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Crimson Bridge: ao sabor do progressivo marítimo

Os portugueses Crimson Bridge apresentam o primeiro álbum “In Pitch Black”.

Origem: Portugal
Género: prog / melodeath
Último lançamento: “In Pitch Black” (2021)
Editora: Blastbeat Records
Links: Facebook | Bandcamp

Depois de um EP e vários singles, os portugueses Crimson Bridge chegam ao almejado primeiro álbum com “In Pitch Black”, uma proposta criada por jovens com um instinto criativo muitíssimo maduro que cruza elementos que vão do progressivo intrincado ao cativante death metal melódico.

«Os monstros figurativos de que falamos representam a bagagem emocional que todos carregamos, as lutas internas que dela decorrem e como o espírito da perseverança humana reage, se adapta e eventualmente prevalece.»

Álbum: «Com [a música] “Apostasy” queríamos começar com um estrondo, oferecendo algo poderoso, com um som familiar e tradicional, mas com algumas reviravoltas que a tornam única.
“Tragedy Befalls” foi nosso primeiro videoclipe e segundo single do álbum. Como “Apostasy” estava a inclinar-se para o lado mais pesado do estilo de Crimson Bridge, queríamos uma música que não só contrastasse como se destacasse por si mesma como algo melódico e mais fácil de ouvir, mantendo alguns dos nossos aspectos progressivos e partes mais pesadas. Também estreámos “Ruthless Tides” (com o João Miguel), sendo este o nosso terceiro e último single antes do lançamento do álbum. Acreditamos que esta música apresenta todos os aspectos das faixas do álbum de uma forma equilibrada: melodias e refrãos cativantes, riffs pesados e, claro, uma secção instrumental épica. Esta secção instrumental em particular conta com um solo do nosso grande amigo e incrível músico João Miguel, que fez um excelente trabalho e deu-nos mais um motivo para lançarmos a música como single, tornando-a inevitavelmente um destaque na fase de pré-lançamento do álbum.
Ainda no que diz respeito à secção instrumental desta faixa, o estilo altamente rítmico das composições está todo lá, seja com polirritmos do tipo djent com palm-mute ou com sincopações de 3 por 4 entre bateria e baixo. São ingredientes chave que estão presentes em todo o álbum, e são complementados pelos nossos melódicos solos de guitarra, vozes e estilo de baixo.
Apesar disso, as músicas presentes no álbum não são estereotipadas e são construídas com uma certa reviravolta ou ideia única em mente. Apostamos sempre na qualidade em detrimento da quantidade neste aspecto, e não descansamos até estarmos totalmente satisfeitos com o resultado final.»

Conceito: «Embora não seja um álbum conceptual no sentido tradicional, todas as músicas partilham de muitas ideias ao serem ligadas por um fio condutor que as entrelaça, embora soem muito distintas. Ocasionalmente fazem referências umas às outras. No geral, e sem revelarmos muito, já que as letras foram feitas para serem abertas a interpretações e queremos que as pessoas se identifiquem com elas mais facilmente, o álbum está muito ligado a ideias marítimas. Em suma, trata-se da natureza cíclica das marés oceânicas, o medo do desconhecido, que é trazido por aquilo que as profundezas escondem, e como parecemos insignificantes diante de tais turbulências.
Na verdade, toda esta estética que adoptámos nada mais é do que uma metáfora para os eventos e ideias que inspiraram as letras. É a nossa maneira de tornar a mensagem muito mais divertida e palatável para quem está do outro lado. Especificamente, os monstros figurativos de que falamos representam a bagagem emocional que todos carregamos, as lutas internas que dela decorrem e como, diante do que parecem tarefas hercúleas, o espírito da perseverança humana reage, se adapta e eventualmente prevalece. Resumidamente, é sobre como, nesses momentos, transcendemos o que significa ser humano, para nos tornarmos algo maior do que nós mesmos.»

Sonoridade e influências: «Acreditamos que as nossas influências abrangem todo o espectro deste vasto género, embora nunca sejam limitadas por ele. Apesar de sermos uma banda de metal acima de tudo, estamos sempre à procura de uma mistura de sons, tentando-se incluir um pouco de tudo o que faz sentido para nós, de uma forma saborosa: de sons mais pesados a passagens mais melódicas ou até mesmo algo completamente diferente. Em suma, tudo o que nos parece bom – seja por um motivo ou outro – é válido, e gostamos de manter a mente aberta.
Desde o início, Crimson Bridge sempre teve um som cimentado em thrash e melodeath. Esse foi o nosso ponto de origem e, com este álbum, queríamos manter-nos fiéis às nossas raízes enquanto nos esforçamos para se ir mais além e criar algo único. Por exemplo, a música “Apostasy” até tem um pequeno aceno à bossa nova, e algumas das outras músicas também têm ritmos que definitivamente vos farão querer dançar enquanto abanam a cabeça.
No final do dia, todos os grandes nomes do metal foram as nossas maiores influências. As opções são infinitas, pois estamos sempre a esforçar-nos para se ir além dos limites preconcebidos.»

Review: Contagiante pela melodia e muito atraente pela veia técnica, Crimson Bridge conquista facilmente pela toada cativante que exibe através dos dois elementos atrás mencionados. Se por um lado somos guiados até a um plano prog e tecnicista, por outro a banda surge com surpresas repentinas e bem inseridas que podem ser rotuladas como death/thrash metal melódico. Em suma, o que poeticamente pode definir Crimson Bridge é uma combinação elegante entre luz e escuridão, e talvez no fim ganhe a esperança contra o pessimismo.

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