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Caro Chuck: uma carta ao falecido frontman dos Death por Jeff Becerra (Possessed)

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A 13 de Dezembro de 2001, o mundo perdeu Chuck Schuldiner – fundador, guitarrista e vocalista dos pioneiros do metal extremo da Florida, os Death.

Chuck foi diagnosticado com um tumor cerebral maligno de alto grau no seu 32º aniversário e, após uma batalha de dois anos contra o cancro, faleceu aos 34.

Durante a tragicamente curta vida de Chuck, este estabeleceu-se como uma figura significativa entre os maiores guitarristas metal de todos os tempos e como pioneiro do metal extremo.

Fundados por Chuck em 1983, a influência dos Death na música pesada é inegável. O álbum de 1987, “Scream Bloody Gore”, é amplamente considerado o primeiro verdadeiro registo de death metal e um modelo do género que definia (com a demo de três músicas dos Possessed, a “Death Metal”) o som do death metal.

O lançamento e a sua influência subsequente deram a Chuck o apelido de Godfather Of Death Metal – um título com o qual se sentia desconfortável. Amante liberal da vida, Chuck lutou contra os estereótipos típicos dos músicos metal, condenando drogas pesadas e violência.

De facto, Schuldiner mudou o nome da sua banda para Death, depois de ter perdido o irmão mais velho, Frank, num acidente de viação, a fim de transformar a experiência em algo positivo.

Faz 18 anos que o mundo da música pesada sofreu esta perda devastadora, mas nunca esqueceremos Chuck, Death e o legado que deixou.

Uma pessoa que sempre será profundamente tocada pelo falecido génio da guitarra é seu amigo, contemporâneo e mentor – Jeff Becerra, dos Possessed.

Entrámos em contacto com Jeff para honrar ao 18º aniversário da morte de Chuck, e o antecessor do death metal ficou feliz por falar connosco sobre a falta que ele faz.

Na verdade, Jeff deu um passo mais além e escreveu a Chuck esta mensagem tocante e emocionante.

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Caro Chuck,
foi-me pedido que te escrevesse uma carta para falar de “o porquê de fazeres falta”. E, claro, a primeira coisa que vem à cabeça é que sinto a tua falta porque somos/éramos amigos. Tenho saudades de ir para a casa de Krystal e partilhar malhas, ver-te tocar guitarra e, basicamente, falar de tudo sobre “death metal”.

Foste uma das primeiras pessoas a realmente entender o que os Possessed estavam a fazer e o verdadeiro death metal. Tenho saudades de sentir que ninguém entendeu o death metal como nós e que estávamos a fazer algo revolucionário.

Tinhas um talento incrível e eras um bom amigo. Mesmo que só falássemos sobre “morte” e escrevêssemos sobre escuridão de verdade, eras um tipo realmente porreiro e muito bom de se sair. Sei que se ainda estivesses vivo, estaríamos a rir de todas aquelas revistas e pessoas que agem como se estivéssemos nalgum tipo de “competição”, porque nada poderia estar mais longe da verdade.

Tenho saudades das nossas longas conversas e jams, e de todas as perguntas que fazias e de como me respeitavas e, ao mesmo tempo, eras tão único e individual na tua arte. Tenho saudades daqueles momentos em que ficavas feliz por mostrar-me a tua nova música e o quão orgulhoso estavas por ser meu amigo, e o quanto eu estava/estou orgulhoso por isso e pelas tuas conquistas.

Eras um amigo, um talento, um músico e uma diversão incríveis. Tenho saudades da festa e de como sempre querias mostrar-me a tua última malha. Gostaria que ainda estivesses por perto para que pudéssemos colaborar e fazer uma cena do caraças

Chuck, deste uma contribuição tão monumental ao death metal e ao metal em geral, e o mundo é um lugar melhor por tua causa. Tenho saudades tuas, amigo, e vou encontrar-te no canto esquerdo do Céu.

O teu amigo de sempre,
~ Jeff Becerra / Possessed~

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Consultar artigo original em inglês.

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