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Death: todos os álbuns do pior para o melhor

A Metal Hammer (UK) classifica todos os lançamentos da banda seminal de death metal de Chuck Schuldiner de bom a absolutamente incrível.

A Metal Hammer (UK) classifica todos os lançamentos da banda seminal de death metal de Chuck Schuldiner de bom a absolutamente incrível.

Aclamados como os pioneiros da entidade sangrenta que é o death metal da Florida, os Death emergiram de uma cena que continuaria a desovar com Obituary, Deicide e Morbid Angel.

Apesar da nobreza conquistada pelos seus pares, o fundador e visionário Chuck Schuldiner pareceu destinado à grandeza desde o início. Um jovem guitarrista com uma das mais respeitadas éticas de trabalho em relação à música criou inadvertidamente um dos maiores legados que o metal já conheceu.

A floração, ainda que mortal, com “Scream Bloody Gore” é amplamente considerada (e muitas vezes disputada) como o primeiro álbum de death metal – com “Seven Churches” dos Possessed e “Season of the Dead” dos Necrophagia também a permear a subcultura da época. Não obstante, a energia fresca e a crueza desenfreada acabariam por subir mais alto até a expansões tecnicamente impressionantes.

Apesar das várias (…várias) mudanças de lineup e realocações precárias durante os anos de formação, os Death poderiam ter sido considerados um verdadeiro colectivo – uma família unida de precursores do death metal, com o vocalista Chuck Schuldiner a actuar como condutor da sinfonia de consistentes obras-primas metal.

Após anos de experiências caóticas em digressão e tempestuosas relações de gestão, em 1990, Schuldiner decidiu abandonar a ideia de uma unidade de banda e optou por continuar a produzir álbuns usando uma lista de aliados em sessões – uma decisão que acabou por valer a pena e fez caminho para alguns dos seus melhores trabalhos.

No momento em que “Human” foi lançado em 1991, a banda havia avançado técnica e tematicamente, deixando para trás o modelo sangrento e primitivo para forçar os limites do que significava ser uma banda de death metal.

Sucessos subsequentes culminaram no lançamento de sétimo álbum “The Sound of Perseverance”, após o qual Schuldiner começou a concentrar a sua criatividade noutros projetos, optando por não abandonar o som e a prosperidade alcançados antes da sua morte prematura em 2001.

Pode-se argumentar que Death nunca lançou um álbum mau, fazendo da suposta lista dos melhores um desafio bastante complicado para quem se atreve a tentar.

Dica: são todos bons.

Ainda assim, eis a nossa tentativa de percorrer o campo minado que é o catálogo dos Death com o ‘sim, mas…’, o ‘ah, mas devia estar mais acima…’, o ‘este não devia estar tão abaixo…’.

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7 – Spiritual Healing (1990)
Se algum dos lançamentos de Death tivesse de ocupar o banco de trás, esse teria de ser “Spiritual Healing”. Durante um período de crescente turbulência, esse empreendimento corajoso marca um período de transição, da crueza adolescente à proficiência técnica – uma progressão amplamente influenciada pelo recrutamento do shredder seminal James Murphy.
Juntamente com a evolução estilística, “Spiritual Healing” também trouxe uma mudança nas ideias líricas de Schuldiner, de gore para temas mais humanistas e religiosos. Uma tentativa valiosa de exploração artística que se encontraria mais refinada nos álbuns seguintes.

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6 – The Sound of Perseverance (1998)
A oferta final dos Death viu a criatividade intransigente de Schuldiner assentar-se entre o seu trabalho de longa-data e uma evolução adicional em território fresco. Uma jogada que se tornaria o seu projeto futuro, Control Denied.
Essa divisão mental pouco comprometeu a essência amadurecida de Death, com faixas como “A Moment of Clarity” e “Flesh and the Power It Holds” a demonstrarem mais uma vez um avanço estético em relação às capacidades anteriores. Uma audição essencial para os intelectuais do metal.

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5 – Individual Thought Patterns (1993)
No momento em que se pensava que não era possível que Death melhorasse novamente, “Individual Thought Patterns” inclui uma lineup que pode ser descrita como uma potência metal leviatã.
O ex-guitarrista de King Diamond, Andy LaRoque, juntou-se ao regressado Steve DiGiorgio e ao gigante do pedal-duplo Gene Hoglan, dando-se uma verdadeira lição sobre o que realmente significa solidez.

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4 – Leprosy (1988)
Com “Scream Bloody Gore” a estabelecer um novo padrão extremo, o segundo álbum de 1988, “Leprosy”, acabaria por ser o prego final no caixão thrash dos Death.
Este novo subgénero que dá pelo nome de death metal estava a ganhar força, e, com músicas de renome como “Pull the Plug” e “Open Casket” a expandir as sensibilidades fatais através das quais haviam se tornado conhecidos, “Leprosy” acabaria por se destacar como o auge da era inicial – riffs selvagens e thrash em decomposição.

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3 – Scream Bloody Gore (1987)
O álbum que deu origem a uma nova geração de metaleiros. “Scream Bloody Gore”, aconteceu para, inadvertidamente, fornecer o plano embrionário do que se tornaria o género death metal.
Essa epifania gradual deveu-se predominantemente ao aparecimento da abordagem gutural de Schuldiner aos vocais, o único aspecto que realmente diferenciava Death dos seus ferozes contemporâneos do thrash metal – um gênero no qual se inspirou primordialmente.
No ápice das primeiras demos e lineups formativas, “Scream Bloody Gore” imergiu as suas raízes thrash num fascínio pelo horror e pela aterradora arte de Chuck.

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2 – Human (1991)
Seguindo o seu predecessor, “Human” foi, sem dúvida, um salto exponencial em inovação. Com Schuldiner cercado pelo colectivo mais virtuoso de membros na história da banda, não era de admirar que essa obra-prima multifacetada se tornasse no álbum mais vendido e mais aclamado de Death.
Apresentando o seu primeiro videoclipe para “Lack of Comprehension”, “Human” viu Chuck recrutar os talentos ironicamente desumanos de Paul Masvidal e Sean Reinert, de Cynic, resultando na banda a ganhar uma reputação merecida como uma verdadeira força a ser reconhecida.

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1 – Symbolic (1995)
Entre os monumentais elogios e aclamações que cercaram “Human”, há algo sobre “Symbolic”, de 1995, que realmente o diferencia do rebanho.
Mais uma vez forçado a experimentar com lineups, e com Gene Hoglan dos Dark Angel a regressar, Schuldiner parecia acertar em cheio com a aquisição do baixista menos conhecido Kelly Conlon e do influenciado pelo jazz Bobby Koelble.
O resultado? Um labirinto de tecnicismo e meandros líricos cerebrais que exibem musicalidade insuperável, ao mesmo tempo que conseguiam permanecer incrivelmente acessíveis e influentes. Desde a catchiness do tema-título a “Crystal Mountain” até às paisagens épicas da final “Perennial Quest”, “Symbolic”, encontrar-se-á certamente entre os melhores na colecção de todos os fãs de death metal.

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Consulta o artigo original em inglês AQUI.

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