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Cult of Luna: «Compomos do coração»

Johannes Persson sobre a viagem mental que o levou a compor o novo álbum de Cult of Luna.

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Foto: cortesia Metal Blade Records

«É um álbum que soa em grande.»

Há mais de duas décadas que os Cult of Luna têm forjado uma sonoridade incomparável – um som que é ambicioso, épico, visceral e regado de emoção. Numa espécie de trilogia oficiosa, o caminho recente dos suecos começou com “A Dawn to Fear” (2019), prosseguiu com o EP “The Raging River” (2021) e desagua agora com o LP “The Long Road North”.

«Acho que uma das razões para termos sido tão produtivos nestes últimos dois anos tem a ver com compormos consistentemente do coração», diz o vocalista/guitarrista Johannes Persson através da Metal Blade Records. «Deixámos que os nossos instintos nos guiassem, e acho que está a ficar claro para onde vamos. Outro aspecto importante sobre esta aceleração tem a ver com me ter mudado outra vez para Umeå após 15 anos em Estocolmo. O encontro e o trabalho em conjunto ficou mais fácil em vez de se compor tudo em poucas mas longas sessões.»

Com nova dinâmica e densidade sónica, os fãs de Cult of Luna vão ainda assim reconhecer o som da banda logo com a faixa inaugural “Cold Burn”, em que os ritmos pesados e pulsantes se reúnem com o rugido selvagem de Persson. «É um álbum que soa em grande», assegura. «Quase o descrevo como cinemático. Como sempre, quando escolhemos músicas para um álbum, esforçamo-nos muito para conseguir a dinâmica certa. Em certos aspectos, foi um dos álbuns mais fáceis de escrever, mas por outro lado foi o mais difícil, com grandes mudanças perto da entrega do master. O equilíbrio tem de ser certo, e quando algumas músicas estão no espectro mais pesado, então precisam de ser equilibradas com algo mais suave sem uma queda muito acentuada.»

Quanto ao título do disco, esse tem um significado profundo para o músico e que se liga aos trabalhos anteriores. «“The Long Road North” simboliza a viagem mental por que passei há uns anos», esclarece. «As letras da faixa homónima foram das primeiras a ser escritas quando voltámos a compor novamente após o “Mariner” (2016). O processo pelo qual passei foi desafiante, mas mantive-me fiel às respostas que encontrei, portanto agora estou numa situação completamente diferente da dessa altura. Enquanto “A Dawn to Fear” e “The Raging River” nasceram de um certo caos emocional, “The Long Road North” é uma analogia em relação a encontrar-se uma saída disso e a darem-se os primeiros passos para onde quero estar. Embora já não esteja nessa situação e a viagem ainda está a ser feita, sinto que o título é um marco que tem de ser ultrapassado antes de continuarmos.»

Com letras escritas ao longo dos últimos tempos, temos conhecimento de que os versos são uma mistura entre onde Persson estava antes e onde está agora, mas algo mais se apresenta quando também ficamos a saber que o músico começou a apaixonar-se pela vontade de soltar os seus instintos – tudo resultado do processo pelo qual passou e pelo regresso a Umeå. «Uma coisa que difere este trabalho dos outros dois desta série é que, pela primeira vez nalgumas ocasiões, utilizei assuntos concretos, assuntos que surgiram na minha cabeça e que queria soltá-los. Viajei muito pelo norte da Suécia desde que me mudei para cá, e o ambiente e os cenários do norte inspiraram-me muito para os pintar com palavras.»

«O processo arrastou-se e a covid forçou-nos a trabalhar individualmente e em mais sessões.»

Apesar de ser uma novidade na discografia da banda, este “The Long Road North” completa-se com gravações inacabadas oriundas das sessões de “A Dawn to Fear” realizadas na Noruega. Agora, devido à pandemia, tudo foi feito na Suécia e em menor proximidade. «A nossa intenção foi tentarmos trabalhar em conjunto o mais possível, como fizemos quando gravámos “A Dawn to Fear”. Contudo, o processo arrastou-se e a covid forçou-nos a trabalhar individualmente e em mais sessões. De certa maneira, esse arrastamento que durou mais do que esperávamos foi uma coisa boa – ajudou-nos a digerir as músicas muito mais e deu-nos perspectivas das música e do disco que apenas o tempo nos pode dar. Fizemos grande mudanças, tanto nas músicas como na estrutura do álbum, muito tardiamente.»

Com um novo álbum, digressões marcadas e com esperança de fazerem parte do alinhamento dos festivais de 2022, os Cult of Luna estão muito ansiosos mas mantêm as ambições modestas, como lhe és característico. Persson conclui: «Tudo o que fizemos nestes últimos 20 anos é mais do que pudemos sonhar. O objectivo é continuarmos a fazer o que fazemos nos nossos termos por mais um ano.»

“The Long Road North” tem data de lançamento a 11 de Fevereiro de 2022 pela Metal Blade Records.

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