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Classe de 2000: onde estão agora?

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Com o amanhecer de 2020 a aproximar-se, olhamos para este século até agora e perguntamos: o que aconteceu às ‘next big things’ do milénio?

Disturbed

A cada ano, a indústria musical lança um novo lote de bandas com as tags ‘Next Big Thing’. Algumas voam, outras caem e queimam-se com sonhos e potencial não-realizado, outras fazem grandes regressos – e há uma ou duas que deviam continuar separadas.

Vinte anos depois do início do milénio, olhamos para trás, para algumas das bandas que almejavam grandeza, e para o que aconteceu aos vencedores, vice-campeões e aos que nunca saíram de cena.

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AMEN
Antes: Liderados por Casey Chaos e produzidos por Ross Robinson (Slipknot, Korn), os Amen, quinteto incendiário de punk-metal de Los Angeles, estavam completamente formados com o lançamento do álbum homónimo pela Roadrunner Records em Setembro de 1999. Uma mudança para a Virgin Records, com o intenso sucessor “We Have Come For Your Parents”, deveria levar a banda à liga principal do metal.
Agora: Apesar de críticas elogiosas e concertos emocionantemente explosivos, os Amen nunca aconteceram realmente. Culpem o ‘The Man’ se quiserem. Um novo álbum produzido por Robinson (com Dave Lombardo na bateria) ainda aguarda por uma data de lançamento cinco anos depois de ter sido alegadamente terminado. As únicas notícias recentes sobre Amen foram a prisão de Casey Chaos por uma suposta agressão em sua casa em Junho de 2019.

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AT THE DRIVE-IN
Antes: Após dois excelentes lançamentos no underground (“Acrobatic Tenement” de 1996 e “In/Casino/Out” de 1998), os At The Drive-In foram destacados pelo impressionante terceiro álbum, “Relationship Of Command” de 2000 (produzido também por Ross Robinson), lançado pela Grand Royal dos Beastie Boys. Às costas de alguns concertos de fazer cair o queixo e de uma aparição memorável no “Later…”, a imprensa britânica proclamou instantaneamente que esta crew de hardcore de El Paso era os ‘The New Nirvana’. Dentro de um ano, implodiram.
Agora: Com uma infinidade de diversas bandas, desde o post-hardcore de Sparta aos aventureiros proggers The Mars Volta, os At The Drive-In pareciam destinados a permanecer nos livros de história. Foi, portanto, uma enorme surpresa quando se reformaram para os concertos de 2012 e novamente de 2016. Incrivelmente, um álbum também surgiu em 2017. O problema é que “in•ter a•li•a” era uma imitação pálida, se formos gentis, e uma total perda de tempo, se formos sinceros. Agora também não são tão bons ao vivo, o que é uma pena. Cuidado com o que desejas.

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CYCLEFLY
Antes: Quinteto irlandês / francês / italiano sediado em Cork que segue as deixas musicais de Jane’s Addiction, Tool, Led Zeppelin e Soundgarden, os Cyclefly tornaram-se uma banda ‘buzz’ com o lançamento do debutante “Generation Sap” no Verão de 1999. Liderada pelo deliciosamente fora-de-si Declan O’Shea – um híbrido de Iggy Pop / Perry Farrell propenso a usar fatos vermelhos de PVC -, a banda estabeleceu uma estreita amizade com os novatos de Los Angeles, Linkin Park, e foi cotada como um grande breakthrough com “Crave” de 2002, que contou com o convidado Chester Bennington.
Agora: As coisas foram por cano abaixo para os Cyclefly desde o momento em que o baixista dos Wildhearts, Danny McCormack, mijou nas calças de PVC de Declan O’Shea em Londres em 2002. Após uma pausa no negócio da música, o cantor reuniu-se com o seu irmão guitarrista, Ciaran, e o colega de Cyclefly, Christian Montagne, para formar MAKO DC em 2007. O álbum de estreia da banda, “Living On Air”, foi lançado em 2011, enquanto o sucessor “Timeless” chegou em Março de 2019.

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RAGING SPEEDHORN
Antes: Duros de Corby, os Raging Speedhorn atraíram inicialmente a atenção da imprensa tanto pela reputação saborosa como pelo rugido brutal e metálico de nariz arrebitado. Estavam entre Hundred Reasons, Lostprophets e earthtone9 como uma nova geração de bandas britânicas capazes de conquistar o mundo.
Agora: Embora tenham estado em digressão incansavelmente, lançado cinco bons álbuns e conquistado um pequeno sucesso nas tabelas com o single “The Gush”, de 2001, nunca obtiveram mais do que um estatuto de culto. Após um intervalo de seis anos, a banda regressou inesperadamente em 2014 e um novo álbum, “Lost Ritual”, surgiu em 2016. Ainda são uma força ao vivo, apesar de (felizmente) terem acalmado um pouco, embora agora não estejam com o vocalista John Loughlin, que se afastou no início deste ano.

