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At the Gates “The Nightmare of Being”

“The Nightmare of Being” pode não ser o álbum esperado de At the Gates mas é, definitivamente, aquele de que precisávamos.

Editora: Century Media Records
Data de lançamento: 02.07.2021
Género: death metal
Nota: 4/5

“The Nightmare of Being” pode não ser o álbum esperado de At the Gates mas é, definitivamente, aquele de que precisávamos.

Pesos-pesados do death metal, primeiro do sueco e depois do mundial, os At the Gates sempre foram uma força criativa sem igual. Do experimentalismo de “The Red in the Sky Is Ours” (1992) ao directo “Slaughter of the Soul” (1995), que mudou o metal extremo e melódico para sempre, os nórdicos desapareceram de cena logo após e tornaram-se uma banda de culto. Regressaram em força com “At War with Reality” (2014) e “To Drink from the Night Itself” (2018), mas pouco inovaram, até que surpreendem novamente com a novidade intitulada “The Nightmare of Being”.

Com um conceito baseado na filosofia pessimista estudada pelo vocalista Tomas Lindberg e abraçada pelo compositor principal e baixista Jonas Björler, “The Nightmare of Being” continua a exibir as marcas sonoras de At the Gates, dos riffs rasgados com fundo melodioso à distorção em modo motosserra. Contudo, à medida que vamos ouvindo o álbum, cedo percebemos que os At the Gates estão aqui para, mais uma vez, revolucionarem primordialmente no seu campo interno de acção, o que se extrapolará inevitavelmente para o exterior.

Após as guitarras acústicas e solo de Andy La Rocque na inaugural “Spectre of Extinction” ainda sentimos uns At the Gates normais em “Paradox”, mas a coisa começa a mudar de figura com o tema-título, ao percebermos que há algo de prog a pairar. Tudo fica mais claro quanto a isso com a quarta “Garden of Cyrus”, uma faixa pesada e com a distorção típica da banda, mas nada death metal, havendo espaço para um longo solo/lead de saxofone. Mais: o tema é mesmo inspirado em King Crimson, uma das bandas preferidas do grupo. As surpresas continuam! Primeiro vêm as orquestrações ominosas que abrem “Touched by the White Hands of Death” e “The Fall into Time” para sermos imediatamente carregados por riffs melodeath à sueca. Depois, mais à frente, deparamo-nos com “Cosmic Pessimism” a ser influenciada pela onda krautrock.

“The Nightmare of Being” pode não ser o álbum esperado de At the Gates mas é, definitivamente, aquele de que precisávamos. Claro que a banda será sempre julgada (para o bem e para o mal) e falada por causa de “Slaughter of the Soul”, mas talvez esteja na altura de virarmos a página como os At the Gates se propuseram a fazer com este algo estranho e complexo “The Nightmare of Being”. Uma coisa é certa, em 2021 fizeram o mesmo (ou algo parecido) que em 1995: abriram um novo portal rumo ao metal extremo mais adulto e maduro, soando mais inventivos e imaginativos como há muito não se ouvia.

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