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Crystal Viper: «”The Cult” tem algumas das melhores músicas que já fizemos»

Fundados no início dos 2000s e com o primeiro álbum a sair em 2007, os Crystal Viper, de Marta Gabriel, têm vindo a conquistar o seu espaço no campo de batalha do heavy metal tradicional.

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Foto: Tim Tronckoe

«O impacto que HP Lovecraft têm na cultura pop é indescritível!»

Marta Gabriel

Fundados no início dos 2000s e com o primeiro álbum a sair em 2007, os Crystal Viper, de Marta Gabriel, têm vindo a conquistar o seu espaço no campo de batalha do heavy metal tradicional. No presente, arrancam o ano de 2021 com o oitavo álbum “The Cult”, mais um registo que tem o que é necessário para passarmos uns prazerosos minutos a ouvir leads de guitarra cativantes e refrãos memoráveis. Em complemento, se olharmos para a capa, apodera-se de nós um imaginário dominado por criaturas devoradoras de mundos com HP Lovecraft como alusão primária. E é verdade. «É o meu escritor favorito de sempre», confessa a vocalista e guitarrista Marta Gabriel. «Lembro-me de ter começado a ler as suas histórias no início do ano passado, e senti-me como se alguém se me tivesse injectado com inspirações, ideias para novas músicas e letras… O impacto que os seus trabalhos têm na cultura pop é indescritível!» Por outro lado, sabemos que o génio de Providence está mais do que retratado na comunidade metal, por isso, trazer algo novo sobre o escritor e o seu universo não é tarefa fácil. «Adicionámos um bocadinho de heavy metal ao seu mundo», simplifica.

Sobre esse heavy metal que tanto adora e a que tanto oferece de si pela causa, o subgénero mais clássico da música pesada não tem para si a maior fatia de fãs na Polónia. Muito à semelhança de Portugal, o país dos Crystal Viper é mais conhecido pelo death e black metal, tanto na sua criação como na devoção de quem cultiva o movimento. «Os Iron Maiden visitam a Polónia de vez em quando, e são deuses absolutos do heavy metal, mas, além disso, diria que a cena metal tradicional aqui é muito, muito pequena, num underground muito profundo. Fundei Crystal Viper há vários anos, já vamos no oitavo álbum, e o número de concertos que demos na Polónia durante estes anos pode ser contado com um dígito. Há algumas bandas jovens que estão a tentar mudar isso, mas, no geral, a situação não parece muito boa. Mas têm razão, temos uma cena black e death metal muito forte, o que é muito fixe.»

E já que se trouxe Iron Maiden à baila, outro nome menos conhecido, mas que ainda assim influencia uma vasta franja de bandas nos últimos 10 a 15 anos, é Manilla Road. Se deste lado do Atlântico temos um Steve Harris ou um Bruce Dickinson, do outro lado, nos EUA, havia um Mark Shelton, que nos deixou em 2018 com 60 anos. Se Marta Gabriel pudesse ter uma conversa com o Tubarão dos Manilla Road, o que lhe diria? «Diria: ‘Obrigado por toda a inspiração. Quando for grande quero ser como tu!’» Segundo confessa a artista polaca, Shelton era mais do que uma inspiração distante e endeusada, revelando: «Era um grande amigo, um músico e compositor brilhante, e um grande ser humano. Tenho muitas saudades dele.»

«Mark Shelton era um grande amigo, um músico e compositor brilhante, e um grande ser humano.»

Marta Gabriel

De facto, a artista de 36 anos aprendeu com os melhores – seja a ouvi-los em casa ou a conviver com eles – e tem deixado a sua marca por onde passa, tanto em concertos como nas redes sociais, plataformas onde tem uma presença regular. Quando questionada sobre se gostava de ser relembrada como uma heroína da guitarra, a polaca diz que «ser apelidada de música ou compositora faz mais sentido». «O mais importante para mim é poder compor música e partilhá-la com o mundo», assenta.

Sobre a actualidade, 2021 não está a começar como todas e todos desejávamos. A pandemia continua activa e está a pôr o novo ano outra vez em risco – estarão os concertos e festivais novamente para além do horizonte que conseguimos enxergar? «Não sei. Penso que ninguém sabe. Mas tenho a sensação que 2021 vai ser muito semelhante ao ano passado… Espero mesmo que a situação mude brevemente, porque estou ansiosa por tocar ao vivo novamente. Concertos são uma grande parte das nossas vidas, Crystal Viper é uma banda ao vivo. Mal posso esperar por ir em digressão para tocar as novas músicas.»

Com ou sem os dois concertos que a banda tem em agenda para Fevereiro em Portugal (Porto e Lisboa), Marta Gabriel deixa o repto final: «Penso que o novo álbum tem algumas das melhores músicas que já fizemos. Mal posso esperar por partilhá-las com as pessoas.»

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