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Body Count “Carnivore”

Com sangue da velha-guarda e cheios de street knowlegde, os Body Count assumem-se como uma banda com uma sonoridade contemporânea em mais um álbum duro, mesmo na cara, e com uma produção exemplar.

Editora: Century Media Records
Data de lançamento: 06.03.2020
Género: rap metal
Nota: 3.5/5

Com sangue da velha-guarda e cheios de street knowlegde, os Body Count assumem-se como uma banda com uma sonoridade contemporânea em mais um álbum duro, mesmo na cara, e com uma produção exemplar.

Pioneiros do rap metal fundados em 1990, os Body Count nunca cresceram tanto em fama e em termos comerciais como nos últimos anos com os álbuns “Manslaughter” (2014), “Bloodlust” (2017) e agora o novo “Carnivore”. Estão de pedra e cal!

O início, com o tema-título, é preenchido por sirenes, um acto de emergência, com um tiro pelo meio, que precede uma faixa pesada e breakada com uma guitarra lead que personifica as tais sirenes anteriores. Seguidamente, com Riley Gale (Power Trip) a emprestar a sua voz encorpada e agressiva, os Body Count incutem algum thrash e powerviolence em “Point The Finger”.

Se o discurso já era fluído, em “Bum-Rush” torna-se ainda mais com um Ice-T sem papas na língua, afirmando que nada pode parar o poder da vontade de mudança. Os melhores riffs desta fase inicial do álbum surgem também nesta faixa, que será um hino instantâneo dos veteranos.

Depois da homenagem a Lemmy Kilmister, com uma cover de “Ace of Spades”, os Body Count desaceleram um pouco com “Another Level”, tema em que se inclui Jamey Jasta (Hatebreed), e, logo após, como um dos principais responsáveis deste disco, o baixo de Vince Dennis ouve-se finalmente como elemento central na gingante “Colors – 2020”, provavelmente a composição mais simples e ortodoxa do disco em que ainda há espaço para se ouvir um solo alucinante.

Compassada mas com guitarras gordas e pesadas como um martelo pneumático, “No Remorse” impressiona também pelas letras foribundas de Ice-T – «Fuck you, I refuse to apologize!» Porém, depois da tormenta vem a bonança, ou neste caso vem a emoção, pois “When I’m Gone” é o momento mais emotivo e sentimental do álbum, em que Ice-T se inspirou no homicídio do rapper Nipsey Husle (1985-2019). Pensada para ter mais uma voz convidada, a tarefa estava difícil de cumprir até que um amigo de Vince Dennis conseguiu Amy Lee dos Evanescence. Improvável? Sim, por tudo o que conhecemos da sonoridade de Body Count de um lado e de Evanescence do outro, mas eficaz e com um resultado final bem conseguido.

“Three Critical Breakdown” e “The Hate Is Real” fecham o novo trabalho dos californianos com grande ritmo e peso – dois ataques sónicos em que reina a sempre certeira bateria Ill Will e as guitarras incessantes e incisivas de Ernie C e Juan of the Dead. Com um pouco mais de destaque para a segunda das duas faixas referidas (muito devido ao conceito lírico que resume tudo – «The love is fake, but the hate is real!»), esta dupla final recupera muito do que estava a ser prometido no início do disco.

Com sangue da velha-guarda e cheios de street knowlegde, pois cada letra é um tratado à perigosa vida de rua onde todos estão contra todos – sejas branco, preto, sóbrio, toxicodependente, correcto, ladrão, civil ou polícia –, os Body Count assumem-se como uma banda com uma sonoridade deveras contemporânea em mais um álbum duro, mesmo na cara, e com uma produção exemplar.

Ouve a entrevista com Vince Dennis imediatamente abaixo.

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