutos de duração), este é, possivelmente, o melhor momento do álbum. “A Thousand Funerals” é um interlúdio de cerca de dois minutos, com um teclado que pretende soar tétrico, mas que mais parece ter sido gravado com um Casio a pilhas. Serve de transição para “The Transilvanian Dream”, com a qual cai o pano, num misto de drama e heroicidade, sobre este “The Hallow Mass”.

“The Hallow Mass” resume-se a uma sucessão de lugares-comuns já explorados por outros e pelos próprios de forma mais convincente. Se o amadorismo patente em “Death And The Beyond” poderia ser ainda considerado naïf, típico do underground e/ou de grupos em início de carreira (o que, em 2012, claramente já não era o caso), em “The Hallow Mass” torna-se evidente a dificuldade da banda em processar as suas influências e criar uma identidade própria. Os adornos que introduzem em cada música com o intuito de consubstanciar aquilo que os próprios cunharam como black horror metal não dissimulam as limitações patentes, quer na composição quer na execução. “The Hallow Mass” é um exemplo de que uma carreira longeva nem sempre se traduz em evolução ou aprimoramento de uma fórmula.

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