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Azusa “Loop of Yesterdays”

“Loop of Yesterdays” regista uma grande evolução em relação ao álbum de estreia, com melhorias a vários níveis.

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Editora: Indie Recordings
Data de lançamento: 10.04.2020
Género: thrash metal / hardcore / experimental
Nota: 4/5

“Loop of Yesterdays” regista uma grande evolução em relação ao álbum de estreia, com melhorias a vários níveis.

“Loop of Yesterdays” é o segundo registo na discografia do projecto intercontinental Azusa. Quando a vocalista grega Eleni Zafiriadou (Jumbo Jet, Sea + Air) e o baixista norte-americano Liam Wilson (The Dillinger Escape Plan) se reuniram pela primeira vez em Oslo com o guitarrista Christer Espevoll nos Hawk Studios, do baterista, produtor, e engenheiro de som David Husvik (Extol), para as gravações do álbum de estreia “Heavy Yoke” (2018), ficou algum material na gaveta, do qual veio a resultar este “Loop of Yesterdays”. Se os noruegueses sabiam de antemão a direcção a tomar desde início no projecto Azusa, as reacções positivas a “Heavy Yoke” serviram para rever a fórmula e recorrer a melhorias na mistura, com a ajuda de Nick Terry (Serena Maneesh, Kvelertak, Turbonegro, etc.), e na masterização, com o engenheiro de som Jens Bogren (Opeth, At The Gates, Between The Buried And Me, etc.).

O tema de abertura “Memories of An Old Emotion” capta na perfeição a essência deste “Loop of Yesterdays”. A voz elástica de Eleni Zafiriadou veste como uma luva o dramatismo das letras introspectivas e confessionais de Christer Espevoll, e adapta-se com facilidade às constantes mudanças rítmicas e melódicas impostas pelos instrumentistas do projecto Azusa à velocidade do thrash-core. As influências do rock progressivo, do jazz de fusão e algumas construcções indie-pop assinaláveis vieram dar origem a definições como avant-thrash, avant-metal ou thrash progressivo para classificar esta sonoridade (alguns dos termos contraditórios cada vez mais habituais na reformulação do underground metal). Se levarmos em conta que os Azusa são uma construção de David Husvik e Christer Espevoll com alicerces no projecto de technical thrash metal Absurd² e conhecendo o apetite dos dois Extol pelo experimentalismo, todos esses rótulos podem ser validados. A presença de um baixista com o historial de Liam Wilson nos TDEP, os pais do mathcore, estilo igualmente conotado com complexidade técnica, também não deixa margem para dúvidas.

Desde o segundo tema, “One Two Many Times”, até ao final do álbum, a voz de Eleni Zafiriadou há-de voltar a erguer-se de igual forma por entre as batidas da bateria desenfreada de David Husvik, o pilar principal desta sonoridade, e por entre atmosferas ferozes de riffs atléticos, mais técnicos numas vezes, noutras mais melódicos, movimentando-se agilmente com uma agressividade hardcore e entoando suavidade e dolência nos momentos pop mais etéreos e melancólicos de ambiente shoegaze, apesar de por vezes se assemelhar à oferta dos Oathbreaker, o que não tem nada de negativo. Alex Skolnick, dos Testament, foi convidado para emprestar um solo com a sua imagem de marca ao tema “Detach”, terceiro no alinhamento, e repôr a tónica no thrash metal dominante ao longo de todo este registo. “Seven Demons Mary”, a faixa seguinte, merece destaque pelo excelente trabalho do baixista, enquanto “Support Becomes Resistance” não passa de um interlúdio vazio.

As demonstrações de virtuosismo, por vezes exageradas, podem parecer camufladas pela curta duração dos temas, mas são tão notadas e evidentes quanto a admiração e atracção destes instrumentistas pelas técnicas do jazz de fusão e do rock progressivo desenvolvidas por guitarristas como Larry Coryell e Allan Holdsworth ou pelo baterista Bill Bruford. Talvez por isso, pela complexidade de alguns temas demasiado elaborados ou por uma excessiva preocupação técnica, “Loop of Yesterdays” possa derivar nisso mesmo, na revisão da matéria dada nos anos 1970.

Dos doze temas que completam o álbum, “Monument” será o que melhor sintetiza a fórmula dos Azusa nos termos das coordenadas musicais a seguir – uma fórmula e uma estrutura de composição repetida nos primeiros três temas do álbum e em “Rapture Boy” e “”Skull Chamber”. Para contrariar esta tendência, a contribuir para a diversidade do álbum temos o tema homónimo, num registo semi-acústico cantado de forma poética em modo spoken-word, e o décimo tema “Kill-Destroy”, preenchido pela jarda e pela fúria do punk-hardcore. Para o final, em “Golden Words” e “Aching Ritual”, os Azusa trocam-nos as voltas e apresentam duas canções cuja construção mais se assemelha à do indie-rock dos anos 1990.

“Loop of Yesterdays” regista uma grande evolução em relação ao álbum de estreia, com melhorias a vários níveis, deixando uma boa primeira impressão. Azusa fica agora mais vinculado ao desempenho vocal da grega Eleni Zafiriadou e ao excelente trabalho do baterista David Husvik. Onde ele imprime velocidade, ela corresponde com tal agressividade que o thrash-core passa definitivamente a contar com uma nova e impiedosa vocalista. Com esta dupla associada ao ex-baixista dos The Dillinger Escape Plan e ao guitarrista Christer Espevoll, reúne-se um supergrupo com uma nova proposta para os apreciadores de música extrema.

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