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Déluge “Ægo Templo”

A tensão inicial prometia mas não cumpriu, falhou o alvo. “Ægo Templo”, apesar da análise, é um álbum consistente, revestido por um tecido áspero numa complexa e sofisticada torrente de modernidade.

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Editora: Metal Blade
Data de lançamento: 06.11.2020
Género: post-metal / post-hardcore
Nota: 2.5/5

A tensão inicial prometia mas não cumpriu, falhou o alvo. “Ægo Templo”, apesar da análise, é um álbum consistente, revestido por um tecido áspero numa complexa e sofisticada torrente de modernidade.

“Ægo Templo” é o segundo álbum dos franceses Déluge, grupo fundado pelo guitarrista François-Thibaut Hordé em 2014. Depois do primeiro álbum “Æther” (2015), optou por uma sonoridade mais acessível e melancólica. “Soufre” inaugura o alinhamento ao som do vaivém das ondas na maré e revela uma fusão de black metal moderno e ambiental com referências post-hardcore a provocar alguma tensão. A voz limpa e gritada de Maxime Febvet impõe-se bem definida nos momentos melódicos ou sobre blast-beats furiosos. O padrão instrumental de fundo é composto por camadas intercaladas ou sobrepostas de guitarras e teclados. “Opprobre”, o primeiro single, segue as mesmas coordenadas, mas o saxofone soprano do convidado Matthieu Metzgerno resulta num momento inspirado – uma ideia que podia ser explorada mais vezes. Hélène Muesser, que também participa no tema-título e no single “Digue”, é a voz convidada nos coros de “Abysses”, uma marcha mid-tempo em tons dramáticos e emocionais que atravessa várias etapas.

Ainda a procissão vai no adro e já o andor vai a cair. “Ægo Templo” começa a enfadar. O instrumental “Fratres” não resolve. “Gloire Au Silence” repete o esquema das faixas iniciais, e nem o registo spoken word do convidado japonês Tetsuya Fukagawa (Envy) serve para o salvar. Os cinco temas seguintes demonstram que os Déluge não têm, por enquanto, ideias suficientes para aguentar um álbum com a duração de uma hora. Não se reconhece um traço pessoal capaz de os fazer distinguir. Às páginas tantas é um enjoo. Vagueiam no tal vaivém duma maré que se repete. Esse som natural espalhado pela maioria dos títulos e repetido à exaustão torna-se tão cansativo e exasperante como o timbre de voz. A tensão inicial prometia mas não cumpriu, falhou o alvo. “Ægo Templo”, apesar da análise, é um álbum consistente, revestido por um tecido áspero numa complexa e sofisticada torrente de modernidade. Justiça seja feita à brilhante produção, mistura e masterização de Thibault Chaumont / Deviant Lab Studio (Igorrr, Carpenter Brut, Birds in Row).

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