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Barishi “Old Smoke”

“Old Smoke” é um trabalho ambicioso com um desempenho técnico de categoria que beneficiou de uma boa produção.

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Editora: Season Of Mist
Data de lançamento: 24.04.2020
Género: prog metal
Nota: 3/5

“Old Smoke” é um trabalho ambicioso com um desempenho técnico de categoria que beneficiou de uma boa produção.

Depois da edição de “Blood From The Lion’s Mouth” em 2016, a Season of Mist apresenta “Old Smoke”, o segundo álbum de Barishi, uma banda de Vermont, Estados Unidos, formada em 2010 pelo guitarrista e vocalista Graham Brooks, com Jon Kelley no baixo e Dylan Blake na bateria. Mickey Allred é um músico convidado que neste álbum se ocupa dos teclados e sintetizadores. O alinhamento é composto por seis temas compactos, tecnicamente complexos e marcados por uma dinâmica progressiva, que se estendem por largos minutos na sua maioria, com o tema-título a ser o mais extenso, indo além dos treze minutos. “Cursus Ablaze” é a única excepção – um instrumental sombrio e acústico com cerca de dois minutos. Os Barishi decidiram apostar na experimentação e na criação de uma sonoridade mais violenta e exigente com um estilo de composição intrincado pouco aliciante numa primeira impressão.

“The Silent Circle” é a faixa de abertura marcada pela construção de uma muralha de som blindada e robusta, pautada por algumas passagens atmosféricas, mas sobretudo por um groove espesso e pesado que se adensa no crescendo que acompanha a dilatação dos riffs à medida que o tema progride. Nestes primeiros dez minutos, ficamos também a conhecer uma das principais novidades de “Old Smoke”: o registo vocal empedernido e diabólico de Graham Brooks, que se ocupa pela primeira vez desta função depois da saída do vocalista Sascha Simms, presente no álbum anterior.

O tema seguinte, “Blood Aurora”, é um dos mais bem-conseguidos numa composição que se divide em diversidade: desde a brutalidade do momento inicial na vocalização rugida de Graham Brooks, ao gordo zumbido duma guitarra em ziguezague inserido ao início e repescado no final, passando por um solo que leva a guitarra pela primeira vez para o campo dos agudos, a que se sucede uma passagem por ambiências mais atmosféricas, para culminar explosivamente ao ritmo veloz da bateria. De seguida “The Long Hunter” encerra a primeira parte do disco antes do interlúdio “Cursus Ablaze”. Este é um dos temas mais imediatos e directos, com uma estrutura menos elaborada a repor o peso e a tónica no groove.

“Entombed in Gold Forever” foi o tema escolhido para single e videoclipe, com um trabalho de animação de Joey Carlino. À semelhança de “The Long Hunter”, é um dos dois temas a rondar os seis minutos e meio que obedece igualmente a uma estrutura mais convencional, com riffs selvagens e uma abordagem musical que não difere muito do estilo de outras bandas na linha da frente do metal moderno. O tema-título é um dos melhores do álbum, à semelhança de “Blood Aurora” que confirma a facilidade que a banda tem na escrita e composição de canções. Desponta numa cadência vagarosa com Graham Brooks pela primeira vez num registo vocal limpo, e avança sob a orientação do metal progressivo numa marcha negra, com diferentes variações de intensidade e velocidade, enquanto recupera simultaneamente a agressividade e dureza do início do álbum.

Este registo não é fácil e obriga a repetidas audições para que possamos assimilar na íntegra a sua essência. “Old Smoke” é um trabalho ambicioso com um desempenho técnico de categoria que beneficiou de uma boa produção; no entanto, deixa muitas pontas soltas e por vezes soa retorcido, disperso e opaco. A pluralidade e coexistência do segundo álbum, com elementos de subgéneros como o death e o black metal ou o sludge, prog e post-metal, são factores que se podem tornar numa faca de dois gumes para os Barishi. Numa perspectiva optimista, este resultado pode ser interessante para os fãs de Mastodon, Kylesa, Yob ou Kvelertak.

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