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QUEENS OF THE STONE AGE
Antes: Os ex-Kyuss, Josh Homme e Nick Oliveri, tinham fãs metaleiros desde o início, mas com o lançamento do segundo álbum “Rated R” e com os primeiros singles “The Lost Art Of Keeping A Secret” e “Feel Good Hit Of The Summer” (com R. Halford), os roqueiros de Los Angeles tornaram-se na ‘The One Rock Band It’s Cool To Like’ entre os fãs de música mainstream. Seguidamente, o Elvis Ruivo começou basicamente a seduzir o planeta inteiro ao ser um completo idiota.
Agora: Embora o furioso baixo de Oliveri tenha partido há muito tempo, os Queens mantiveram o seu swagger fora-da-lei enquanto trocavam salas por arenas e slots como cabeças-de-cartaz em festivais. Com o último álbum, “Villains” (2017), consolidaram ainda mais o estatuto de uma das maiores bandas de rock, com o produtor Mark Ronson a adicionar mais uma camada de ‘cool‘.

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GLASSJAW
Antes: O álbum de estreia de 2000 dos Glassjaw, “Everything You Ever Wanted To Know About Silence” (produzido novamente por Ross Robinson, numa missão para destruir a cena nu-metal que ajudara a nascer), era uma obra-prima do post-hardcore. “Worship And Tribute”, de 2002, era ainda melhor. Os problemas de saúde do vocalista Daryl Palumbo (que tem a Doença de Crohn) significavam que o quarteto de Long Island nunca conseguiria ganhar impulso suficiente.
Agora: Apesar de Daryl e o guitarrista Justin Beck nunca estarem longe do palco por muito tempo, os fãs tiveram que esperar 15 anos pelo sucessor de “Worship And Tribute”. Finalmente, 2017 viu o surgimento do bem-recebido “Material Control”, que, em comparação aos outros regressos desta lista, foi uma verdadeira obra-prima.

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A PERFECT CIRCLE
Antes: Como uma espécie de ‘supergrupo’ do rock alternativo montado pelo técnico de guitarras dos Smashing Pumpkins, Billy Howerdel, o pedigree de A Perfect Circle (Tool, Failure, The Vandals) deu-lhes uma vantagem óbvia sobre outras bandas novatas. “Mer De Noms” foi uma estreia convincente, mas com Maynard James Keenan provavelmente a nunca deixar Tool, houve sempre dúvidas sobre o quão comprometido a APC poderia estar.
Agora: Depois de esporádicas aparições ao vivo ao longo da década, os APC anteciparam o regresso de Tool por um ano quando lançaram o bonito e orientado ao piano “Eat The Elephant” em 2018. Embora Maynard esteja de regresso aos Tool com o álbum “Fear Inoculum” e a fazer teasing de novo material dos Puscifer, quem sabe se teremos de esperar 15 e 13 anos, respectivamente, pelos novos trabalhos de APC e Tool.

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QUEENADREENA
Antes: Formados a partir das cinzas dos peculiares indie-noiseniks Daisy Chainsaw e liderados pela encantadora, enigmática e, digamos, excêntrica Katie Jane Garside, os roqueiros alternativos de Londres, Queenadreena, eram um grupo intrigante que entrelaçava art-rock, gothic rock, post-punk e alt-metal numa mistura sónica sombria que, francamente, seria sempre uma venda difícil.
Agora: Os Queenadreena, e podem não ficar surpreendidos ao saber isto, nunca se tornaram um nome conhecido, embora “Pretty Like Drugs”, single do bom álbum “Drink Me” de 2002, continue a rodar. O guitarrista Crispin foi fugazmente encontrado no circuito de concertos em Londres com The Dogbones até 2015, enquanto o último álbum que emergiu do projeto Ruby Throat de Miss Garside foi “Baby Darling Taporo” de 2017.

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DISTURBED
Antes: Houve um momento em que o grito símio ‘Ooooh wahahaha!’ de David Draiman parecia inevitável, pois o quarteto de Chicago transcendeu as suas origens no nu-metal para se tornar numa das bandas metal americanas de maior sucesso nos últimos vinte anos, com nada menos do que quatro álbuns em número um. Quando “The Sickness” foi lançado em 2000, David ‘Mad Davey’ Draiman inspirou muito riso, particularmente pela cadeira eléctrica que a banda usava em palco, mas o homem teve certamente direito à última gargalhada.
Agora: Após um hiato temporário, a banda de Chicago continua em alta após o enorme sucesso da cover de Simon e Garfunkel, “The Sound Of Silence”. Estranhamente, “Evolution” de 2018 foi o primeiro álbum desde “The Sickness” que não chegou ao topo das tabelas da Billboard nos EUA – um ricochete que fez Draiman finalmente tirar aqueles maravilhosos piercings no queixo, possivelmente -, mas ainda são inegavelmente enormes.

