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Carach Angren: elixir da imortalidade (entrevista c/ Ardek)

«Queríamos que o álbum fosse muito cinematográfico, mas também experimental.» – Ardek

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Foto: Stefan Heilemann

Recentemente reduzidos a dupla, os Carach Angren chegam ao sexto álbum “Franckensteina Strataemontanus” e com isso mais uma história de terror. Recuperando Conrad Dippel (1673-1734), um alquimista, teólogo e médico alemão conhecido por utilizar técnicas bizarras, que inspirou Mary Shelley (1797-1851) a escrever “Frankenstein” (1818), os holandeses acabam por se inspirar em ambos de modo a criarem mais uma narrativa com assinatura e reviravoltas muito próprias que combinam factos e ficção. Ao longo de 11 faixas testemunhamos experiências científicas que procuram o elixir da imortalidade, espíritos que vagueiam, vampiros e mortos-vivos.

«Queríamos que o álbum fosse muito cinematográfico, mas também experimental.»

Ardek

Embora todos os instrumentos orgânicos estejam presentes no álbum (como guitarra e bateria), parece-nos que “Franckensteina Strataemontanus” é o trabalho mais orquestral de Carach Angren até agora, algo que Ardek (teclados, orquestrações) explana na sua primeira resposta durante a entrevista concedida à Metal Hammer Portugal. «Sempre tivemos a abordagem cinematográfica e orquestral, mas fizemos pequenas variações ao longo dos álbuns, no sentido de onde o foco está. “Death Came Through A Phantom Ship” [2010] precisava de um tom aventureiro e cinematográfico, portanto esses elementos foram amplificados sonoramente. Com “This Is No Fairytale” [2015], procurámos um tom mais agressivo para transmitir a natureza horrível da história. Queríamos que o nosso novo álbum fosse muito cinematográfico, mas também experimental. Existem partes orquestrais, mas também muitas partes mecânicas, mais orientadas ao sintetizador. Portanto, de certa forma, a história que contamos dita a maneira como as composições são feitas, como as letras se desdobram e como a produção é criada.»

A cada novo lançamento discográfico e conceito são criadas novas abordagens instrumentais. Por exemplo, desta vez sente-se uma combinação de orquestrações clássicas e reminiscências de filmes de terror com laivos de ficção-científica. E é isso que separa Carach Angren das outras bandas que usam orquestração – o grupo holandês tem um sentido categórico de narrativa e conceito quando se trata de tal construção. «Sim, é isso que tentamos fazer sempre», corrobora Ardek. «A história de Dippel e Frankenstein em geral dita um nível de experimentação sónica e demorei um bocado para encontrar o tom certo. Para mim, foi como respirar ar fresco (podre), deixando primeiramente a orquestra para trás de modo a explorar sons mais negros e mecânicos nos meus sintetizadores e outros instrumentos. Isso deu-me uma inspiração renovada. No final, também alterei fortemente alguns sons orquestrais. Por exemplo, na faixa-título, há um som quase semelhante a um teremim que era originalmente um violino. ‘Destruí’ o som de tal ordem que foi isso que restou dele e, de alguma forma, parecia muito desolado e misterioso, encaixando-se perfeitamente na música.»

Estudioso da música que é, o teclista afirma que «a orquestra nunca teve a intenção de ser uma ideia fixa», dando exemplos como Wagner, que «mudou bastante a formação da orquestra ao seu gosto», ou Stravinsky e outros, que «exploraram os limites do que era sonoramente possível». «Agora que podemos trabalhar digitalmente com orquestras, abre-se um novo jogo. De certa forma, é divertido ficar o mais próximo possível da orquestra clássica original, mas ao mesmo tempo também é interessante ver aonde se pode levá-la. É muito mais fácil testar combinações de instrumentos com o pressionar de um botão, por assim dizer. No final, nada supera uma execução real, uma orquestra bem gravada e produzida, mas também há algo de mágico em poder controlar todas as notas durante todo o processo. Às vezes, as pessoas pensam que tudo o que é mágico sai do computador, mas é exactamente o contrário. Costumo passar horas intermináveis a examinar cada nota. Também toco a maioria das partes ao piano antes de gravá-las e atribuí-las a diferentes instrumentos. Gosto de manter o máximo da performance original, mesmo que seja transformada em notas midi.» Quem também executou fisicamente foi Nikos Mavridis. «Fiquei muito feliz por trabalhar novamente com Nikos Mavridis, que tocou brilhantemente as partes de violino-solo em “Sewn for Solitude” e “Like A Conscious Parasite I Roam”.» E o departamento de produção não foi esquecido nesta conversa: «O Robert Carranza fez um trabalho absolutamente fenomenal na mistura. Ficámos encantados. Clareza é algo que quase nunca se ouve no nosso género.»

«O Seregor é um vocalista, músico e actor incrível, e sinto que este é definitivamente o melhor desempenho dele até hoje.»

Ardek

Num álbum que dá alguns passos em frente no que à construção de ambientes e cenários através da orquestra diz respeito, Seregor, na voz, assume o seu papel com uma aplicação mais diversificada, incarnando personagens e momentos específicos mais apaixonadamente do que nunca. «O Seregor é um vocalista, músico e actor incrível, e, sim, sinto que este é definitivamente o melhor desempenho dele até hoje», elogia. «Nós, como artistas, esforçamo-nos sempre para melhorar e desenvolver, por isso é óptimo ouvir as vossas opiniões. Iniciámos o processo para este álbum muito cedo e, basicamente, gravámos as vozes quase duas vezes. Dessa forma, tivemos mais tempo para experimentar e ver o que funciona e o que não funciona. Todo o processo de gravação foi muito divertido. Ele fez tudo sem falhas e com mestria.»

“Franckensteina Strataemontanus” é o título do novo álbum dos Carach Angren e tem data de lançamento a 26 de Junho de 2020 pela Season Of Mist. Lê a review AQUI.

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