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Øystein Brun (Borknagar): «Quero que ouçam e achem que isto é música verdadeira e genuína feita por pessoas que deram todo o seu coração e alma»

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O novo disco dos Borknagar intitula-se “True North” e foi lançado no final de Setembro passado pela Century Media Records. Por isso, a Metal Hammer Portugal esteve à conversa com o guitarrista e compositor principal Øystein Brun que nos diz sentir pouca pressão quando chega o momento de lançar um novo trabalho, tendo em conta as grandes reviews a discos anteriores e o medo de decepcionar os fãs. «Não quero ser convencido ou algo do género, mas já faço isto há tantos anos. Ao longo dos anos evoluí ao ponto de confiar em mim próprio. Quando componho música, desligo-me do mundo, isolo-me e fico com a música. Não sinto pressão nesse sentido. Claro que leio críticas e recebo opiniões dos fãs, mas ao longo dos anos percebi que toda a gente tem a sua opinião.»

“True North”, que é o décimo primeiro longa-duração de Borknagar, é um álbum muito dinâmico e com uma diversidade palpável de faixa para faixa. Por isso, perguntámos ao norueguês qual foi o maior objectivo alcançado com este disco. Øystein fala em honestidade. «Para mim, desde o primeiro dia, sempre foi sobre honestidade na música. Quero que as coisas sejam terra-a-terra, tenho um aspecto muito humano da música. Por outro lado, tens aquela música muito produzida e genérica por vezes. Tento sempre aproximar-me o mais possível dos ouvintes quando compram o meu disco ou o ouvem na Internet – no YouTube ou no Spotify. Quero mesmo que as pessoas ouçam a música e achem que isto é que é música verdadeira e genuína feita por pessoas que deram todo o seu coração e alma. Não é forçado, não finjo ser alguém que não sou. Nunca uso corpse-paint, porque quero ser eu, orgulhoso do que faço. Sempre usei o meu nome verdadeiro na indústria musical, porque sempre tive a ideia de que quero fazer música que posso defender, aconteça o que acontecer. Mesmo que vá a uma entrevista de emprego, ou o que quer que aconteça no futuro, quero sentar-me à mesa e estar orgulhoso do que fiz. Para mim, toda a honestidade e orgânica devem soar humanas. Claro que há toda a produção e instrumentos e blá blá blá… Mas a coisa mais importante, na minha opinião, é que a música deve, de certa forma, espelhar a minha vida.»

Com os olhos postos no título “True North” e com todo o hype de se ser nórdico devido a séries como Vikings e Game Of Thrones, perguntámos ao norueguês o que é que o norte significa para si. Øystein conta-nos sobre a juventude passada na floresta, as idas para escola de ski e a falta de neve nos dias de hoje. «Para mim, isto é sobre honestidade no sentido em que vivo nesta área e cresci nesta área. Cresci basicamente na mesma área onde moro agora, e passei a minha juventude na floresta, estou perto da natureza. Tinha a minha faca e as minhas botas, e ia para a floresta, fazia flautas de ramos de árvores – todas essas coisas que fazíamos na região rural da Noruega. Claro que no Inverno fazíamos ski. Recordo-me quando era criança, e ia para a escola, na minha zona era normal ir para escola de ski. Era assim. Infelizmente agora temos uma crise climatérica, por isso já não há neve nesta área e temos de ir às montanhas altas para termos um Inverno a sério. Mas está no meu sangue. No dia em que me sento a compor a minha música e as minhas letras, tenho de ligar isso ao meu passado, o que é muito importante. Para mim, isto é uma maneira de ser honesto, porque está frio na Noruega, chove na Noruega.»

Após nove anos ao serviço dos Borknagar, o vocalista Vintersorg, líder de outra banda com o seu nome, abandonou a posição de vocalista devido a um acidente sobre o qual Øystein detalha de seguida, sem esquecermos a espectacular performance do vocalista ICS Vortex, um dos melhores do mundo na actualidade e reconhecido pelo seu trabalho em Borknagar, Arcturus e Dimmu Borgir. «Vimos que isso ia acontecer de certa forma, porque, quando fizemos o “Winter Thrice”, o Andreas [Vintersorg] teve um acidente bastante mau. Ele caiu no chão e lesionou a cabeça gravemente. Felizmente, recuperou e agora está bastante bem, mas ficou com problemas auditivos num dos ouvidos que já não está a funcionar muito bem. Ele também tem um emprego na Suécia ao qual se dedica e tem a responsabilidade educacional de ensinar miúdos a programar. Tivemos uma conversa sobre isto há cerca de um ano, do tipo ‘quais são os teus planos?’. Não houve absolutamente nenhum ressentimento, e tivemos uma conversa aberta e boa sobre isto, e sentimos que nessa altura íamo-nos separar, e continuámos com o Simen [ICS Vortex] e o Lars como vocalistas. Continua a ser um dos meus melhores amigos, por isso não há problema nenhum. O Simen é um vocalista brilhante, concordo totalmente, acho que é absolutamente o melhor nesta indústria.»

O ano 2020 marcará vigésimo quinto aniversário de existência dos Borknagar, e sabendo que “True North” já é parte dessa celebração, sondámos o guitarrista nórdico sobre a possibilidade de um DVD ou um álbum ao vivo, sobre o qual obtivemos uma resposta que muita gente pode não estar à espera… «Sobre celebrações, não sou um tipo de festas, sou o oposto disso. Não sei… Não é a minha reacção natural fazer uma festa sobre coisas; mas, para mim, a melhor maneira de celebrar a música e a carreira é fazer música. Para nós, por exemplo, “Winter Thrice” foi uma espécie de celebração porque era o décimo álbum, e fazia 20 anos desde que eu e o Garm [ex-vocalista] nos juntámos pela primeira vez para gravar as vozes do primeiro álbum. De modo a celebrar isso, fizemos uma canção com todos os vocalistas, uma coisa fixe de se fazer. Quanto ao “True North”, celebramos através da nossa música. Acho que a celebração, pelo menos neste ponto da carreira, passa por conseguirmos fazer tamanho álbum. Vamos acelerar um pouco e estar em digressão e em festivais. Celebrar música assim é, para mim, a melhor maneira de celebrar a vida, viver a vida, se é que me faço entender, e o mesmo para a música. A melhor maneira de celebrar música é tocar música. Não sou muito adepto de DVDs e assim, nunca vejo essas coisas. Álbuns ao vivo, não gosto, nunca estive nessa. Mas veremos…»

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