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MUDVAYNE
Antes: Muito semelhante a Disturbed, o quarteto de Illinois, os Mudvayne, não teve um percurso fácil na imprensa metal britânica, principalmente por causa dos inegáveis pseudónimos idiotas e por causa das arrojadas e coloridas caras pintadas, mas o álbum de 2000, “L.D. 50”, que ocupava um nicho entre os mentores iniciais Slipknot e Tool, impressionou os fãs. Inteligentes, inventivos e idiossincráticos, o seu encanto de culto ampliou-se com o mais sofisticado “The End Of All Things To Come” de 2002.
Agora: Sim, adivinharam, estão em hiato (desde 2010) e com uma reunião aparentemente improvável. O vocalista Kud – desculpem, Chad Gray – agora está com Hellyeah, que também contaram com o guitarrista Gurrg – desculpem, Greg Tribbett (aka The Humbug) – até 2014. Houve uma espécie de reunião quando Greg e o baterista sPaG (Matthew McDonough) formaram Audiotopsy, que, como a banda anterior, era muito melhor do que o nome sugerido.

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SPINESHANK
Antes: Sob a asa de Dino Cazares dos Fear Factory, este quarteto de Los Angeles parecia estar em todo o lado no início dos anos 2000. Viajando incansavelmente e obtendo bastante tempo de antena graças aos vídeos de “Synthetic” e “New Disease”, a mistura entre industrial e o brilho do nu-metal dos Spineshank parecia uma combinação vencedora. Mas mesmo que o breakthrough pela Roadrunner, “The Height of Callousness”, tenha tido os seus momentos, a banda chegou um pouco tarde demais à festa do nu-metal para se posicionar. O sucessor “Self-Destructive Pattern” até resultou numa indicação para os Grammy com “Smothered”, mas o vocalista Jonny Santos saltou do navio pouco tempo depois.
Agora: Santos regressou em 2008 com “Anger Denial Acceptance” a aparecer finalmente em 2012. No entanto, mal se registou no mapa do metal, sem sinal da banda desde o concerto final em Julho daquele ano.

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ONE MINUTE SILENCE
Antes: Resposta britânica à onda americana do rap metal, o vitríolo politicamente carregado dos One Minute Silence tinha muito mais em comum com Rage Against The Machine do que com a natureza de auto-aversão/festiva do nu-metal. Todos os três álbuns tiveram os seus momentos – particularmente “Buy Now… Saved Later” de 2002 -, enquanto os concertos tornaram-se rapidamente lendários. No entanto, a maior conquista surgiu quando foram suporte directo de Slipknot na digressão pelo Reino Unido em 2002, antes de se separarem quatro meses depois do lançamento de “Revolution” de 2003.
Agora: O facto destes metaleiros claramente não se odiarem significou que uma reunião em 2011 não era uma surpresa. O EP “Fragmented Armageddon”, de 2013, ofereceu uma boa explosão de nostalgia, mas o silêncio durou muito mais de um minuto desde então. O vocalista Barry ainda publica mensagens políticas na página da banda no Facebook e o guitarrista Massimo Fiocco lançou um EP em 2016 sob o apelido M.U.T.O..

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THE WORKHORSE MOVEMENT
Antes: Aparecendo no quarto lugar atrás de Queens Of The Stone Age, Amen e Monster Magnet nos Álbuns do Ano 2000 da Metal Hammer estava o único lançamento de The Workhorse Movement, “Sons Of The Pioneers”. Surgindo no auge da loucura do nu-metal, o segredo mais bem-guardado de Detroit anunciou a sua chegada misturando metal com Motown, funk, jazz e o rock de garagem de Motor City. Mas até ao final do ano, a breve ascensão da banda foi interrompida quando terminou.
Agora: Das cinzas da banda, o vocalista Myron, o guitarrista Jeff Piper e o baixista Pete Bever formaram a banda de classic-rock Dirty Americans, que tinha algumas músicas decentes em meados dos anos 2000. Mas nada foi mencionado sobre a banda original desde a separação – e, em vez de uma reunião decepcionante, isso pode ser pelo melhor.

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Consultar artigo original em inglês.

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