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Cirith Ungol “Forever Black”

Ao longo de quase 40 minutos, temos Tim Baker e comparsas a jogar num tabuleiro que conhecem de ginjeira, sem grandes jogadas ou truques, tentativas de soar a moderno ou inflectir por caminhos que poderiam sair desajustados.

Editora: Metal Blade Records
Data de lançamento: 24.04.2020
Género: heavy metal
Nota: 3.5/5

Ao longo de quase 40 minutos, temos Tim Baker e comparsas a jogar num tabuleiro que conhecem de ginjeira, sem grandes jogadas ou truques, tentativas de soar a moderno ou inflectir por caminhos que poderiam sair desajustados.

Após o anúncio do regresso às lides em 2015 e o lançamento do single “Witch’s Game” três anos depois, tornou-se quase imperativo que um novo álbum fosse lançado para satisfazer o imenso clamor que se ouvia e lia e apagar a saudade que a banda da Califórnia deixou ao votar-se ao silêncio em 1992, após o lançamento do mal-amado “Paradise Lost”, do ano transacto. Os três álbuns anteriores, todos na década de 1980 conseguiram granjear um culto enorme e hoje são vistos como peças importantes do heavy metal de linhas mais épicas, lançando pontes para outros estilos, como o doom metal, por exemplo.

Pois bem, esse caminho, paulatino, desta última mão-cheia de anos desembocou neste “Forever Black”, que longe de reescrever o que quer que seja a história do heavy metal, posiciona os Cirith Ungol no seu sítio e no seu tempo: um autêntico regresso aos anos 1980 de uma banda consciente do seu poder, matriz e legado. Ao longo dos nove temas que perfazem este álbum, temos no seu esplendor toda a fórmula e trejeitos que fizeram de “Frost And Fire” ou “King of the Dead” marcos do estilo. Se “Legions Arise” e “The Fire Divine” assumem uma toada mais condizente com a NWOBHM, “The Frost Monstreme” ou “Nightmare” vão mais de encontro a ritmos pausados, mas tudo sempre com um equilíbrio quase cirúrgico, nunca comprometendo, apoiado numa produção que não deslumbra mas que contribui de sobremaneira para concretizar este desígnio e que acaba, também, por nos transportar para a fase áurea da banda.

Ao longo de quase 40 minutos, temos Tim Baker e comparsas a jogar num tabuleiro que conhecem de ginjeira, sem grandes jogadas ou truques, tentativas de soar a moderno ou inflectir por caminhos que poderiam sair desajustados. Jogo limpo, harmónico, sem deslumbre. Sabemos que seria isso que lhes pediríamos ao fim de tamanho jejum. E foi isso que recebemos. E, certamente, tiveram um enorme gozo neste back in business.

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