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Borknagar “True North”

“True North” é o 11º longa-duração dos Borknagar e, mais uma vez, não desaponta, mesmo ao fim de 25 anos.

Editora: Century Media Records
Data de lançamento: 27.09.2019
Género: black/prog metal
Nota: 4.5/5

Sempre muito próximos da perfeição, os Borknagar deixam para trás o Inverno triplicado de “Winter Thrice” (2016) e dão lugar a algo que se relaciona bastante – o verdadeiro Norte. “True North” é, assim, o 11º longa-duração dos noruegueses e, mais uma vez, não desaponta, mesmo ao fim de 25 anos.

Actualmente sem Vintersorg, que se ocupou das vozes ásperas entre 2000 e 2019, ICS Vortex (Arcturus, ex-Dimmu Borgir) tem agora a dupla responsabilidade de digladiar berros e vocais limpos, sendo que é pelos últimos que o multi-instrumentista é mais conhecido. Depois da excelente prestação em “Arcturian” (2015) dos Arcturus e “Winter Thrice” dos Borknagar, ICS Vortex prova que quanto mais velho está, mais exímio a cantar é, sendo considerado, sem dificuldades, um dos melhores vocalistas metal do nosso tempo.

E se ouvir ICS Vortex é um deleite, com toda a sua gama vocal diversificada e sedutora, os seus companheiros em nada lhe ficam atrás. Com o guitarrista Øystein G. Brun ao leme das operações, sem esquecermos os incríveis préstimos do teclista Lars ‘Lazare’ Nedland, “True North” pode muito bem a vir ser considerado um dos melhores discos de 2019.

Num álbum maioritariamente em up-lifting mode, “Thunderous” é uma faixa inaugural altamente catchy que nos arrebata imediatamente com os seus oito minutos e meio, dando depois espaço a “Up North” e “The Fire That Burns”, os dois singles já conhecidos que continuam a colocar este lançamento no topo dos topos se falarmos em paisagens épicas e emotivas. Sem nunca se confundir a veia épica e energética com alegria, “Lights” é mais uma composição ultra-cativante que talvez nos faça querer voltar a ouvi-la antes de seguirmos para “Wild Father’s Heart”, uma faixa melódica mas mais lenta e com nuances de doom metal melódico cheio de atmosfera.

Caminhos em direcção ao metal progressivo também merecem uma nota que não podemos deixar de frisar, sendo algo que se vai sentindo ao longo da audição mas que se evidencia com mais clareza na sexta “Mount Rapture”, uma faixa que sobe e desce em intensidade e nos atordoa a atenção com um ziguezague de estruturas e texturas, em que os solos de guitarra e os leads de teclado, estes orientados aos 1970s, brilham imaculadamente. Por seu lado, “Into The White” projecta-se em novas experimentações progressivas, mas desta vez de forma mais densa e furiosa, com os leads de guitarra a fornecerem mais um toque doomy e Vortex a mover-se, como sempre, entre a escalada do berro black metal e a suavidade de uma voz limpa e aberta.

Cada vez mais próximos do encerramento do álbum, os Borknagar não tiram o pé do acelerador, tanto a nível de andamento como de criatividade, como podemos testemunhar na longa “Tidal” que se apresenta como o tema mais contrastante dentro de si mesmo em comparação aos restantes companheiros de alinhamento – isto é, tanto surge colérica com tudo aquilo que lhe é devido (rapidez, aspereza, negritude) como se acalma em melodia afecta novamente ao prog com secções mais suaves e atmosféricas. Na derradeira fase deste álbum é “Voices” que nos acompanha numa jornada solitária rumo ao cume da mais gelada e íngreme montanha nórdica, e são essas vozes, que não nos saem da cabeça e que nos atraem, que carinhosamente e em clímax nos libertarão momentaneamente de “True North”, mas será mesmo por um curto momento porque é tão claro como a límpida água glacial que seremos obrigados por nós próprios a voltar à primeira faixa para nos enrolarmos outra vez neste grandioso disco.

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