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Cradle of Filth “Midian”: sem lágrimas, por favor!

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Chegados a 2000, os Cradle of Filth já tinham muita história para contar: três álbuns de enorme qualidade que faziam deles reis e senhores do black metal gótico, várias formações e arrufos por causa de uma t-shirt que dizia “Jesus is a cunt”.

Em tão pouco tempo, ainda nem 10 anos tinham passado desde a fundação, algumas vozes começaram a prever o enterro da banda de Dani Filth após o EP “From the Cradle to Enslave” (1999), mas o britânico fez questão de calar as más-línguas ao fazer regressar Paul Allender à guitarra e a incorporar Martin Foul nas teclas (ex-My Dying Bride) e Adrian Erlandsson na bateria (ex-At the Gates).

Dessa formação, que contava ainda com Gian Pyres na outra guitarra (saiu antes do álbum ser lançado) e Robin Graves no baixo, nasceu “Midian”, o quarto álbum que acabou por fazer renascer Cradle of Filth numa idade ainda tão jovem para se morrer.

Inspirados no livro “Cabal”, de Clive Barker – que acompanha um homem com problemas mentais e possível assassino à procura da cidade mítica de Midian –, os Cradle of Filth unem a isso o misticismo obscuro de HP Lovecraft em “Cthulhu Dawn” e a depravação em “Lord Abortion” (a frase «Care for a little necrophilia? Hm?» é do filme “Brazil”, de Terry Gilliam). Contudo, a nível musical, é o ambiente arábico que dá a “Midian” as melhores formas sonoras deste álbum, com especial destaque para o êxito “Her Ghost in the Fog”, que rodou incessantemente na MTV.

Adeptos de terror e horror, outra vitória para Dani Filth foi a inclusão de Doug Bradley como narrador. Conhecido por interpretar Pinhead na saga “Hellraiser”, o actor emprestou a “Midian” a sua voz grave e autoritária, fazendo deste disco algo ainda mais literário e até cinematográfico, como já se tinha alcançado em discos como “Cruelty and the Beast” (1998). Melhor ainda, para os mais nerds, o verso «But oh, no tears please!» em “Her Ghost in the Fog” é uma clara alusão à frase «No tears please, it’s a waste of good suffering» proferida pelo próprio Doug Bradley enquanto Pinhead no primeiro filme do franchise.

Curioso é também o título da faixa “Amor e Morte”, que se tornou assim mais um pedaço de Portugal na história dos Cradle of Filth – isto porque os britânicos deram o seu primeiro concerto fora do Reino Unido em Portugal e as vozes de “Cruelty and the Beast” foram regadas a vinho de Porto.

Renovados e com mais sucesso do que nunca, os Cradle of Filth iriam ainda conquistar mais terreno comercial com “Damnation and a Day” (2003) e “Nymphetamine” (2004). Todavia, para uma parte dos fãs (e outros não tão fãs) e críticos, “Midian” marca o fim de uma era para os ingleses de Suffolk. Na verdade, a banda continuou a sofrer de constantes mudanças de line-up e de experiências menos bem-conseguidas (“Thornography”, de 2006), recuperando muita da sua vasta glória apenas em 2015, com “Hammer of the Witches”, e em 2017, com “Cryptoriana – The Seductiveness of Decay”.

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