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Blut Aus Nord “Hallucinogen”

Camaleónicos da música extrema, é desde 1994 que os Blut Aus Nord estão relacionados ao black metal tradicional e melódico, death metal, industrial, electrónica e post-metal, sendo conhecidos também pelas trilogias “Memoria Vetusta” e “777”.

Editora: Debemur Morti Productions
Data de lançamento: 20.09.2019 (digital) / 11.10.2019 (físico)
Género: black metal
Nota: 4/5

Camaleónicos da música extrema, é desde 1994 que os Blut Aus Nord estão relacionados ao black metal tradicional e melódico, death metal, industrial, electrónica e post-metal, sendo conhecidos também pelas trilogias “Memoria Vetusta” e “777”.

A comemorarem 25 anos de existência, o 13º álbum intitula-se “Hallucinogen” e, segundo a banda, «marca um novo estágio no processo de regeneração perpétua», isto porque o duo principal (uma vez que agora é, na realidade, um quarteto) nunca pretende congelar a sua criatividade e manter-se na mesma gama sonora, como a discografia diversificada tão eficazmente demonstra.

Dito isto, “Hallucinogen” possui um registo que combina black metal melódico baseado na velha-guarda com post-black metal atmosférico e luzidio pertencente aos dias que correm. Canalizadora de energias – renovando a escuridão em luz, o material em experiência espiritual e o vazio em preenchimento sensorial –, a banda francesa confia na sua toada melodiosa, criando leads iridescentes, cascatas de riffs hipnóticos, espirais emocionais e atmosfera densa. Confia e bem, porque “Hallucinogen” é uma experiência optimizada, desde a bombástica, harmoniosa e monástica “Nomos Nebuleam” até à última “Cosma Procyiris” com todo o seu cariz ambient e cerimonial.

Para além do referido em relação a guitarras e ambiências, os Blut Aus Nord sustentam-se também numa bateria corrida que se sente orgânica. Contudo, a ala vocal é a situação menos explorada, e percebe-se porquê: com um álbum tão sensorial e orientado ao poder que uma guitarra tem para emanar melodia, os franceses decidiram utilizar vozes em momentos muito específicos, deixando que as emoções fossem transmitidas pela electricidade orgânica dos instrumentos e não pelo poder das palavras. Assim, aqui e ali, podemos ouvir uns berros esporádicos e várias conjugações de vozes limpas, ritualistas e algo longínquas, como se fosse um sonho.

Caído um bocado do céu, mesmo tendo-se em conta que “Deus Salutis Meæ” já saiu há dois anos, “Hallucinogen” tem tudo a ver com a contemporaneidade dos experimentalismos efectuados no black metal, mas, e mais importante, tem a ver com a essência inovadora que os Blut Aus Nord teimam, e bem, em coroar como rainha e senhora de uma postura e sonoridade invejáveis, carismáticas e evolutivas.

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