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Axel Rudi Pell “Sign Of The Times”

O facto de Axel Rudi Pell ter conseguindo manter uma fórmula musical coesa ao longo de toda a sua discografia demonstra bem a sua astúcia.

Editora: Steamhammer / SPV
Data de lançamento: 08.05.2020
Género: heavy/power metal
Nota: 4/5

O facto de Axel Rudi Pell ter conseguindo manter uma fórmula musical coesa ao longo de toda a sua discografia demonstra bem a sua astúcia.

Em “Sign Of The Times”, Axel Rudi Pell não demonstra sinais de envelhecimento neste seu 18º álbum de estúdio. O veterano guitarrista alemão apresenta-nos uma interessante paleta sonora que certamente agradará aos fãs de um heavy metal mais melódico, mas que também não deixará indiferente o ouvinte que preze as sonoridades mais extremas.

A introdução épica ao som do instrumental “The Black Seranade” prepara-nos para a descarga musical que se avizinha, com uma sonoridade misteriosa e sempre em crescendo. Axel Rudi Pell consegue captar logo o ouvinte através da emoção com que dedilha as cordas da guitarra ao mesmo tempo que cria um clima de antecipação para o que virá a seguir.

E o que vem a seguir é a poderosa “Gunfire”, com o seu double bass infernal e com uma estética setentista a la Deep Purple/Rainbow, não fosse Richie Blackmore a maior referência de Pell. A juntar estão os vocais de Johnny Gioeli que proporcionam à faixa um carácter ainda mais triunfal. No entanto, quando estamos a falar de um álbum de Axel Rudi Pell, o destaque tem que ir obrigatoriamente para a guitarra, e depois de ouvir o primeiro solo percebemos por que é que Pell é considerado um dos melhores guitarristas de heavy metal clássico, com os seus arpejos e floreados tão característicos que nos remetem para um período da música erudita em que virtuosismo era a palavra de ordem.

Por outro lado, um aspecto interessante no álbum é a diversidade sonora que Pell procura apresentar nos seus temas: se em “Gunfire” tínhamos uma faixa de heavy metal clássico, em “Bad Reputation” o guitarrista opta por uma sonoridade AOR (album oriented rock) com um refrão orelhudo facilmente memorizado pelos ouvintes.

“As Blind As A Fool Can Be” traz-nos uma power ballad bem ao estilo dos 1980s, com uma harmonia assente em piano e guitarras limpas, mas é na voz rouca e poderosa de Gioeli que nos focamos, tal é a facilidade com que ataca cada nota. Esta é uma daquelas faixas que pede um solo mais expressivo sem grandes artifícios, e é exactamente isso que Pell nos entrega através da sua sensibilidade sinestésica.

Em “Living In A Dream”, Pell vai ainda mais longe e apresenta-nos uma guitarra em contratempo, tão característica do reggae, enquanto alterna com pequenos apontamentos melódicos que fazem lembrar Santana. No entanto, trata-se apenas de um pequeno divertimento, sendo que a partir do segundo verso a faixa rompe por uma moldura sonora de proporções sublimes.

A concluir o álbum encontramos “Into The Fire” com a sua introdução orquestral a desembocar num riff bastante progressivo. O que não deixa de ser curioso é que Pell parece ter guardado também para o fim o seu melhor solo onde mistura de forma bastante eficaz motivos orientais com os já tradicionais elementos neoclássicos.

“Sign Of The Times” não apresenta grandes segredos ou inovações, e nem sequer é isso que os fãs procuram quando vão ouvir um disco de Axel Rudi Pell. Contudo, o facto de o guitarrista alemão ter conseguindo manter uma fórmula musical coesa ao longo de toda a sua discografia demonstra bem a sua astúcia em relação a um mercado que se revela cada vez menos competitivo e onde o chamado heavy metal clássico tem vindo a perder algum protagonismo em favorecimento de outros subgéneros.

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