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Bodom After Midnight: Alexi vive em cada shredding!

Entrevista a Bodom After Midnight.

Foto: Terhi Ylimäinen

«Tudo isto ensinou-me que nunca sabes quando verás alguém pela última vez.»

Waltteri Väyrynen sobre a morte de Alexi Laiho

«Tudo isto ensinou-me que nunca sabes quando verás alguém pela última vez e que deves aproveitar e valorizar ainda mais todos os bons momentos com os teus amigos e entes queridos, porque um dia pode não haver outra hipótese», diz-nos o baterista Waltteri Väyrynen, o jovem nascido em 1994 que ficou mundialmente conhecido ao integrar as fileiras de Paradise Lost em 2016 e por fazer parte dos fugazes Bodom After Midnight (BAM). Claro que está a falar da perda de Alexi Laiho, falecido em Dezembro de 2020 – o herói da guitarra da nossa geração que pôs o metal em rebuliço quando na segunda metade dos 1990s estendeu novas dinâmicas ao género com Children of Bodom (CoB) através de uma mescla de death, black, heavy e neoclássico em álbuns como “Hatebreerder” (1999), “Follow the Reaper” (2000) e “Hate Crew Deathroll” (2003).

No final de 2019, os CoB decidiram terminar após pouco mais de 25 anos (se contarmos com os tempos de Inearthed), mas a história não terminaria aí. «O Alexi e o Daniel [Freyberg] já tinham decidido que queriam continuar a tocar aquelas músicas e também queriam compor novo material com um novo nome e uma formação diferente.» Nascia assim Bodom After Midnight, banda que iria ser fortalecida pela bateria de Waltteri e pelo baixo de Mitja Toivonen. «Acho que ambos dissemos imediatamente que sim», recorda sobre o convite. «Depois tentámos tocar algumas músicas e percebemos logo que tudo funcionava muito bem musical e quimicamente.»

As novas músicas começaram a obter a sua forma através do próprio Alexi Laiho, mas Waltteri reitera que para o líder «foi importante desde o início que BAM fosse considerada uma banda a sério em vez dum projecto a solo». Continua: «Éramos todos membros equivalentes e trouxemos as nossas ideias para cima da mesa. É óbvio que o Alexi compôs os riffs e as melodias, mas estávamos todos muito envolvidos quando se tratava de fazer arranjos e de adicionar os toques finais às músicas.»

As coisas estavam bem encaminhadas. Três concertos («vou recordá-los para o resto da minha vida», assegura Waltteri), primeiro um EP, mais tarde um LP. Tudo foi tragicamente interrompido quando nos primeiros dias de 2021 foi revelado através das redes sociais que Alexi Laiho já não estava entre nós desde 29 de Dezembro de 2020. Um baque – enorme! O metal tinha perdido um dos seus filhos mais geniais.

A recordação que temos de Alexi ficará para sempre estabelecida nos discos de Children of Bodom, mas a derradeira tem a forma do EP “Paint the Sky with Blood” com assinatura de Bodom After Midnight. Com duas composições inéditas e uma cover, o tema-título e “Payback’s a Bitch” mostram-se fortes, refrescantes e dinâmicas. A musicalidade entre o grupo é grande e as habilidades de Alexi são simplesmente surpreendentes, como sempre foram. Para além disso, há uma excelente sensação à CoB da velha-guarda.

«Estamos todos muito orgulhosos do resultado final, e o Alexi também.»

Waltteri Väyrynen sobre o EP “Paint the Sky with Blood”

«Estamos todos muito orgulhosos do resultado final, e o Alexi também», diz Waltteri. «Tínhamos acabado de masterizar as músicas algumas semanas antes da sua morte e pensámos que seria um começo muito forte e refrescante para a banda, e estávamos ansiosos por lançá-las e tocá-las ao vivo. Claro que agora parece muito agridoce perceber que não haverá mais músicas – este EP é o primeiro e o último lançamento desta banda, mas ao mesmo tempo estamos extremamente honrados por fazer parte disto e por lançarmos o EP para celebrar a memória do Alexi.»

A cover que completa o EP é nada mais, nada menos do que a já de si fantástica “Where Dead Angels Die”, um original de Dissection. Alexi & Cia. assinaram a versão com o seu próprio toque e punção à Bodom, mas tendo-se em conta o conceito da música e o destino de Jon Nödtveidt, que se suicidou em 2006, tentámos ir para além do som e perceber se esta escolha tinha sido uma premonição..

«Na verdade é apenas uma coincidência, mas agora, de certa maneira, olho para isso como o fecho dum círculo», reflecte o baterista. «Acontece que sugeri fazer-se essa música quando pensámos numa cover para o EP, já que Dissection é uma banda muito importante para todos nós – e o Alexi tinha um grande respeito pelo trabalho do Jon. Então, inicialmente era apenas sobre gravar-se uma cover duma música preciosa e significativa e dar o nosso melhor para lhe fazer jus, mas agora estou ainda mais satisfeito por ser exactamente aquela música. Não podia imaginar um encerramento melhor para este lançamento.»

Sem mais músicas gravadas em conjunto e sem sobras, visto que o quarteto iria começar a trabalhar no álbum no início de 2021, o EP “Paint the Sky with Blood” é a derradeira despedida de Alexi Laiho e de tudo o que é sinónimo de Bodom. Tão revoltante quanto gratificante, resta-nos celebrar o homem e a sua arte – Alexi vive em cada shredding!

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