Entrevista a Burning Witches. Burning Witches: bruxedo helvético
Foto: Kevin Grab

«Este álbum foi criado sem qualquer pressão.»

Romana Kalkuhl

Um ano depois do terceiro álbum “Dance with the Devil”, as Burning Witches regressam estrondosamente com o novo tento intitulado “The Witch of the North”. Preparado para se tornar um clássico do heavy metal dos nossos dias, este novo trabalho é feito de honestidade e aço a sério.

Em pouco mais de cinco anos, estas bruxas suíças tornaram-se uma das bandas pesos-pesados do género-mãe do metal num universo maioritariamente masculino e poucos nomes se podem dar ao luxo de tal feito, especialmente quando pouco se inventa. As referências, essas são fáceis de interiorizar: Judas Priest, Iron Maiden, Manilla Road ou Cirith Ungol.

«Não gostamos muito de grandes experiências», confessa a guitarrista e compositora principal Romana Kalkuhl através da Nuclear Blast Records. «Ficamos incendiadas por metal clássico como o de Maiden, Priest e Slayer. Para mim, não há nada melhor do que esse tipo de música, por isso as Burning Witches permanecerão fiéis a si mesmas. Sempre que alguém vem à minha casa para uma churrascada, muito raramente ouvirá um disco que não nasceu nos anos 80.»

Desses 1980s ao ano de 2021, as Burning Witches forjaram um disco no meio das chamas pandémicas com paciência e fineza nos negros bosques de terras helvéticas, onde desencadearam novos feitiços heavy metal prontos a serem espalhados com potência pelo mundo. Tudo por Freya, pelas druidas, pelas bruxas do passado, do presente e do futuro.

«Somos amigas próximas e gostamos muito de estar juntas», afirma Romana. «Quase nada nos dá tanta alegria como a música, e é por isso que criamos muita música em conjunto. Claro que também vamos a bares, mas como isso não foi possível durante um tempo e como também não podíamos dar concertos, ficámos a compor músicas novas e continuámos a ensaiar mais do que nunca. Nunca tivemos tanto tempo para músicas novas. Este álbum foi criado sem qualquer pressão.»

«Quase nada nos dá tanta alegria como a música.»

Romana Kalkuhl

Assim, no final de 2020, as sessões de estúdio com V.O. Pulver e Schmier (Destruction) começaram a dar forma a um álbum que, sem digressões pelo meio, foi conjurado mais cedo do que se esperava.

«Conhecemo-nos bem e o V.O. Pulver sabe exactamente o que queremos. Ele está sempre a apertar connosco para intensificarmos o nosso jogo», diz Romana sobres as tais sessões. A estadia revelou-se fácil e produtiva. «Fazemos a música que está dentro de nós, mas adicionando-se sempre novos elementos ao som para o manter empolgante. Desta vez, queríamos soar mais épicas e um pouco mais pesadas, apenas um pouco mais como o tipo de heavy metal que mais gostamos. É só nisso que pensamos.»

Para além das composições originais, esta congregação de magia negra também dá azo a homenagens com versões de clássicos. Depois de “Holy Diver” (Dio) e “Battle Hymn” (Manowar), chega agora a vez de “Hall of the Moutain King” dos Savatage. Sobre a reinterpretação que conta com um solo de Chris Caffery, que passou pelos próprios Savatage, Romana comenta: «Inicialmente estávamos inclinadas a fazer uma cover de Saxon, porque os vimos ao vivo muitas vezes. Depois, a Laura [Guldemond, voz] sugeriu a “…Mountain King” e a ideia deixou-nos a todas instantaneamente empolgadas.» Tal entusiasmo fez com que Romana comprasse o mesmo modelo de guitarra que o falecido Chriss Oliva (1963-1993) usou para gravar a música em 1987. Conclui: «Queríamos manter viva a origem dessa música e da nossa banda. Queremos homenagear as raízes e homenagear as bandas que nos moldaram. O que somos agora devemos a essas bandas antigas. Isso significa muito para nós.»

Com data de lançamento a 28 de Maio de 2021, “The Witch of the North” dispara as Burning Witches para uma nova era, não só no seio da banda como no espectro global do heavy metal, e quem ficar para trás só tem duas hipóteses: arrependimento ou condenação.