#Guitarrista

Entrevistas

Archspire: quando os humanos parirem não-humanos…

Sempre dentro da sonoridade técnica e veloz que caracteriza a banda, os Archspire desenvolveram uma subtil nova fórmula e um novo conceito de ficção científica embebido em inovação e incerteza.

Foto: cortesia Season of Mist

«Queríamos que o álbum fosse mais acessível para mais pessoas, mas mantendo-o extremo, rápido e técnico.»

“Relentless Mutation”, de 2017, foi uma cavalgada de velocidade e extremismo sónicos através de um death metal técnico que nos deixou boquiabertos tamanha a coesão e perícia. A pressão foi instantânea e os canadianos Archspire perceberam que, de seguida, tinham de criar algo que fosse pelo menos tão bom.

As novas música começaram a surgir logo em 2018 e tinham planeado terminar o novo disco “Bleed the Future” entre as digressões de 2020. Claro que isso não aconteceu devido à pandemia e a banda decidiu então dedicar-se mais afincadamente à pré-produção.

«O benefício que tivemos é que o “Relentless…” saiu em 2017», esclarece o guitarrista Dean Lamb através da Season of Mist. «Desde então, andámos em digressão mais do que nunca. Tínhamos este ponto-de-vista: Do que é que o público gosta? Que partes devemos escrever mais? Quais são as partes com que mais feedback obtemos? Queríamos expandir e escrever essas partes mais consistentemente – há mais ganchos e, quando temos ganchos, quisemos repetir essas partes para que as pessoas saibam que está é a parte cativante da música.»

O baterista Spencer Prewett acrescenta: «O mais importante é que fomos mais espertos a compor. Queríamos que o álbum fosse mais acessível para mais pessoas, mas mantendo-o extremo, rápido e técnico. Portanto, desta vez, mudámos o processo. Gravámos os ensaios todos os dias e ouvimos o que fazíamos. Depois voltávamos para a sala de ensaio e mudávamos os riffs e as ideias, baseado naquilo que toda a gente tinha pensado durante a semana. Resultou num álbum com que todos estavam mais felizes.»

«Queremos que tudo o que compomos seja um passo em frente, e acho que o conseguimos com “Bleed the Future”.»

Com Lamb a afirmar que passaram mais tempo em cada música e que este novo lote é melhor, o baixista Jared Smith entra na conversa para dizer que se tratou de «um processo de composição extremamente entediante». «Se alguém não está a sentir um riff, nós descartamo-lo e temos de encontrar algo com o qual fiquemos mais felizes. É uma coisa que consegue ser muito frustrante no momento mas, no fim, temos algo melhor. Queremos que tudo o que compomos seja um passo em frente, e acho que o conseguimos com “Bleed the Future”.»

Ao lado da música caminha um conceito desenvolvido pelo vocalista Oliver Rae Aleron. A questão que se faz é: o que acontece se os humanos começarem a parir não-humanos? Cenário gerado num sonho que o vocalista teve, o conceito do álbum não tem finalidade ou conclusão. Contudo, traz à luz alguns dilemas éticos ligados à temática de ficção científica protagonizada pelo grupo.

«Pensei sobre se essas coisas que estavam a nascer podiam realmente ser benéficas no futuro para que não fossem rejeitadas», explica Aleron. «O que aconteceria aos humanos que não nasceram? Iriam para um dimensão diferente? Brinquei com essa ideia toda porque ainda não tinha visto um filme de terror com essa temática. Funcionou em todas as músicas. O único comentário social é que as pessoas não sabem o que estão a parir – se pões alguém neste planeta, não sabes se vai ser bondoso ou maldoso.»

Ainda que concertos já tenham começado a realizar-se, ainda está tudo muito periclitante. Todavia, os Archspire deverão andar pela Europa durante Novembro e início de Dezembro de 2021. Ansiosos por mostrarem “Bleed the Future” ao vivo, a banda, através de Lamb, deixa uma mensagem final aos seus seguidores: «Temos muitos fãs incríveis, portanto acho que vão estar lá para nos apoiar e pegar no álbum porque gostam da música. Somos uma banda auto-agenciada, trabalhamos com a mesma editora há dez anos e acho que o resultado será bom. Seria melhor se estivéssemos na digressão norte-americana na semana antes do lançamento do álbum? Claro, mas acho que as pessoas vão aparecer e apoiar-nos doutras maneiras. Assim que estivermos prontos para regressarmos às digressões e quando toda a gente estiver segura para o fazer, então estaremos lá.»

“Bleed the Future” tem data de lançamento a 29 de Outubro de 2021 pela Season of Mist.

Facebook

Apoia a nossa causa

Destaques

Notícias

Artigos

Mundo das Guitarras © 2021